Neste sábado, 19, a subsede de Santo André organizou o Encontro Preparatório ao Congresso da APEOESP, para votar a delegação que representará a cidade. Estiveram presentes cerca de 70 professores de dezenas de escolas do município de Santo André, mostrando como os professores estão atentos e dispostos a enfrentar os ataques contra a educação pública e o plano privatizador do governador de extrema direita Tarcísio de Freitas e seu secretário da educação, Renato Feder.

O evento se iniciou com a saudação do professor da Unicamp, Ricardo Antunes, especialista na área da sociologia do trabalho e que recentemente tem contribuído com importantes estudos e discussões sobre a precarização do trabalho. Antunes prestou seu apoio à nova gestão da subsede em sua luta pela valorização do trabalho docente, bem como lembrou o importante papel dos professores para enfrentar os ataques à escola pública e a terceirização do trabalho, que precariza a vida da classe trabalhadora e da juventude.

Veja aqui a saudação do Ricardo Antunes

Maira Machado: "Para nós a preparação para o congresso da APEOESP é um momento muito importante e que exige que façamos debates profundos não só sobre a situação da categoria, mas também todo pano de fundo que vemos na conjuntura política que vivemos. Por isso, iniciamos nosso Encontro com uma mesa de conjuntura política, que contou com a participação de convidados, com Danilo Paris, professor de sociologia e editor do Esquerda Diário, e a professora Nancy Galvão, do grupo Unidos para Lutar. Essa mesa foi fundamental para vermos como precisamos ter clareza de que os ataques que nós professores enfrentamos, como o Novo Ensino Médio, são parte de um projeto político de sociedade, onde o conteúdo que querem que passemos para nossos alunos seja justamente o que os prepare para serem jogados na uberização, na informalidade e na terceirização, afinal o Novo Ensino Médio é parte do combo de reformas que foram aprovadas nos últimos anos, como a Reforma Trabalhista, e as novas do governo Lula-Alckmin, como o Arcabouço fiscal. Isso mostra como a luta dos professores tem que ser ligada à luta de todos os trabalhadores e da juventude que sofrem com a precarização do trabalho."

Após a mesa de conjuntura política, Maíra apresentou a proposta e leitura da Carta de Santo André ao XXVII congresso da APEOESP, para que os delegados da subsede, assim como o conjunto dos professores presentes, levem às escolas e ao congresso a exigência para que a seja organizado um verdadeiro plano de luta, organizado desde às bases para fazer frente ao conjunto de ataques do governo bolsonarista de Tarcísio, bem como os ataques a nível federal. O documento também defende que o sindicato seja independente e democratico e exige a unificação da luta com com todas as demais categorias que estão enfrentando os planos de privatização de Feder, como as Etecs e Fatecs. A carta foi aprovada por aclamação, mostrando uma importante unidade e disposição de luta dos professores.

Maira Machado: "Um dos momentos mais importantes desse dia foi a aprovação da carta. Ela se tornará um importante instrumento para que todo professor que sente a necessidade cada dia mais urgente, de sairmos do imobilismo que Bebel e a direção central da APEOESP nos coloca. Durante nossos debates, um professor disse algo que ficou muito marcado para nós. “O professor que está na sala está preparado para lutar, preparado para greve. É a direção do nosso sindicato que barra essa força”. Esta carta é parte disso, nas próximas semanas vamos passar nas escolas e chamaremos todos os professores de Santo André a assinarem e compartilhar essa carta, como parte de construir o congresso da Apeoesp no chão das escolas e não no gabinete, como quer Bebel!"

Leia aqui a Carta de Santo André ao XXVII congresso da APEOESP

No final do encontro foram apresentadas as teses inscritas com representantes em Santo André e a votação dos pré-delegados para definir a delegação. Das duas teses que foram à votação, a da Oposição Unificada Combativa, defendida por Maíra e pela conselheira Selma Messias, recebeu 42 votos, enquanto a tese do Unidos para Lutar e de outros grupos, defendida pela conselheira Dora, recebeu 8 votos. Isso demonstrou a força da oposição no Encontro, que levará ao congresso a maioria dos delegados da subsede, com um programa de independência política.

Maira Machado: "A votação dos delegados de Santo André foi a expressão da força dos professores que estão cansados da verdadeira trégua da direção central da APEOESP, que infelizmente conta também com setores que antes eram parte da Oposição, como a própria Unidos para Lutar, mas que abriram mão da independência política e saíram juntos com a direção de Bebel na chapa 1. Os resultados do Encontro de Santo André mostram como é urgente reconstruir a oposição na APEOESP e que esse é o caminho para retomar o sindicato para a luta a partir das bases, do chão das escolas."