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Confiança do PT no STF é parte da estratégia de espera passiva por 2022

Enquanto que para o STF e todo o regime do golpe institucional é preferível reabilitar Lula para poder canalizar as esperanças dos trabalhadores por uma saída meramente institucional como nas eleições, ajudando a frear a possibilidade de um luta de classe; para o PT o STF fez um favor em liberar Lula, deixando-o como vítima e abrindo espaço para agora o PT poder buscar um lugar ao Sol dentro deste regime.

quinta-feira 25 de março | Edição do dia

Foto: STF

Desde quando Lula voltou a ser elegível pela decisão monocrática do ministro mais lavajista do STF, Edson Fachin, o PT vem com um discurso que na prática leva a uma saída eleitoral de esperar passivamente 2022, enquanto os trabalhadores seguem morrendo pela covid e/ou a fome. O ex-presidente discursou em palco dividido com outras figuras da esquerda, dizendo não ter mágoas dos golpistas e nada falou em lutar contra os ataques e reformas implementados contra a classe trabalhadora, ou seja, deixando claro que a política do PT será buscar ter um lugar dentro desse regime político degradado e podre do golpe institucional.

Ontem, 23, mais um passo foi dado para manter Lula como a figura “carta na manga” da burguesia para frear qualquer espírito de mobilização e luta, que a extrema precariedade da vida pode causar. A 2ª turma do STF determinou a suspeição do ex-ministro da Justiça de Bolsonaro, Sérgio Moro. Os ministros tiveram a cara de pau de debater sobre a falta de imparcialidade de Moro no julgamento contra Lula. Como se o próprio STF não tivesse sido protagonista tanto do golpe institucional contra a classe trabalhadora, como também da prisão arbitrária do Lula. Ainda assim, Gilmar Mendes, ministro que teve papel relevante nas arbitrariedades do golpe institucional, foi bastante elogiado e reivindicado por petistas por sua “dureza” contra a parcialidade de Moro.

Exatamente para garantir a continuidade de ataques, o STF agora tenta se fazer de democrático junto com demais setores do regime. Diante dessa crise sanitária e econômica, que já ceifou 300 mil vidas, com mais da metade da população economicamente ativa sem trabalho e sem vacinas para frear o colapso da saúde, o Brasil virou alvo da pressão imperialista, da burguesia e do mercado financeiro nacionais e internacionais que cobram por ações que não permitam um levante de luta de classes. Logo, é preferível reabilitar Lula para que os sentimentos dos trabalhadores sejam canalizados para uma esperança de mudança pela via eleitoral, permitindo, se necessário, uma transição de governo sem grandes convulsões sociais que poderiam colocar o poder dos golpistas em cheque.

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Para o PT é bastante funcional as movimentações do STF, já que reabilita seu principal líder para enfrentar Bolsonaro nas urnas em 2022 e reforça seu discurso de grande vítima do golpe institucional, mas sem dizer que os mais atacados foram os trabalhadores com as diversas reformas aprovadas. Reformas essas que fingem não existir agora, depois te ter aplicado nos estados em que governa, para não ter que explicar que em um eventual governo petista não serão anuladas, ou seja, as reformas seguirão deteriorando a vida da população.

Nós do Esquerda Diário e do MRT denunciamos desde 2016 o golpe institucional, repudiamos a prisão arbitrária de Lula, e nos colocamos contra toda a escalada autoritária do regime assim como atualmente vem acontecendo com o uso da LSN, uma verdadeira herança da ditadura. Ao mesmo tempo, não prestamos apoio ao PT que foi quem fortaleceu os atores do golpe e chamando toda a esquerda para a construção de uma saída legítima dos trabalhadores.

Aguardar 2022 não pode ser uma opção! É preciso uma saída independente construída pelos trabalhadores, onde através da auto-organização possamos atacar o conjunto desse regime que transforma a pandemia em um massacre contra a população. Unificar a luta dos trabalhadores, juventude, mulheres e negros, por um programa anti-capitalista para responder a crise sanitária e econômica, contra todas as reformas e por Fora Bolsonaro, Mourão e os golpistas.




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