×

Venda de vacinas | Conselho de Saúde Yanomami denuncia servidores que venderam 106 doses de vacina por ouro

5 servidores da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), ligada ao Ministério da Saúde, foram denunciados pelo Conselho de Saúde Yanomami por venderem 106 doses da CoronaVac destinadas a Terra Yanomami em troca de 15 gramas de ouro.

quinta-feira 29 de julho | Edição do dia

FOTO: Victor Moriyama/ISA

Uma denúncia divulgada pelo Conselho Distrital de Saúde Indígena Yanomami e Ye’kuana (Condisi-YY) mostra que 5 servidores da Secretaria Especial de Saúde Indígena ligada ao Ministério da Saúde, venderam 106 doses da CoronaVac destinadas às Terras Yanomami na região Norte do país por 15 gramas de ouro à garimpeiros da região.

O ofício, assinado no último dia 15 por Júnior Hekurari Yanomami, presidente do Condisi-YY, e ao qual o portal G1 teve acesso, menciona cinco servidores como responsáveis pelo esquema de vendas das vacinas na comunidade Komamassipi, na região do Parafuri. Lá, 45 garimpeiros foram vacinados pagando 15 gramas em cada dose. Já nas regiões do Parima foram 23 e em Homoxi 38 invasores imunizados, afirma a denúncia. Ao portal G1, Hekurari informou que os desvios ocorreram nos meses de março, abril e maio deste ano. Na época, o grama do ouro chegou a ser cotado a R$ 319,82 no Banco Central, o que representa uma movimentação equivalente a cerca de R$ 500 mil em troca das 106 doses que deveriam ser aplicadas nos Yanomami.

Pode te interessar: Os garimpeiros em Roraima se apoiam em Bolsonaro para perseguir os Yanomamis

Ainda não se sabe se as 106 vacinas foram repostas para serem aplicadas nos indígenas. Os cinco servidores, um enfermeiro e quatro técnicos de enfermagem, estavam na região a serviço do Distrito de Saúde Indígena Yanomami (Dsei-Y), subordinado à Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), e que, por sua vez, responde ao Ministério da Saúde. A fiscalização das ações de saúde fica por conta do Condisi-YY, que é um órgão com autonomia e que fez a denúncia.

Veja também: Ministério da Justiça de Bolsonaro recorre à Força Nacional para reprimir os Yanomami

A luta dos povos originários é também luta de classes, as mazelas sanitárias que sofrem com o garimpo ilegal é parte do mesmo sistema capitalista que descarrega a crise econômica sobre as costas da classe trabalhadora. Nossas vidas, as vidas dos indígenas, de todo trabalhador, de toda pessoa que sofre com a opressão advinda desse sistema miserável, vale mais que o lucro, o ouro, a ganância deles!

A professora da rede estadual de São Paulo Maíra Machado falou sobre a luta dos Yanomami e os garimpeiros na região amazônica no programa ED Comenta que você pode conferir logo abaixo:




Comentários

Deixar Comentário


Destacados del día

Últimas noticias