Educação

INTERVENÇÃO DE BOLSONARO NA UFRGS

Contra a intervenção de Bolsonaro na UFRGS! Todos ao ato nesta quarta às 09h30

#NãoAIntervençãoNaUFRGS !!! Com a possibilidade de Bolsonaro intervir na UFRGS e escolher a chapa da direita para assumir a reitoria, é necessário se mobilizar e lutar contra esse avanço da extrema direita e os cortes na educação. É necessário batalhar por uma estatuinte livre e soberana para que os estudantes, professores e trabalhadores decidam o rumo da universidade.

segunda-feira 24 de agosto| Edição do dia

O deputado bolsonarista Bibo Nunes (PSL) articula para que a direita assuma a reitoria da UFRGS, embora a chapa 1 de Bulhões e Patricia Pranke tenha ficado em último lugar na consulta antidemocrática realizada junto à comunidade acadêmica. Trata-se de uma verdadeira intervenção da direita na universidade. Diante disso, chamamos toda a comunidade acadêmica da UFRGS para o ato que ocorrerá na próxima quarta-feira (26), ás 09:30h, na Faculdade de Educação. Batalhemos pela auto organização dos estudantes contra a intervenção de Bolsonaro, os cortes e por uma estatuinte livre e soberana.

Nesta última segunda-feira (17), em entrevista à rádio Guaíba, o deputado federal bolsonarista Bibo Nunes (PSL) afirmou que tem atuado junto ao governo do presidente Jair Bolsonaro para que o professor Carlos André Bulhões Mendes, da chapa 1 nas eleições da UFRGS, seja nomeado o novo reitor da universidade. A chapa 1, que os bolsonaristas querem escolher para assumir a reitoria da UFRGS, ficou em último lugar da lista tríplice na votação deste ano, contando com 1860 votos numa consulta bastante expressiva com um total de 15.725 votos, mais que o dobro da eleição de 2016.

Se alçando num discurso pseudo apartidário típico da extrema-direita, o deputado justificou toda sua investida para que Bolsonaro escolha o último colocado na lista tríplice com a defesa de “melhorias da universidade através de parcerias”. Sabemos que são parcerias público-privadas que somente agem no sentido de desmonte do ensino público, visando entregar ainda mais nossas pesquisas aos grandes empresários e seu lucro, escancarando, assim, seus interesse em comum com os de Bolsonaro, Mourão e os militares. Todos eles, junto ao Ministro da Educação Milton Ribeiro querem avançar com as privatizações nas universidades públicas, assim como buscam subordinar as universidades federais à política bolsonarista, dos seus terraplanistas e negacionistas, que atacam a ciência e a educação em benefício de projetos que precarizam ainda mais o ensino público. Assim é com o Future-se e com o Ensino Remoto Emergencial (ERE), um tipo de EAD mais precário que vem sendo implementado em diversas universidades e escolas pelo país em meio a pandemia, de maneira autoritária pelas reitorias sem que a comunidade acadêmica, em especial os estudantes, possam decidir.

Outras intervenções já ocorreram, como na Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), onde Bolsonaro nomeou Marcelo Recktenvald como reitor, uma figura reacionária, pastor religioso e seguidor ideológico de Olavo de Carvalho, que havia figurado em 3º lugar. Assim como ocorreu na Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), no RN, onde Bolsonaro nomeou na última sexta-feira (21) a professora Ludimilla Oliveira como reitora-interventora, que também ficou em terceiro lugar na consulta realizada à comunidade acadêmica.

A possibilidade da escolha de Bulhões por parte de Bolsonaro já foi atestada por Mourão. Em declaração o general disse que “pode ocorrer, pois o presidente tem liberdade para escolher qualquer um da lista“ deixando ainda mais claro o quanto o processo de escolha das reitorias nas universidades brasileiras é fundamentado em premissas antidemocráticas e a maioria real da universidade, os alunos, técnicos e terceirizadas, possuem uma ínfima influência ou até nula - como no caso das terceirizadas que sequer têm direito de voto - no processo eleitoral.

É também esse processo de escolha da reitoria da UFRGS, herdado da ditadura militar com uma regra altamente antidemocrática onde o voto de um professor vale mais do que o de 60 estudantes, que permite que Rui Oppermann e Jane Tutikian sejam reeleitos mesmo tendo 4264 votos a menos que a oposição. Como já apontamos, o que explica esse absurdo é o sistema 70-15-15, onde o voto de técnicos e estudantes valem 15% cada, enquanto o de professores vale 70%. Trata-se de um sistema que joga no lixo a decisão da maioria de estudantes e técnicos da universidade em prol do controle da universidade nas mãos de um grupo encastelado há anos na reitoria.

A reitoria de Rui e Jane é a mesma reitoria que, beneficiada pelos mecanismos antidemocráticos de escolha de reitores, usa e abusa de suas posições para aprofundar a absurda terceirização na universidade (que explora trabalhadoras da limpeza, segurança e alimentação), que permite as empresas privadas se utilizarem da estrutura pública para obter lucros, que ataca os cotistas indeferindo matrículas, implementa de maneira autoritária o Ensino Remoto Emergencial excludente e racista sem que a maioria da comunidade acadêmica pudesse decidir e segue os ataques do governo federal contra os setores mais precários. Ou seja, o mesmo grupo que aprofunda o elitismo na UFRGS e a lógica mercadológica que tanto penetra em nossos departamentos.

O que muda agora com a possível escolha de Bulhões não é só um carácter ainda mais privatista, que já estava presente na gestão de Rui e Jane, mas também uma interferência ideológica direta do governo Bolsonaro em nossa universidade. A intervenção da direita na universidade significa aprofundar e piorar ainda mais essa situação já colocada com Rui Opperman.

Veja também: Rui e Jane são reeleitos na UFRGS, mesmo tendo 4264 votos a menos que oposição

Em meio a essa situação de uma possível escolha de Bulhões para o cargo de reitor interventor da UFRGS, precisamos ser aqueles que estarão na linha de frente da luta contra a intervenção e pela a auto organização dos estudantes contra os ataques de Bolsonaro, Mourão e os militares à educação pública, mas entendendo que essa luta não se trata de defender Rui Oppermann e sua nomeação, como fazem o PT e o PCdoB, numa suposta defesa a uma autonomia universitária e de uma democracia interna ilusórias. Sabemos que na prática o regime universitário da UFRGS, que permitiu a reeleição de Rui, é altamente antidemocrático, e não garante autonomia das decisões à maioria da comunidade acadêmica e, sim, a uma pequena camada privilegiada da reitoria e do Conselho Universitário.

Nesse momento é preciso de uma forte mobilização dos estudantes, buscando se aliar aos demais trabalhadores da universidade como técnicos, professores e terceirizados. É preciso unidade também com a luta dos trabalhadores dos Correios, que vêm enfrentando os ataques da empresa e as intenções privatistas de Bolsonaro/Guedes. Uma mobilização impulsionada em assembleias para fazer frente a essa intervenção, enfrentar os avanços do EAD através do ERE em nossas universidades e todos os ataques de Bolsonaro como os cortes de 18,2% do MEC. Por isso chamamos todas e todos os estudantes ao ato convocado pelo DCE na próxima quarta-feira (26), às 09:30h no campus centro.

No marco de batalhar pela unidade e organização da comunidade acadêmica contra o autoritarismo e os cortes do governo, devemos buscar acumular forças para enfrentar o conjunto dos ataques colocados pelo governo e também a estrutura poder antidemocrática da universidade. Isso é parte da defesa de uma universidade a serviço da classe trabalhadora e do povo que, diante da pandemia do coronavírus e da crise econômica, significa colocar todos os recursos humanos e científicos da universidade a serviço de enfrentar essa situação excepcional. Porém pelas mãos da atual reitoria isso jamais será possível. É necessário que esta batalha esteja ligada à luta por uma nova Estatuinte Livre, Soberana e Democrática, que dissolva o Consun e a atual reitoria, pois é preciso superar os limites estatutários impostos por um regime universitário herdeiro da ditadura militar.

Em um processo assim, colocaríamos no centro a luta inclusive contra a terceirização, levantando de maneira forte o programa de efetivação de todos os terceirizados sem necessidade de concurso público, pois já cumprem o serviço diariamente e não precisam de uma avaliação excludente para provar que são capazes de cumpri-lo, pois isso significaria ainda mais demissões entre as e os trabalhadores terceirizados, que são em sua maioria negras e negros, muitas vezes sem escolaridade suficiente para sequer cogitar atravessar esse processo de seleção elitista. É também em um processo estatuinte que poderíamos discutir mais profundamente o EAD nas universidades, podendo abrir caminho para o fim das parcerias público-privadas, que adequam o ensino e a pesquisa técnica e científica aos interesses dos capitalistas.

Em um processo estatuinte também defenderíamos o aumento das bolsas para um salário mínimo, com readequação de acordo com a inflação, como mínimo para os estudantes sobreviverem, por melhores garantias de permanência e a defesa incondicional das cotas étnico-raciais, batalhando para que sejam proporcionais aos números de negros e indígenas por estado e avançando na luta pelo fim do vestibular, filtro social e racial que mantém a maioria da juventude e da classe trabalhadora fora da universidade, lutando por uma universidade a serviço da classe trabalhadora e do povo pobre, radicalmente distinta da atual universidade elitista que é a UFRGS.

É nessa perspectiva que lutaremos contra as intervenções de Bolsonaro na UFRGS e por uma estatuinte livre, soberana e democrática, para que sejam os estudantes e trabalhadores que decidam os rumos da universidade.




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