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Europa | Construindo uma greve geral na Itália: Bolonha tem grande assembleia de trabalhadores

No último domingo, 11 de julho, realizou-se em Bolonha uma assembleia nacional convocada pela “assemblee dei lavoratori e delle lavoratrici”: entre os muitos temas debatidos, a violência anti-operária, tanto na sua excepcionalidade como no seu quotidiano; um plano estruturado de demandas por uma frente única de trabalhadores, a luta pela defesa dos direitos das mulheres trabalhadoras e a vontade de preparar uma greve geral baseada no sindicalismo combativo.

quinta-feira 15 de julho | Edição do dia

Várias centenas de trabalhadores e militantes de organizações que atuam no conjunto do movimento operário e das lutas sociais de todo o território italiano se reuniram, na manhã do dia 11 de julho, nas salas do complexo DUMBO de Bolonha, para debater uma maneira de avançar de forma unitária após os últimos meses terríveis de ofensiva dos patrões.

Da vívida memória das violentas e ferozes agressões aos trabalhadores que lutam em Lodi, na Alexandria, e em dezenas de outros locais onde a greve foi escolhida como instrumento de luta, e do ápice deste momento repressivo, com o brutal assassinato do camarada Adil Belakhdim da S.I. Cobas de Novara; das acusações de conspiração contra o camarada Eddy di Iskra e do S.I. Cobas napolitano, como contra os companheiros de porto do CALP em Gênova; pelo vergonhoso acordo entre os dirigentes sindicais confederais e o governo dos piores capitalistas, liderado por Mario Draghi, imediatamente seguido pela demissão de centenas de trabalhadores, como no caso da GKN de Florença, onde neste momento o Factory Collective declarou a ocupação (para eles, foi encaminhada a promessa de solidariedade ativa e material de toda a Assembleia); pelo contínuo escárnio das políticas migratórias, pelo que, com a anistia do ano passado (apenas 5% dos pedidos foram levados em consideração até maio de 2021), ainda a repressão e a exploração se confirmam como ferramentas preferidas de quem preconiza a integração, enriquecendo-se sobre os ombros de uma camada cada vez mais ampla, diversa e combativa da classe trabalhadora italiana; contra a discriminação às mulheres trabalhadoras, que sofreram a maioria absoluta de dispensas no período pandêmico, e que, mesmo diante de renovadas dificuldades e a exacerbação de contradições muito pesadas, devido à dupla (ou tripla, no caso das mulheres migrantes) opressão que sofrem, ainda ocupam um lugar central no esquecimento do governo.

Com todas essas urgências, e muitas outras (uma nota particular sobre políticas fiscais e segurança no trabalho, como um camarada da comissão de 9 de outubro observou em um discurso), foi levantada a necessidade comum de organizar uma greve geral que pudesse realmente colocar o sistema produtivo do país em crise.

No topo das palavras de ordem está a redução da jornada de trabalho com o mesmo salário, a abolição dos decretos de segurança, e a taxação extraordinária de 10% da renda dos 10% mais ricos do país. Voltamos, como outras vezes, para buscar reivindicações concretas que transmitam a ideia de que a atual crise capitalista não pode ser paga pelos trabalhadores, pelos precários, ou por todas as categorias que sempre tiveram que pagar o derramamento de sangue de um governo vilão da economia, visando o lucro em cima da pele da maioria da população.

Também foram feitas considerações importantes, através de várias intervenções, sobre a possibilidade de se constituir uma Assembleia de Delegados das fábricas e locais de trabalho onde estão presentes as organizações integrantes, para dar continuidade ao desejo comum de fazer a própria atividade de construção um fenômeno duradouro, cotidiano e generalizado o quanto possível.

Com a intervenção do camarada Dario Salvetti, da GKN de Florença, foi possível entrar no mérito das várias táticas aplicadas pelos patrões para preparar o campo de repressão das formas de luta dos trabalhadores, não apenas tutelando o trabalho, mas retirando direitos da classe trabalhadora e em inclusive colocando em crise o funcionamento do capitalismo.

Eddy Sorge lembrou o peso da situação em que nos encontramos tendo que trabalhar na pandemia, e a importância de deixar de lado o divisionismo oportunista nos locais de auto-organização dos trabalhadores, bem como a necessidade de intervir de forma sistemática no ponto fraco mais exposto e fundamental do capitalismo, para transformar uma jornada de "manifestação autocelebrativa" em um momento de ruptura com a paz social que os patrões e seus representantes políticos desejam impor.

Lubna, em nome do Comitê de 23 de setembro, nos lembrou das absurdas políticas "pro-família" levadas a diante por governos recentes e discursou à assembleia sobre a importância da luta pelos direitos das mulheres nos desenvolvimentos futuros da Assembleia de trabalhadoras e dos trabalhadores combativos. Também houve muitas vozes de dissidências internas da CGIL, como no caso de Vincenzo Cimmino, precário na educação, que reiterou em voz alta o quão absurdo é que Maurizio Landini ocupe o cargo de secretário sindical, após ter vendido seus associados e milhões dos trabalhadores à mercê da patronal da Confindustria com a liberação das dispensas, vendendo-o como um resultado vitorioso.

Também nas observações, um apelo unânime à unidade das lutas foi dirigido à data do 29 de outubro como um potencial para a greve geral: a véspera da Reunião Ministerial da série de reuniões do G20, que apresentou uma disputa durante a sessão de ontem em Veneza, mas que também pode atuar como um catalisador para uma resposta dos trabalhadores às políticas de governo dos vários países que o compõem: a luta internacional contra o capitalismo está sempre na mesa nesses momentos de discussão; trata-se agora de entender quais serão as melhores estratégias para fazer pontes, não só entre a classe trabalhadora local, mas também através das fronteiras, como aconteceu com o protesto contra a Amazon que atingiu todos os países onde a multinacional tem uma sede.

Com camaradas e companheiros da FIR- La Voce delle Lotte, que fazem parte junto com o Esquerda Diário e o MRT da Fração Trotskista e de nossa rede mundial de diários virtuais, encaramos o desafio dessa assembleia, desejando que se coloque cada vez mais a frente das lutas, bem como abra uma fase de aprofundamento das reivindicações já expressas até aqui, visando incluir as demandas não só das formas tradicionais da classe trabalhadora, mas também das especificidades das mulheres, da comunidade LGBTQIA+, do movimento ambientalista, dos precários, dos desempregados, dos estudantes e de todos aqueles que hoje se veem pagando a conta da enésima crise capitalista, e da repressão que quer nos fazer aceitá-la com um sorriso.




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