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Teatro UFRGS | Conheça o programa da chapa “Vozes de Protesto”, nova gestão do CADi UFRGS

Veja na íntegra a carta-programa defendida pela chapa "Vozes de Protesto", formada pela Juventude Faísca e independentes, que recentemente assumiu a gestão do Centro Acadêmico Dionísio, do curso de teatro da UFRGS, após um expressivo processo eleitoral.

terça-feira 5 de outubro | Edição do dia

Estudantes, artistas, trabalhadores da cultura, futuros professores. Inconformados com a miséria capitalista e apaixonados pela potencialidade humana. Esses somos nós: a chapa Vozes de Protesto, construída por militantes da Faísca, do MRT e estudantes independentes.

Queremos um DAD vivo, resistente, cada vez mais nosso e também da população, para que nossa arte extrapole as portas e janelas de nosso pequeno prédio. Contra a fragmentação imposta a nós pelo ensino remoto, batalhamos pela unidade do nosso curso, entre estudantes, professores e demais trabalhadores, de dentro e de fora da Universidade, para nos fortalecermos e melhor enfrentarmos os desafios colocados.

Nossa chapa é ao mesmo tempo uma continuação e renovação no CADi, uma vez que alguns membros da antiga gestão se mantiveram e novos estudantes, entre eles muitos bixos, entraram para a chapa. Nosso nome, “Vozes de Protesto”, é inspirado no poema "Mas viveremos" de Drummond, onde bebemos na fonte de resistência comunista do poeta para decifrar o céu noturno e os combates que nos encaram no tempo presente. Ademais, nosso logo também é fonte de inspiração para nós: uma arte nascida das barricadas no maio de 1968 na França, quando estudantes e operários franceses fizeram tremer a ordem capitalista, questionando a universidade burguesa, a exploração e a opressão.

Nessas eleições de 2021 para o CADi infelizmente teremos uma eleição de chapa única, mas esse fato não pode reduzir o importante e necessário debate político a ser travado nas eleições para o centro acadêmico. Por isso, precisamos da participação ativa de todos dadianes nesse processo, ainda mais em meio ao ensino remoto e aos ataques à universidade pública, onde Bolsonaro e sua corja tentam deslegitimar o movimento estudantil e suas entidades. É nesse cenário que encaramos essa eleição como parte de fortalecer o CADi, resgatando sua importância frente aos estudantes e nos preparando para os desafios que virão.

Aqui nessa carta-programa apresentamos uma síntese das ideias, bandeiras e propostas defendidas pela nossa chapa, pelas quais batalhamos e batalharemos ao lado dos estudantes, e que também irão nos guiar ao longo da gestão. Não acreditamos que o Centro Acadêmico consiga implementá-las de um dia para o outro, muito menos sozinho, por isso o que queremos é construí-las com o conjunto dos estudantes.

Queremos ser muitos entre as milhares Vozes de Protesto que se levantam (e levantarão!) contra a realidade que é imposta por esse sistema de miséria, lutando por uma vida que valha a pena ser vivida, pelo direito à arte, à cultura, à educação e tudo aquilo que nos é de direito e deve ser defendido com todas as nossas forças.

• Por um CADI combativo e anticapitalista: estudantes aliados aos trabalhadores, contra Bolsonaro, Mourão, Bulhões, os ataques e privatizações!

Frente à ofensiva de ataques que vêm sendo aplicados pelo governo de Bolsonaro e Mourão em acordo com o Congresso e STF, batalhamos por entidades estudantis combativas, baseadas na auto-organização e em aliança com os trabalhadores, para reerguer o movimento estudantil e traçar um plano de lutas à altura dos desafios colocados. Essa é a perspectiva que defendemos para o CADi, pois sabemos que será apenas confiando em nossas próprias forças e através da luta que conquistaremos nossas demandas.

Queremos colocar Bolsonaro e os militares na lata de lixo da história e justamente por isso não confiamos no STF como um aliado, pois sabemos que, apesar dos embates com o governo, esta instituição foi pilar do golpe de 2016, abrindo caminho a um aprofundamento dos ataques que já vinham ocorrendo nos governos do PT, e permitiu as eleições manipuladas de 2018. Ou seja, um dos responsáveis por Bolsonaro estar no governo hoje. Além disso, quando se trata de aprovar ataques, privatizações, reformas, cortes nas universidades e pesquisas, estão todos unificados: Bolsonaro, Congresso, STF e governadores. Precarizam a educação para atender a demanda de mão de obra barata e precarizada, querem uma universidade “para poucos” como proferiu Milton Ribeiro, tudo a serviço de sustentar os lucros dos capitalistas.

Basta! Se eles se unem para nos atacar, precisamos nos unificar e golpeá-los com um só punho, em um coro que amplifique nossas vozes de protesto. A unidade que nós confiamos ser potente para isso é dos estudantes com a classe que move o mundo, a classe trabalhadora, a única verdadeiramente interessada em levar à frente a democratização real do acesso à educação pública e emancipar o trabalho e a arte das garras da exploração e do lucro capitalista. Por isso, estivemos e estaremos ombro a ombro com os trabalhadores em cada uma de suas lutas. Se aliando aos trabalhadores da universidade, como os técnicos e professores, mas também os terceirizados, para se enfrentar contra a intervenção de Bolsonaro na UFRGS, os cortes, as demissões de terceirizados e a Reforma Administrativa, que afetará todos na universidade. Batalharemos incansavelmente para que o movimento estudantil aposte nessa unidade e não na aliança com a direita, como faz atualmente a União Nacional dos Estudantes (UNE), dirigida pelo PT, UJS/PCdoB e Levante Popular da Juventude. Esses setores, junto das organizações da oposição de esquerda como o PSOL, PCB e UP, selaram acordo com figuras reacionárias como Joice Hasselmann, Alexandre Frota, Kim Kataguiri e MBL em torno do impeachment, uma proposta que colocaria Mourão, um racista saudosista da ditadura militar, no lugar de Bolsonaro, sem encostar um dedo na estrutura desse regime podre que sustenta a desigualdade e a precarização. Da nossa parte, nosso caminho deve ser diferente, o caminho de derrotar não apenas Bolsonaro, mas também Mourão e todo o regime político golpista e sistema capitalista que só nos reserva misérias.

Mas para levar esse enorme desafio a frente, é preciso organização em cada local de estudo e trabalho desse país, e por isso as entidades estudantis e sindicais são tão importantes. Na nossa visão, elas precisam cumprir o papel de fomentar a auto-organização para que cada um dos estudantes se veja como sujeito político e histórico do momento em que vivemos, avançando politicamente enquanto coletivo. Precisamos de centros acadêmicos, uma UNE e DCEs combativos, que se enfrentem com a resignação e impotência que a situação reacionária impõe à nós, utilizando de exemplo e apoiando ativamente cada um dos processos de luta da classe trabalhadora que se expressam pelo país, como foi a brava greve dos rodoviários de Porto Alegre contra a privatização da Carris e a extinção dos cobradores, onde estivemos lado a lado dos trabalhadores com o comitê de apoio à greve. Apoiamos também a greve dos trabalhadores da MRV em Campinas, os operários da Sae Towers em MG e os trabalhadores do Detran no RN, e a forte e inspiradora mobilização dos povos indígenas contra o Marco Temporal e a PL490, dois quais estamos juntos defendendo também a demarcação imediata das terras indígenas.

É com essa perspectiva que queremos construir uma nova gestão de luta, com a força de cada estudante, lutando por um movimento estudantil antiburocrático, anticapitalista e aliado aos trabalhadores: contra Bolsonaro, a intervenção nas Universidades, os ataques à educação e à arte.

Fora Bolsonaro, Mourão e militares!

• Por uma estatuinte livre e soberana contra a intervenção de Bolsonaro na UFRGS, pela democratização radical da estrutura de poder da universidade!

Você sabia que o estatuto da universidade é herdado da ditadura militar e que é ele o que permite a intervenção de Bolsonaro?

O estatuto da UFRGS é o documento que se refere às normas que regulamentam todo o funcionamento da nossa universidade. É esse estatuto que garante que a estrutura de poder da universidade seja totalmente antidemocrática, com o poder de decisão concentrado na figura da reitoria e no Conselho Universitário (CONSUN), onde estudantes, maioria da universidade, e técnicos, ocupam apenas 9 cadeiras cada, enquanto professores ocupam 53 cadeiras, além de haver 2 cadeiras reservadas para representantes patronais, e nenhuma para trabalhadores terceirizados, que fazem essa universidade funcionar, mas que não tem direito a representação. O estatuto é quem permite a criminosa terceirização, que divide os trabalhadores entre efetivos e terceirizados, e a entrada da iniciativa privada e suas fundações, que subordinam nossas pesquisas e a produção de conhecimento em uma instituição pública para o lucro de empresas privadas.

Esse estatuto também garante que não haja votação direta para a escolha de reitor, mas sim uma consulta que segue a imposição das normas da Lei de Diretrizes de Base da Educação Nacional (LDB) onde professores têm 70% do peso dos votos e estudantes e técnicos apenas 15% cada. Porém, mesmo com essa consulta, ainda fica a cargo do presidente da república escolher quem será a gestão da reitoria, sendo esse o mecanismo que permitiu que Bolsonaro interviesse na eleição da UFRGS e escolhesse a chapa de Bulhões e Pranke, a chapa menos votada da consulta.

Isso tudo porque esse estatuto é herdado da ditadura militar. Sua estrutura de poder, a lista tríplice, e vários outros mecanismos foram conservados até os dias de hoje. Chama atenção que mecanismos conservadores absurdos como esse se mantiveram intactos por governos e reitorias ao longo das décadas, inclusive os do PT. É por isso que, contra a intervenção e para varrer os escombros da ditadura de nossa universidade, defendemos a luta por uma nova Estatuinte Livre, Soberana e Democrática dentro da universidade, com voto universal e por cabeça, que tire Bulhões e Pranke, dissolva o CONSUN e a atual reitoria. Nós estudantes podemos gerir nossa universidade, junto aos trabalhadores e professores, a partir de conselhos realmente democráticos, com composição proporcional ao peso de cada categoria na universidade, numa gestão dos três setores, com maioria estudantil e de maneira independente dos governos e empresários. Nos inspiramos nos momentos mais espetaculares da história do movimento estudantil, como em 68 na França e na batalha da Maria Antônia, em São Paulo, onde os estudantes tomaram a universidade, decidiram o currículo e as regras, e abriram para os filhos dos trabalhadores poderem entrar.

Em um processo assim, colocaríamos no centro a luta contra a terceirização, levantando o programa de efetivação de todos os terceirizados sem necessidade de concurso público, pois já cumprem o serviço diariamente e não precisam de uma avaliação para provar que são capazes de cumpri-lo. É também em um processo estatuinte que poderíamos discutir mais profundamente a educação à distância nas universidades, assim como a presença das fundações de empresas privadas, podendo abrir caminho para o fim das parcerias público-privadas, que adequam o ensino e a pesquisa técnica e científica aos interesses do lucro dos capitalistas.

Mas um processo assim só seria possível através da mobilização de toda comunidade acadêmica da UFRGS, com os Centros Acadêmicos e o DCE batalhando pela auto-organização dos estudantes em aliança com os trabalhadores de dentro e de fora da universidade. Esse é o único caminho possível para se enfrentar não apenas contra a intervenção, mas contra Milton Ribeiro, Bolsonaro, Mourão e o conjunto dos atores desse regime que atacam nossa educação e querem vender nosso futuro. Esse caminho precisa ser trilhado sem nenhuma confiança no MEC do governo de Bolsonaro e de maneira independente do CONSUN, que é parte de administrar os cortes na UFRGS, expulsando cotistas, cortando bolsas, garantindo a terceirização e sendo responsável também pela demissão de terceirizados pela reitoria. Porém, o DCE da UFRGS, dirigido pelo PSOL, UP e PCB, segue o caminho contrário. Chama de vitória o pedido ao MEC de Bolsonaro e Milton Ribeiro pela destituição de Bulhões e Pranke, nutrindo ilusões na benevolência do pastor militar bolsonarista que comanda a pasta. E, caso o governo bolsonarista aceitasse esse pedido, a proposta dessas organizações, em consonância com o CONSUN, é uma nova consulta à comunidade acadêmica para eleição da reitoria, porém paritária, com cada setor sendo representado igualmente, um modelo menos antidemocrático que o atual, mas que igualmente culminaria em uma lista tríplice para Bolsonaro dar a palavra final.

Só a nossa luta é capaz de derrotar a intervenção e os ataques e cortes de Bolsonaro! É nessa perspectiva que lutaremos pela derrubada de Bulhões e Pranke e por uma estatuinte livre, soberana e democrática, para varrer os escombros da ditadura de nossa universidade, em defesa da autonomia real e para que sejam os estudantes e trabalhadores que decidam os rumos da UFRGS.

• Contra os cortes nas Universidades, em defesa do curso de teatro e pelo livre desenvolvimento da ciência: por uma universidade a serviço da classe trabalhadora!

O atual cenário das Universidades Federais é extremamente preocupante. O da cultura também. Se olharmos então para os cursos de artes dentro das Universidades Federais, a situação é duplamente crítica: vivem em uma corda-bamba do sucateamento e tornam-se o alvo perfeito dos cortes e ataques ideológicos reacionários de Bolsonaro, Milton Ribeiro e seus secretários da Cultura vindos diretamente dos porões da ditadura.

Nós que frequentamos o DAD sabemos que a realidade dessa precarização é inegável. Estudamos em um prédio que nos orgulhamos de ter sido conquistado com muita luta, porém ele está literalmente caindo aos pedaços, com salas inadequadas para nossas aulas, algumas com risco de queda! Isso sem contar os diversos surtos sanitários que já tivemos que enfrentar: sarna, escorpião amarelo, pombas, ratos… Nunca foi de interesse da reitoria e do CONSUN oferecer um espaço adequado ao DAD ou ao IA. O Centro Cultural da UFRGS, também chamado de “quindão”, recentemente reformado e um importante espaço cultural, sequer abriga aulas do nosso curso. Muitas já foram as demandas por um espaço novo e nada.

E se antes já era difícil, agora com o interventor Bulhões e a grave crise orçamentária das universidades federais, a situação se agrava: o medo de que nosso curso deixe de existir é real frente aos cortes e ataques que afetam principalmente as áreas de humanas e artes. Por isso, nossa organização em torno da defesa do curso de teatro é urgente e imprescindível, passando pela luta contra Bulhões, o CONSUN, Bolsonaro, Mario Frias e todo regime político que destrói os direitos dos trabalhadores, da cultura e precariza as universidades públicas a mando da iniciativa privada.

Na “Universidade para poucos” deles só cabe a elite e as mãos sujas das grandes empresas, que se utilizam das pesquisas dos estudantes e dos espaços públicos da universidade a benefício próprio: para lucrar. Querem limitar o desenvolvimento da ciência e da arte dentro das universidades de acordo com o mercado e a indústria cultural, estabelecendo uma barreira entre o que é estudado dentro da universidade e as necessidades reais e interesses da população.

Mas nós queremos destruir essa barreira e todas as amarras que restringem o desenvolvimento livre da arte e da ciência! Como uma pequena, porém importante demonstração disso, vimos as universidades cumprindo o papel de desenvolver pesquisas sobre vacinas para a COVID-19, produzir máscaras e álcool gel. A UFRGS, por exemplo, produziu milhares de testes PCR durante a pandemia. E se essa experiência fosse expandida e diretamente ligada às necessidades da classe trabalhadora e o conjunto da população? As Universidades poderiam estar voltadas a pensar soluções para o problema de saneamento básico que ainda assola as comunidades mais pobres ou a falta de moradia que persiste enquanto ricaços moram em mansões e esbanjam terrenos vazios, por exemplo.

Para levar isso a frente, precisamos nos organizar e lutar. Eles nos dirão que não há dinheiro para investir nas Universidades Federais, mas enquanto dizem isso, professores, principalmente os ligados à burocracia acadêmica, acumulam cargos e salários altíssimos acima do teto salarial e o Parlamento despeja bilhões de dinheiro público anualmente para a fraudulenta e ilegítima dívida pública, para a qual medidas como a PEC do Teto de Gastos está a serviço.

Por isso, contra os cortes nas universidades e por mais verbas à educação pública, defendemos a abertura do livro de contas da UFRGS, para que se saiba qual a situação da universidade e para onde vai o dinheiro, o fim da lei do Teto de Gastos e o não pagamento da dívida pública!

• Em defesa das cotas, assegurando a permanência dos estudantes na Universidade, contra os indeferimentos, rumo ao fim do vestibular!

Para a juventude trabalhadora, está cada vez mais difícil se manter na Universidade. De um lado, os dados apontam que apenas 18,1% dos jovens de 18 a 24 anos estão matriculados no ensino superior, sendo 78,5% das matrículas concentradas no ensino superior privado (dados do Instituto Semesp). Do outro, a taxa de desemprego entre os jovens da mesma faixa etária ficou em 29,8% (dados do IBGE). Este retrato não é uma casualidade, é expressão do que Bolsonaro em conjunto com os demais atores do golpe, querem empurrar para a nossa juventude: o desemprego e o trabalho precário, sem direito à educação, ou afundado em dívidas das mensalidades de universidades privadas!

Um dos exemplos mais claros disso foi o caso dos 195 estudantes expulsos da UFRGS no último semestre pela reitoria interventora de Bulhões junto do Conselho Universitário. Cotistas que eram constantemente ameaçados de terem suas matrículas canceladas pela matrícula precária, uma profunda expressão da condição que está reservada para os filhos da classe trabalhadora nas universidades, especialmente aos estudantes negros. Não aceitamos que o nosso futuro seja carregar nas costas o lucro bilionário de empresas como a Rappi, iFood e Uber, enquanto equilibramos em duas rodas de bicicletas o sonho do ensino superior e nossa vontade de fazer arte. Não aceitamos que essa vontade se dissipe entre trabalhos precários e noites mal dormidas em meio a dívidas.

Defendemos que todes tenham direito a estudar e sem pagar! Por isso, lutamos pela radicalização do acesso à universidade, defendendo o fim da matrícula precária e o direito de matrícula integral de todos os estudantes. Defendemos a ampliação das cotas étnico-raciais e a criação das cotas trans, rumo ao fim do vestibular, buscando acabar com todo e qualquer filtro social e racial que impede que nossos jovens possam ter acesso ao ensino superior em nosso país. Nós queremos erguer um movimento estudantil que rompa a bolha da universidade e se ligue aos jovens que sequer tiveram a oportunidade de fazer um vestibular, que nesse momento estão procurando trabalho para ajudar em casa. Um movimento estudantil que amplifique as demandas de toda a juventude de dentro e fora da universidade. Nesta luta, nos apoiamos na força dos povos indígenas que lutam contra o Marco Temporal em Brasília e na enorme força negra desse país que se levantou contra a violência policial em meio à pandemia.

Educação não é mercadoria! Contra os monopólios privados do ensino superior, fortalecidos nos anos do PT, defendemos a estatização das universidades privadas sob controle dos trabalhadores e estudantes, e a anulação de todas as dívidas contraídas através do FIES e outros programas do governo. Além disso, é preciso garantir a permanência dos estudantes na graduação, por isso defendemos um auxílio permanência de no mínimo um salário mínimo sem contrapartida de trabalho, assim como a ampliação e melhores condições nas Casas de Estudantes e a gratuidade no Restaurante Universitário. As bolsas de extensão e pesquisa na UFRGS estão estancadas há anos em R$400! Muitos estudantes precisam se sustentar apenas com esse valor, que não paga nem mesmo uma cesta básica. Por isso, defendemos o aumento das bolsas da CNPQ e CAPES corrigido pela inflação.

Para garantir essas medidas, novamente a abertura do livro de contas da UFRGS será necessária, assim como nossa luta e organização para se enfrentar com os lucros capitalistas, propondo o fim da Lei do Teto de Gastos e o Não Pagamento da Dívida Pública, pois o dinheiro da educação não deve servir para dar lucro para banqueiro ou monopólio privado de ensino.

• Libertar a arte das amarras da censura, do conservadorismo e do capitalismo!

Bolsonaro e a extrema-direita odeiam os artistas e a cultura. Para nós, a recíproca é verdadeira. O ódio deles se expressa nas defesas mais esdrúxulas, como Regina Duarte, em meio a pandemia de COVID-19, comparando a cultura com o "pum do palhaço" que faz a "risadaria feliz da criançada", dias depois de ter relativizado a tortura da ditadura cantando Pra Frente Brasil. Duarte sucedia a podridão de Roberto Alvim e sua imitação podre e barata da estética e do conteúdo nazista do discurso de Goebbels, defendendo que a FUNARTE se tornasse uma "máquina de guerra cultural" contra a esquerda.

São os cortes de orçamento, a queima do Museu Nacional e da Cinemateca Brasileira, até as medidas de censura direta de exposições, peças e obras de arte que ataquem a “moral e os bons costumes” dessa extrema direita saudosista da ditadura militar. Nos querem calados porque sabem da potência crítica da arte. Tentam nos incendiar e censurar pois sabem que a arte é criadora de reflexão e questionamentos, que a arte imagina novos mundos, que a arte é produtora de utopias.

Mas cada um desses ataques não é algo isolado, fazem parte do projeto de país do golpismo que Bolsonaro, Mourão e todos os atores deste regime político levam a frente. No campo da arte e da cultura, esses ataques vêm para corresponder ao país das reformas, cortes e privatizações, da precarização da vida e da uberização do trabalho, das altas taxas de desemprego e da fome. E para isso, buscam controlar e censurar a produção cultural, para que as denúncias das contradições que nos assolam e qualquer perspectiva de enfrentá-las e superá-las não se expressem em forma artística.

Querem podar nossa potência e insubmissão contra a realidade que querem nos impor, potência que se expressou inúmeras vezes no Departamento de Arte Dramática, o nosso DAD, como quando os estudantes das artes levaram à frente — e com performances — os atos do Tsunami da Educação em 2019 e realizaram intervenções em paradas de ônibus contra a eleição de Bolsonaro em 2018. Essa potência é histórica e se expressou também na resistência do departamento em 1969, quando os estudantes ocuparam o prédio contra os expurgos de professores pela ditadura e para impedir o seu fechamento, chamando toda a população de Porto Alegre para assistir peças feitas pelos próprios estudantes.

A arte é a expressão máxima de nossa sensibilidade. Ela é o produto gerado do encontro do ser humano com o mundo. Então, como é possível que a arte que fazemos não seja afetada pela miséria capitalista e sua lógica opressora e exploradora. Contudo, se eles querem que nos mantenhamos em silêncio, ou que nossa arte sirva apenas para seu interesse, faremos o contrário! Miraremos nossa artilharia contra Bolsonaro e o conjunto daqueles que atacam a arte e a cultura.

Pela liberdade da arte e contra a censura da direita e do capitalismo, é preciso lutar pelo fim da renúncia fiscal por parte das empresas, que deixam de pagar impostos milionários em troca de alguns esparsos editais que condicionam nossa arte à lógica do lucro, com as verbas destes impostos sendo destinadas para os projetos e editais financiados com recursos públicos e controlados pelos trabalhadores da cultura. É preciso lutar também contra a privatização dos poucos espaços que temos para trabalhar e produzir, como a Usina do Gasômetro e a Cinemateca Capitólio, indo além, demandando a construção de espaços e equipamentos culturais em cada canto da cidade, e de que espaços como esses, assim como ateliês, museus, teatros, casas de shows, etc, sejam 100% públicos, gratuitos e acessíveis, controlados pelos próprios artistas, trabalhadores da cultura e usuários.

Não há saídas reais por fora de compreender que lutar é necessário. Não há arte que possa ser feita em um mundo morto e não há arte que seja feita para os fantasmas do que, um dia, foi a humanidade. Num contexto em que nossa produção artística cada vez mais serve à lógica produtivista, e fortalece a falsa sensação de que o que separa os ricos da classe trabalhadora é o quanto nos esforçamos — e quantos seguidores temos e quanto engajamento geramos para as grandes empresas — e não séculos de exploração do trabalho. Não podemos aceitar que uma realidade em que apenas poucos podem fazer e viver de arte seja justa. Não podemos, tampouco, nos contentar com sermos alguns destes poucos. A arte que defendemos é uma arte liberta de toda censura e conservadorismo imposto por esse modo de produção nefasto. A arte que defendemos ainda mal teve tempo de existir, mas ela terá, e mudará vidas.

PROPOSTAS

  • Assembleias e espaços de discussão entre estudantes: organizar o movimento estudantil do Instituto de Artes e do DAD.
  • Periódico multimídia de notícias (CADi Informa/Dionews).
  • Espaços de formação teórica/prática a partir de oficinas, palestras e grupos de estudos.
  • Espaços de trocas artísticas e confraternização: Café Poético, Cineclube, festas, etc.
  • Fortalecer e potencializar as comissões de luta contra as opressões: Comissão de Minas e Comissão de Negros e Negras.
  • Fomentar canais de troca e divulgação permanente de projetos e trabalhos dos estudantes do DAD: Criação de uma agenda cultural da cidade.
  • Fortalecer o TPE e a Mostra DAD.
  • Fórum da Licenciatura em artes.
  • Regularizar as Representações Discentes.



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