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Militares e a política | Contra a herança da ditadura e seus desfiles militares

Com a cumplicidade de Arthur Lira, Bolsonaro e militares desfilaram com tanques e carros militares em frente ao Congresso dando nova escalada de retórica golpista diante da crise política no país. Apesar de pequeno, o desfile é uma tentativa de recuperar a herança da ditadura em meio a tentativa de impor o projeto de voto impresso para as eleições de 2022.

Calvin de OliveiraEstudante de Geografia da UFF - Niterói

terça-feira 10 de agosto | Edição do dia

Foto: Cristiano Mariz/Agência O Globo

A Operação Formosa, treinamento militar que ocorre todos os anos na região Centro-Oeste, mudou de rota, mas não à toa. Militares a mando de Bolsonaro foram ao Congresso pressionar pelo voto impresso, principal política de Bolsonaro para suas bases mais duras, nas eleições de 2022.

Leia mais: O que há por trás do desfile militar organizado por Bolsonaro e as Forças Armadas?

Defensores do bolsonarismo e a atualidade da ditadura militar no século XXI, militares encastelam mais de 7 mil cargos no governo, opinam politicamente e são o braço mais reacionário da burguesia agro. Significam, junto com Bolsonaro e Mourão, os ataques como as privatizações dos Correios e Eletrobras, os ataques como a reforma da previdência e escândalos de corrupção, seja no próprio governo responsável pelas mais de 550 mil mortes por covid ou dentro das forças armadas como foram os superfaturamentos recentes.

Seria possível pensar que frente a esse cenário, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira declararia uma “defesa” pela sua casa no Congresso. Ao contrário, o congressista “passou um pano” para Bolsonaro e demonstrou mais uma vez seu alinhamento, ainda que cobre o seu preço junto ao Centrão. Pensar em uma saída contra o autoritarismo vinda desses setores - e não da luta nas ruas, da classe trabalhadora, estudantes, lgbt’s, negros, mulheres - é vender uma ilusão em um sistema econômico, capitalismo, que só oferece miséria.

Contra aqueles que dizem que tirando Bolsonaro(via impeachment), o resto se enfraquece, o desfile carregado de golpismo e autoritarismo para tentar "amedrontar" Congresso pelo voto impresso mostra que as forças armadas já tem seu espaço nessa “democracia degradada”(além da cumplicidade de Lira) e não seria um impeachment que tiraria os militares da política. Tem que ser a luta da classe trabalhadora.

É preciso derrotar todo esse projeto golpista, sem também confiar no judiciário que prende o entregador Galo e na CPI da Covid que só pretende um desgaste de Bolsonaro mas que no Senado vem aprovando todas as reformas e projeto econômico do bolsonarismo. Por isso, nós do MRT estivemos todos os dias nos piquetes de greve dos trabalhadores da MRV e junto aos grevistas levantamos #LiberdadeparaGalo e chamamos a esquerda para levantar uma ampla campanha democrática pela sua libertação.

Como pode ver aqui: Liberdade para Galo e o enfrentamento ao autoritarismo judiciário

Só a força da classe trabalhadora em aliança com a juventude e o povo pobre, como foram nas grandes greves do ABC no final dos anos 70 contra a ditadura podemos derrubar o projeto golpista dos militares e Bolsonaro, por isso chamamos a necessidade de se construir um Comitê Nacional pela Greve Geral com toda a esquerda, para que possamos exigir unificadamente à CUT e CTB a construção de uma greve geral, acelerando a experiência com as burocracias sindicais e com o próprio Lula e PCdoB, que por um lado chamam os militares para conversar(Lula) e de outro votam o anti-democrático distritão(PCdoB).

- Trabalhadores em greve da MRV se colocam em defesa da liberdade imediata de Galo
- O significado da Constituição de 88 e a luta por uma nova Constituinte

Diferente do que foi a Constituinte de 88, tutelada por esses militares, uma greve geral poderia impor outra agenda, assim como uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana(ou seja, que não tem tutela de ninguém). Um órgão desse, que só pode ser e necessita ser levantado por mecanismos da luta auto-organizada dos trabalhadores, é a nossa proposta para acelerar a experiência de setores de massa com ilusões democráticos-burgueses e fortalecer uma alternativa socialista na luta por governo de trabalhadores em rompimento com capitalismo.




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