Educação

INTERVENÇÃO DE BOLSONARO NA UFCG

Comunidade universitária realiza ato contra intervenção de Bolsonaro na UFCG

Nesta segunda-feira, (01 de março de 2021) foi realizado na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) um ato presencial contra a intervenção do presidente Jair Bolsonaro, que nomeou o terceiro colocado da antidemocrática lista tríplice para assumir a reitoria da instituição.

terça-feira 2 de março| Edição do dia

Imagem: Adufcg
(José Irelânio Leite de Ataíde - Presidente da Adufcg)

Nesta segunda-feira, (01 de março de 2021) foi realizado na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) um ato presencial contra a intervenção do presidente Jair Bolsonaro, que nomeou o terceiro colocado da antidemocrática lista tríplice para assumir a reitoria da instituição.

Antônio Fernandes foi nomeado em decreto no dia 23 de fevereiro, ignorando totalmente o processo de consulta à comunidade acadêmica. Processo que denunciamos aqui no Esquerda Diário, por ser antidemocrático, que não leva em consideração o universo total de votantes e muito menos uma questão democrática mínima, reconhecida até pela Revolução Francesa, burguesa, uma pessoa um voto. Mesmo diante desse processo, Bolsonaro feriu a autonomia universitária na escolha de ocupantes ao cargo da reitoria.

Veja mais em: Bolsonaro nomeia terceiro colocado para assumir reitoria da UFCG. É preciso organizar a luta contra a intervenção

O ato teve início às 9h da manhã em frente ao portão principal que dá acesso ao campus central da UFCG, em Campina Grande (PB), cumprindo as normas do distanciamento social e o uso de Equipamentos de Proteção Individuais (EPI’s) como forma de não disseminar o Sars-cov-2, vírus causador da Covid-19. Nesse sentido, foram feitas intervenções por representantes da Associação de Docentes da UFCG (ADUFCG) e do movimento estudantil, denunciando o caráter
ntidemocrático do processo de consulta, em defesa a autonomia universitária e em rechaço a posse do interventor de Bolsonaro.

Vale destacar que estas ações do governo não são isoladas uma vez que já são 26 instituições federais que tiveram suas autonomias feridas com a intromissão de Bolsonaro em seu avanço de seu projeto contra a universidade pública e a educação como um todo. As Reitorias tem cumprido seu papel de implementadoras dos ataques de Bolsonaro e do conjunto do regime do Golpe Institucional que hoje prepara um forte ataque ao orçamento anual para as IFES.

O professor Gonzalo Adrián Rojas da Unidade Acadêmica de Ciências Sociais (UACS) do Centro de Humanidades (UFCG), colunista do Esquerda Diário e militante do MRT, realizou uma intervenção no qual colocou de início , tendo em consideração a conjuntura internacional e nacional, a defesa da autonomia universitária, no conteúdo antidemocrático das consultas para reitor, denunciou a estrutura de uma universidade medieval, adaptada à lógica capitalista, expondo a necessidade de uma estatuinte livre e soberana, produto da luta que reformule de conjunto a universidade, a democratize de forma efetiva e a coloque ao serviço dos trabalhadores e do povo pobre. Da mesma forma defendeu a articulação da luta com as demais instituições federais na mesma situação e em particular com o Comitê contra a intervenção na Universidade Federal da Paraíba (UFPB) constituindo um Comitê Paraibano contra as intervenções.


Intervenção do Professor Gonzalo Rojas
(MRT/Esquerda Diário)

Além dos sindicatos docentes; servidores e técnico-administrativos e entidades estudantis da UFCG, alguns professores como a Diretora do Centro de Humanidades, Fernanda Leal e o ex-reitor Edilson Amorín realizaram discursos contra a intervenção, da mesma forma que uma importante delegação do campus de Sumé de professores e estudantes, assim como diferentes setores externos à universidade e expressaram sua solidariedade contra intervenção como o SINTAB sindicato da educação de Paraíba que está em greve, a Associação dos Docentes da Universidade Estadual da Paraíba (ADUEPB) e representantes de trabalhadores dos Correios.

Desde Esquerda Diário sempre estivemos na linha de frente contra todos os setores do golpismo, da Lava-Jato, do Centrão, STF e militares, impeachment de Dilma à condenação e prisão de Lula, pois significaria um avanço de ataques aos trabalhadores iniciados nos anos de governo do PT. Sempre o fizemos com absoluta independência política do PT, que sempre esteve aliado e fortalecendo esses mesmos setores que encabeçaram o golpe, a serviço dos setores capitalistas mais reacionários, ligados ao agronegócio e ao capital financeiro. Foram parte de alimentar as forças reacionárias desse regime escravista que hoje sustentam Bolsonaro. Por isso repudiamos a intervenção de do PT que culpou o ascenso de Bolsonaro às manifestações de Junho de 2013 e aqueles que nunca abriram mão de construir uma alternativa à conciliação de classes do PT.

Para sermos consequentes com as tarefas necessárias para barrar os ataques de Bolsonaro e do regime golpista, que a luta contra a intervenção também é parte, é necessário que as entidades sindicais como o ANDES convoquem os docentes a exigir das centrais sindicais CUT e CTB, assim como a UNE, dirigidas pelo PT e PCdoB, que rompam com a sua quarentena eterna a serviço da política de “desgaste” de Bolsonaro com objetivo de vencê-lo não nas ruas, mas nas urnas em 2022.

Nós do Esquerda Diário estamos na primeira linha, numa frente única de luta com todos aqueles que lutam contra a intervenção de Bolsonaro na UFCG e seus lacaios. Desde esta perspectiva defendemos a luta pelo sufrágio universal que inclua discentes, docentes e técnicos, incluídos os terceirizados lutando pela democratização efetiva da universidade para construir uma universidade ao serviço da classe trabalhadora e o povo pobre.




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