Política

DISPUTAS NAS ALTURAS

Contra Maia, Moreira do MDB declara "Queremos um presidente comprometido com o Agro"

O deputado Alceu Moreira (MDB-RS), ex-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), é um forte nome da bancada e declarou em entrevista ao BrPolítico, e em meio as disputas que levaram o STF a barrar reeleição de Maia e Alcolumbre como líderes das casas, que Maia não era comprometido com as pautas do agro, mostrando a força política dessa bancada golpista e ligado ao agronegócio no Brasil.

segunda-feira 7 de dezembro de 2020| Edição do dia

A Bancada do Agro na Câmara e Senado conta com 245 deputados e 39 senadores, o que é bastante expressivo dentro das disputas no parlamento. Em entrevista ao BrPolítico, o ex-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, Alceu Moreira, disse que Rodrigo Maia não cumpriu as promessas que fez à bancada ao não pôr em votação projetos como a MP da regularização fundiária, a lei dos defensivos agrícolas, a legislação ambiental, dentre outros.

“A gente vai votar contra qualquer pessoa que não tiver compromisso verdadeiro com o Agro” disse o deputado. Na entrevista Moreira mostra toda sua subserviência aos países imperalistas, e que Tereza Cristina (DEM), a ministra da fake news do boi bombeiro e defensora dos criadores de boi em meio aos incêndios do Pantanal, é a maior conquista da FPA e que a narrativa sobre os desmatamentos no Brasil é “contraditória e proposital”.

Disse ainda que Rodrigo Maia estabeleceu um modelo na câmara em que a FPA fica escrava da “ditadura da minoria”, que isso explica porque pautas como a lei dos defensivos agrícolas não foram adiante. Moreira deixou a presidência da FPA na semana passada e deu lugar ao deputado Sérgio Souza, também do MDB.

A entrevista é uma expressão das disputas no parlamento sobre a liderança das casas do Senado e da Câmara. O MDB compõe a base de apoio de Maia, mas a entrevista de Moreira mostra que essa base não estava coesa sobre a possível reeleição de Maia.

Como noticiamos aqui, nessa madrugada o STF decidiu por 7 votos a 4 barrar as possibilidades de Rodrigo Maia ser reeleito para a liderança da Câmara, além de também barrar por 6 a 5 a reeleição de Davi Alcolumbre no Senado. Os votos podem ser alterados até o dia 11, mas caso se mantenham veremos novas articulações sobre outros possíveis candidato às lideranças. Baleia Rossi (MDB-SP), Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), Marcos Pereira (Republicanos-SP) e Bivar (PSL-PE) são alguns dos nomes, além de Arthur Lira (PP) que seria o nome mais ligado ao governo.

Além das divisões na própria base de Maia, a decisão do judiciário mostra que seria bastante questionável manter a possibilidade da reeleição, já que foram muitas pressões de diversos setores, inclusive de entidades jurídicas, contra essa decisão que feriria a constituição. Assim o STF, que foi o grande árbitro da política nacional desde o golpe de 2016, também mostra força própria ao impedir a reeleição de Maia e Alcolumbre para as casas contra os demais poderes e para se manter como árbitro do jogo político.

Todas essas movimentações seguem para garantir os líderes mais comprometidos com a agenda de ataques e reformas aos trabalhadores. Disputam para ver quem pode melhor nos atacar. Por isso, não é possível uma saída institucional, que confia as nossas forças em alguma dessas alas. Nossa resposta deve ser a organização dos trabalhadores para desde ja nos prepararmos aos ataques que passam dia a dia e certamente virão no próximo ano, lutando contra Bolsonaro e todo esse regime golpista, levantando a necessidade de uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana onde seja o povo e não esses poderem que tomem as rédeas da política.




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