Educação

CENSURA LGBT

Contra a censura e a violência aos LGBTs, intervenção é feita na Letras-USP

Nesta semana, estudantes do curso de Letras-USP e da Juventude Faísca realizaram intervenção no prédio do curso que tem um dos maiores índices de estudantes LGBTs da Universidade, pendurando cartazes com a polêmica imagem da HQ que sofreu tentativa de censura pelo prefeito carioca Crivella, por possuir um beijo entre dois homens.

domingo 15 de setembro| Edição do dia

Nesta quinta-feira, 12, estudantes do curso de Letras da Universidade de São Paulo (USP) e parte da Juventude Faísca – Anticapitalista e Revolucionária fizeram uma intervenção visual no prédio da faculdade pendurando cartazes nas lousas das salas de aula e no mural principal do edifício. Os cartazes continham uma citação da poeta Hilda Hilst acompanhando a imagem da HQ com o beijo gay, que semana passada foi motivo de tentativa de censura pelo prefeito da capital carioca, Marcelo Crivella, na Bienal do Livro do Rio de Janeiro.

A ideia da intervenção foi a de rechaçar a ação do prefeito Crivella de censurar livros que contenham material LGBT na Bienal do Livro, enquadrando um beijo gay como pornografia e, assim, cerceando a liberdade de expressão.

Além disso, os estudantes espalharam os cartazes com a imagem também como forma de resistência frente às ideias reacionárias e obscurantistas presentes fortemente no governo Bolsonaro. Tal obscurantismo explicita-se nos rankings internacionais, nos quais o Brasil é um dos campeões mundiais em feminicídios e em crimes homofóbicos.

Esses dados podem não chocar Crivella e toda a corja conservadora do governo, mas afetam a juventude que grita por sua liberdade de expressão e por formas de amar. Esse setor da sociedade luta pelos seus direitos e não aceitará mais retrocessos.

O curso de Letras da Universidade de São Paulo é um dos cursos com mais estudantes mulheres, negros e LGBTs de toda a USP. Os cartazes colados pelas salas e espaços comuns do prédio são um lembrete coletivo de que não aceitaremos ações de censura na literatura e em toda forma de arte e cultura, assim como também não aceitaremos perseguições às formas de amar, de se expressar e de ser. Não aceitaremos a moral conservadora que quer nos tolher. Essas ideais são reforçados pelas palavras da poetisa Hilda Hilst que acompanham os cartazes:

“Antes que o mundo se acabe
Antes que acabe em nós
Nosso desejo”

Somos estudantes do curso de Letras e defendemos que a arte seja livre para se expressar e dar vazão a todo tipo de ideia e sentimento. Somos estudantes mulheres, negros e LGBTs defendendo a nossa liberdade de nos relacionarmos com quem desejarmos. Tal direito está intimamente relacionado a outro, tão fundamental quanto, o de possuirmos os nossos próprios corpos. Portanto, lutamos contra a censura, contra o patriarcado e sua violência perante os LGBTs, assim como nos posicionamos contra esse governo que busca disseminar sua ideologia conservadora.




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