Política

GREVE DE 24H

Contra a privatização, bancários da Caixa aprovaram greve para esta terça, 27

Contra o processo de privatização do banco público, encabeçado pelo presidente nomeado pelo governo Bolsonaro, Pedro Guimarães, os bancários da Caixa aprovaram em assembleias em todo o país uma paralisação nesta terça, 27.

terça-feira 27 de abril| Edição do dia

Foto: Elza Fiúza / Agência Brasil

No último dia 22, bancários da Caixa de todo o país aprovaram em assembleias virtuais uma paralisação de 24h nesta terça, 27. No eixo desta mobilização está a luta contra a privatização e por mais contratações. As filas recorrentes que bateram recordes nos períodos de pagamento do Auxílio Emergencial, gerou uma onda de adoecimento físico e mental entre os bancários, escancarando o problema crônico da falta de funcionários, que ficou ainda pior com a redução de quase 20% do quadro nos últimos anos.

Ainda que esta mobilização tenha sido convocada de maneira atropelada e burocrática pelas direções sindicais das principais concentrações bancárias do país, as votações expressam uma importante disposição da categoria em não deixar passar esses ataques que não são só contra os trabalhadores da Caixa mas também contra o conjunto da população que precisa do atendimento.

O parasitismo do capital privado dentro da Caixa

Um dos motivos da paralisação ser nesta terça, 27, é porque está previsto para o próximo dia 29 a abertura de capital da Caixa Seguridade, holding que o banco público mantém com outras empresas de capital privado, que controla a negociação e comercialização de produtos como seguros, previdência, capitalização, consórcios.

Este processo de abertura de capital (IPO) significa que o banco público vai colocar parte de suas ações à venda na bolsa de valores, ampliando a composição do capital privado nesta subsidiária que, por sua vez, vai submeter ainda mais o caráter público da Caixa aos interesses do capital privado nacional e internacional. Com isso, se aprofunda a lógica das empresas privadas acionárias da Caixa Seguridade, utilizarem (na base do assédio moral e pressão por metas de venda) toda a estrutura do banco público e seus funcionários para comercializarem os produtos que vão abastecer seus lucros privados.

Como se não bastasse, para conseguir viabilizar a operação de IPO, a Caixa “comprovou” a demanda de mercado para esta operação promovendo em escala o assédio moral contra os funcionários de agências em todo o país, para que estes empurrassem para os clientes a venda das ações envolvidas no IPO, e assim alavancar os valores dos papéis para serem comercializados na bolsa de valores.

A necessária luta contra a privatização precisa ser unificada com as outras categorias estratégicas e com a própria população

Por trás da verborragia nacionalista de Bolsonaro e os militares, que vez ou outra encontra eco na burocracia sindical de centrais como a CUT, está o avanço da privatização que entrega setores estratégicos do país como os Correios, Petrobrás, Eletrobrás, Caixa a preço de banana para as mãos do capital estrangeiro.

Isolar cada luta nos limites de cada categoria como tem feito as direções sindicais de CUT e CTB apenas pavimentam o caminho para mais derrotas. Quando agem desta forma, essas verdadeiras burocracias sindicais buscam minar a disposição de luta e desmoralizar os trabalhadores para que essa insatisfação seja canalizada para renovar ilusões eleitorais em Lula, que já acenou o quanto está disposto a se disciplinar pelo regime do golpe institucional, chegando a defender a privatização da própria Caixa em entrevista a Reinaldo de Azevedo.

Por isso, é necessário percorrer o caminho inverso da burocracia sindical e romper com as divisões que impedem o avanço das lutas contra a privatização e todos os ataques que atingem não só os trabalhadores das estatais mas também o conjunto da população.

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