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Unicamp | Conheça e vote na chapa "Do caos à luta" para o CACH 2022

Posso sair daqui para me organizar
Posso sair daqui para desorganizar
Da lama ao caos
Do caos à lama

Nos dias 9, 10 e 11 de Novembro, ocorrerão as eleições para o CACH (Centro Acadêmico de Ciências Humanas, que organiza os estudantes de Ciências Sociais e História) da Unicamp, e nós, da Faísca - Anticapitalista e Revolucionária e independentes, estamos construindo a chapa Do caos à luta.

quarta-feira 10 de novembro | Edição do dia

Somos estudantes de Ciências Sociais e História, mulheres, negros e lgbts, bolsistas, moradores da Moradia Estudantil, jovens trabalhadores e professores. Partimos do Caos de uma pandemia que ceifou 600 mil vidas e lançou milhões à fome em meio à crise capitalista, na qual o direito de estudar vem sendo ainda mais atacado, com maiores índices de evasão e precarização do trabalho e da vida, sob o governo Bolsonaro e Mourão e o regime político fruto do golpe institucional de 2016. Buscamos organizar a luta para retomar, unir e fortalecer o movimento estudantil, inspirados nos levantes que vieram sacudindo o mundo, como a rebelião negra no coração do capitalismo mundial, os Estados Unidos, a maré feminista, os operários de Myamar, os palestinos que combatem a ocupação colonialista de Israel e as revoltas que fizeram tremer a América Latina, com a juventude na linha de frente. Também nos inspiramos nos indígenas que ocuparam Brasília e nas greves de trabalhadores que resistem aos ataques dos patrões e governos. Buscamos organizar a luta contra Bolsonaro e o conjunto do seu governo de maneira independente do PT que está fazendo diversos acordo com a direita, além de desmobilizar atos e manifestações. Nossa perspectiva é nos unirmos com os trabalhadores, efetivos e terceirizados, de dentro e fora da Unicamp, para defender as Ciências Humanas, o acesso e a permanência na universidade e o futuro de toda a juventude.

Retomar a história para fortalecer o CACH em nossas mãos contra Bolsonaro, Mourão e todos os ataques

Ao longo da história, o movimento estudantil construiu e defendeu suas entidades, centros acadêmicos e DCEs, em todos os momentos em que foram atacadas pelos governos, como na ditadura, porque sabe que essas entidades podem ser nossas ferramentas de luta e organização coletiva. É hora de recuperar essa história e chamar os estudantes a tomarem parte no movimento estudantil. No IFCH, estudantes já defenderam a gratuidade do ensino, em 1974, na greve das Humanas, foram parte do movimento que ocupou o CB por anos para arrancar a Moradia Estudantil, da luta pelas cotas e pelas vagas indígenas em 2016, com greve e ocupação da reitoria, e nos últimos anos esteve à frente em todos os momentos em que a juventude tomou as ruas contra a extrema direita e os ataques nacionalmente, também apoiando greves e lutas de trabalhadores e outros setores da sociedade.

Agora temos um imenso desafio. A pandemia aprofundou o sofrimento das massas e nos fragmentou, isolados em nossas casas lidando com o luto e com as angústias quanto ao futuro, adoecendo psicologicamente. Nossa chapa defende que é preciso fortalecer e renovar o movimento estudantil, nos unificando, para defender as Ciências Humanas e o futuro de toda a juventude, e que o CACH deve assumir esse desafio.

Só assim podemos garantir um retorno seguro no próximo ano, com garantia de EPIs, testagens massivas sistemáticas e distanciamento. Precisamos garantir que a comunidade universitária, com estudantes, professores e trabalhadores efetivos e terceirizados, decidam sobre o retorno, sem nenhuma confiança na reitoria que geriu a crise na Unicamp permitindo falta de EPIs no Hospital e exposição das terceirizadas do bandejão sem vacinação.

Por uma Calourada independente da reitoria e da instituição!

Aos ingressantes de 2020 e 2021, temos o desafio de apresentar a universidade e o movimento estudantil. Por isso, nossa chapa defende uma calourada com vivência para os três anos (020, 021 e 022) de forma independente da reitoria e da instituição. Enquanto a direita quer atacar até mesmo a meia-entrada, propomos abrir espaço à arte e à cultura, fazendo do IFCH um polo de vivência na universidade, socialização e vivos debates com a intelectualidade, seguindo os protocolos sanitários. Também propomos a realização de um festival de retomada do espaço, avaliando a partir das condições impostas pela pandemia. Lutamos pela legalização e regulamentação das festas.

Propomos reuniões e assembleias sistemáticas do CACH, fortalecendo a democracia da entidade, além da realização de saraus e debates. Propomos que o CACH se articule ao AEL para levantar materiais sobre a história do movimento estudantil, do movimento operário, negro, feminista e LGBTl com o objetivo de que os estudantes conheçam sua história e se inspirem para lutar por seu futuro. Além disso, chamamos as chapas que compõem o processo eleitoral a impulsionarmos a organização do I Congresso dos Estudantes do IFCH, que debata profundamente os rumos das Ciências Humanas e nossos desafios como parte do movimento estudantil da Unicamp. Queremos dar continuidade à revitalização do espaço do CACH e sua regulamentação jurídica.

Por um CACH que enfrente a extrema direita e os ataques de maneira independente do PT

Tudo isso é parte de fortalecer nossa entidade. Não podemos aceitar nenhum ataque ao trabalho, ao ensino e à vida. Os diversos setores do regime, como o governo, o STF, o Congresso e os governadores, apesar de terem divisões por cima, têm um acordo em comum: descarregar a crise nas costas dos trabalhadores e da juventude pobre. Por isso, precisamos de unidade para enfrentar esse cenário e organizar a luta. Ao longo deste ano, fomos parte da juventude que tomou as ruas contra o governo, mesmo quando ainda não havia vacinação massiva. Essa disposição, entretanto, foi canalizada pelo regime político para desgastar e buscar "moderar" Bolsonaro, enquanto a população segue comendo lixo e osso. O PT foi parte dos que, à frente da organização dos atos, utilizou nossa luta em prol de seus acordos eleitorais de Lula e a direita, não impulsionando a mobilização dos trabalhadores e estudantes a partir dos milhares de sindicatos e entidades estudantis que dirige, como a própria UNE (União Nacional dos Estudantes). A entrada da direita nos atos não significou seu fortalecimento, nem ampliação, ao contrário do que defendiam setores da esquerda como o PSOL. Precisamos enfrentar Bolsonaro, Mourão e seus ataques agora, sem esperar 2022, sem perdão algum aos que nos atacam.

Além disso, a crise atual impõe outras condições econômicas de governo, que não são as dos anos 2000. Se os anos de governo do PT significaram concessões parciais às massas, abrindo espaço à direita que articulou o golpe em 2016, fortalecendo o agronegócio, triplicando o número de postos terceirizados no país e alimentando os tubarões da educação superior, com isenções fiscais e transferência de renda para os monopólios da educação privada, agora as condições são outras. Mesmo que Bolsonaro seja derrotado nas urnas em 2022, ainda vai ser necessário enfrentar uma base social da extrema direita de massas e os efeitos da crise econômica, da inflação e do desemprego.

Somente a luta da juventude aliada aos trabalhadores por um programa que queira enfrentar os lucros dos capitalistas e a direita pode responder às nossas angústias. É esse o debate que fazemos com a chapa "Paulo Freire" no IFCH, que é composta pela juventude do PT. Por isso, reivindicamos a proporcionalidade no CACH e chamamos a chapa "CACH: É tempo de Esperançar" para confirmarmos um bloco unificado na gestão que coloque no centro a necessidade de ser parte dos que querem derrotar Bolsonaro, Mourão e os ataques agora, sem esperar e confiar nas eleições, de maneira independente do programa do PT e suas alianças.

Pela radicalização do acesso e da permanência estudantil na universidade

As menores taxas de inscrição nos vestibulares atuais expressam uma juventude que não tem perspectiva de estudar, empurrada às entregas com bag nas costas, aos trabalhos precários e à violência, sob a mira da polícia racista. Aos que conseguem furar o filtro social do vestibular em uma universidade que deixa mais de 80 mil de fora todos os anos, é preciso permanecer. Defendemos bolsas para todos que precisam, reajustadas de acordo com a inflação, sem a contrapartida do trabalho, junto à ampliação e reforma da Moradia, o que é uma exigência para o retorno seguro e contra a superlotação. Isso já foi conquista da greve de 2016, que o reitor Tom Zé não se dispõe a realizar. Nossa chapa também luta pela criação dos cursos de História e Filosofia noturnos para que seja possível para os trabalhadores fazerem sua graduação, impulsionando uma Comissão que organize todos os que querem lutar por essa demanda, que passaria também pela contratação de professores, contra a precarização do trabalho docente.

Mais do que nunca, precisamos dar mais amparo uns aos outros com relação às doenças psicológicas. A somatória dos abusos diários do capitalismo a nossa saúde e o isolamento durante a pandemia nos trouxe marcas que precisam ser debatidas e combatidas. Nossa chapa propõe a criação de um grupo de acolhimento para facilitar o contato entre alunos e o SAPPE (Serviço de Assistência Psicológica e Psiquiátrica ao Estudante). Além disso, lutamos para que não só os estudantes tenham o direito de recorrer ao SAPPE, mas também os trabalhadores terceirizados da instituição. Lutamos pela ampliação do serviço que mesmo antes da pandemia já não comportava a demanda que tinha. O SAPPE precisa ter mais profissionais e um atendimento mais ágil e de acordo com a demanda, com especial atenção aos setores oprimidos na universidade.

Defendemos as cotas étnico-raciais contra os que as atacam, como a extrema direita e a direita do MBL, e também lutamos pelas cotas trans e a ampliação das vagas indígenas na universidade, defendendo que enquanto exista vestibular haverá exclusão na universidade. Por isso, defendemos o fim do vestibular e estatização das universidades privadas nas mãos dos estudantes e trabalhadores, pois se essas vagas fossem tornadas públicas, haveria acesso irrestrito à universidade.

Em defesa das bolsas PIBID e RP, junto às Licenciaturas pela formação de professores com qualidade

Neste momento, lutamos pelo pagamento das bolsas PIBID e RP, que o governo federal atrasa e deixa centenas de estudantes, futuros professores, sem receber, sem ter como comprar comida e arcar com suas despesas, em um momento de alto desemprego e inflação. Isso está relacionado à precarização da Licenciatura, aos ataques às Ciências Humanas no currículo, como com o Novo Ensino Médio de Doria no estado de São Paulo, que ataca o trabalho das professoras e professores. Defender o futuro da juventude é defender as Licenciaturas, as bolsas e buscar medidas em comum com os professores das escolas, como debates e espaços conjuntos para refletir e enfrentar o Novo Ensino Médio. Por isso, propomos que o CACH vá às escolas e organize atividades junto a professores da rede. Chamamos todas as chapas a desde já impulsionar uma forte campanha no IFCH pelo pagamento das bolsas.

Nossas pesquisas têm valor: podemos ultrapassar os muros da universidade

O IFCH é um instituto muito importante na produção de conhecimento do país, com nomes que contribuem grandemente para as reflexões das humanidades. Dessa forma, acreditamos que o CACH precisa aprofundar sua ligação com o conhecimento produzido na universidade, tanto por professores quanto por estudantes, e se apoderar desse conhecimento, que hoje é tão atacado pela direita. De conjunto, vemos que a Unicamp volta seu projeto de universidade às empresas, com convênios com empresas que também devastam o meio ambiente, como a Vale. Defendemos uma universidade a serviço da classe trabalhadora e do povo pobre, e não das empresas.

Lutamos pela revogação do corte de 92% no orçamento da Ciência e Tecnologia e pela revogação do Teto de Gastos e mais verbas para a educação e a pesquisa, enfrentando a dívida pública que suga nossos orçamentos para os bolsos dos banqueiros. Queremos impulsionar espaços de troca sobre as nossas pesquisas e bolsas de Licenciatura, em um momento que estão sob ameaça, pela via de atividades presenciais e plataformas virtuais, que também sirvam para ultrapassar os muros da universidade, como um Podcast do CACH que possibilite apresentar suas pesquisas. Também defendemos nossa articulação com outros cursos de Humanas, por meio de um chamado a um Encontro Estadual das Ciências Humanas.

Unidade entre estudantes e trabalhadores, efetivos e precários

A classe trabalhadora, na pandemia, mostrou que é quem faz tudo funcionar, atravessando um momento de profundos ataques contra seus direitos. Os capitalistas querem nos fazer acreditar que os trabalhadores com mais direitos são privilegiados, para justificar reformas, privatizações e mais ataques. Nós queremos batalhar pela unidade da classe trabalhadora e da juventude. Por isso, impulsionamos o Comitê de Apoio à greve da MRV em unidade com outras organizações da universidade, contra a escravidão dos canteiros em Campinas. Sobre isso, as trabalhadoras nos contam que quando achavam que a greve estava para terminar, chegavam os estudantes para lhes incentivar. Esse também é nosso papel.

Lutamos pela efetivação das trabalhadoras terceirizadas, em sua maioria mulheres negras, sem necessidade de concurso público, que trabalharam a pandemia toda na limpeza e no bandejão e cujos direitos deveriam ser essenciais também. Por um CACH que não esqueça nem perdoe a perda de Lurdes e Edvânia, duas dessas trabalhadoras terceirizadas que morreram por COVID e por descaso da reitoria. Estamos com os trabalhadores da saúde do HC, a linha de frente da pandemia, os professores da rede pública, os petroleiros, trabalhadores dos Correios e todas as categorias do funcionalismo público, para defender os direitos de toda população. Abaixo a Reforma Administrativa! Pela revogação da Reforma da Previdência, da Reforma Trabalhista e todos os ataques aprovados no último período! Pelo reajuste dos salários de acordo com a inflação e por empregos com direitos para todos! Queremos impulsionar uma secretaria permanente em apoio às greves e lutas de trabalhadores, dentro e fora da universidade.

Enfrentar a antidemocrática estrutura de poder da universidade

Após quase 50 anos, o Conselho Universitário finalmente revogou a honraria concedida a Jarbas Passarinho, militar assinante do AI-5. Mostra que o movimento estudantil precisa se organizar para varrer todas as heranças da ditadura na Unicamp e barrar todo autoritarismo, como o Código de Conduta que avança no cerceamento da liberdade, com o aval de Doria. É preciso rechaçá-lo por completo.

O estatuto da Unicamp, apesar de ter sofrido reformas, é uma dessas heranças e garante que os reitores sejam escolhidos pelo governador e que os estudantes e trabalhadores não tenham voz. Nós, estudantes, somos a maioria na universidade, seguidos pelos trabalhadores e depois professores. Entretanto, no Consu, órgão deliberativo, temos apenas 15% das cadeiras. Os docentes ocupam 70%. Precisamos enfrentar essa estrutura de poder que nos exclui, enquanto inclui membros da FIESP no Consu. Defendemos uma Estatuinte Livre e Soberana, para que o Estatuto seja debatido e decidido de acordo com o peso real de cada setor da universidade, incluindo as trabalhadoras terceirizadas, ao contrário das reformas que foram conduzidas pela própria reitoria para preservar o essencial dessa estrutura anti-democrática. Lutamos por um governo de estudantes, trabalhadores e professores de acordo com seu peso real na universidade.




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