IBIRAPUERA

Conselho do Patrimônio dá permissão a Doria para privatizar e transformar Ginásio do Ibirapuera em shopping

Após Doria divulgar carta que defende a privatização do Complexo Esportivo do Ibirapuera, Conselho do Patrimônio vota contrário ao tombamento e avança no ataque ao esporte e ao Patrimônio na cidade.

terça-feira 1º de dezembro de 2020| Edição do dia

Foto: Via Poder360.

Na última segunda-feira (30), o Condephaat, órgão estadual pela preservação do patrimônio, deliberou, em reunião, pelo não tombamento do Complexo Desportivo Constâncio Vaz Guimarães, abrindo espaço à transformação do Ginásio do Ibirapuera, um dos poucos locais com pistas de atletismo públicas que seguem o padrão oficial na cidade, em um uma área mutiuso, com espaço para shows e esportes, e um Shopping.

O secretário de Esporte, Aildo Ferreira (Republicanos), havia realizado uma reunião na última quinta-feira (26), em que defendeu a carta em questão. Segundo os participantes da reunião, todos representantes de federações paulistas, o secretário contava com apoio das entidades que recebem emendas parlamentares de vereadores e deputados do partido (Republicanos).

As entidades que defendiam a privatização são de esportes de luta, que receberam a promessa do secretário de que terão prioridade na futura arena, e que terão taxas de aluguel reduzidas. Entretanto, nenhuma dessas promessas consta no edital apresentado pelo governo estadual. Para privatizar, alegam que o Ibirapuera apresenta diversos problemas, incluindo a falta de adaptações para modalidades esportivas como futsal, handebol e tênis. Entretanto, só nos últimos anos foram realizados uma etapa do circuito de tênis profissional (2019), além de ter sido sede do Campeonato Mundial de Handebol (2011).

Ainda segundo a carta, o projeto prevê a demolição do complexo aquático, que foi reformado em 2014, e do estádio de atletismo, os quais darão lugar a um hotel e uma nova arena multiuso, respectivamente.

Anteriormente, o Condephaat era composto por 30 conselheiros, dos quais 14 eram representantes de universidades. Na gestão de João Dória, entretanto, o governador de São Paulo cortou o número de cadeiras das universidades para apenas cinco, disponibilizando 14 cadeiras para representantes de seu governo.

Na reunião da Condephaat que aconteceu na última segunda-feira (30), todos os cinco representantes de universidades votaram a favor do estudo de tombamento do Ibirapuera, junto com o representante do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e uma profissional do patrimônio imaterial. Entretanto, todos os representantes do governo Dória votaram contra o estudo de tombamento, abrindo espaço para a privatização almejada pelo governador.

Com uma votação manipulada, Dória consegue dar um passo a mais da privatização do Ibirapuera. Endossando a política neoliberal de Bolsonaro e Guedes, Dória governa para os empresários e tira da população o direito ao lazer e ao esporte. A definição de qual deve ser a empresa que controlará a concessão deve se dar em Fevereiro, segundo os planos desse governo golpista.

Trata-se também de um imenso ataque à história e ao Patrimônio, contra o qual movimentos sociais e entidades organizaram um abaixo-assinado com mais de 5 mil assinaturas.




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