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Paralisação da Carris | “Como que vai privatizar uma empresa que está segurando o transporte coletivo em época de pandemia?” diz motorista da Carris

Paralisação dos trabalhadores da Companhia Carris segue concentrada em frente a empresa, alguns rodoviários se manifestaram sobre a privatização, veja um depoimento completo.

segunda-feira 23 de agosto | Edição do dia

A paralisação dos trabalhadores da Companhia Carris dessa segunda-feira (23) conta com dezenas de apoiadores. O prefeito Sebastião Melo pretendia passar mais esse ataque ainda essa semana, mas os trabalhadores, estudantes e apoiadores não pretendem deixar o piquete em frente a Carris tão cedo. Todos sabem que se a privatização for aprovada, outros ataques virão como uma enxurrada de privatizações, demissões e outras medidas alinhadas ao governo de Bolsonaro.

Melo afirma que para baratear a passagem é preciso extingui a função de cobrador e privatizar a empresa, mas essa história não engana mais os trabalhadores que já sofreram nas mãos de muitos governantes que administram a cidade apenas para enriquecer um punhado de capitalistas. Durante a pandemia foi a Companhia Carris que continuou fornecendo o transporte coletivo para toda a cidade de Porto Alegre, enquanto as empresas privadas abandonaram diversas linhas por considerarem que não eram lucrativas.

Veja o depoimento de um motorista da Companhia Carris, que trabalha a 30 anos na empresa e vivenciou o sucateamento do serviço público de transporte coletivo:

“Como que uma empresa que da ‘prejuízo’ se em plena pandemia foi ela que segurou a situação? Aqui ninguém é vagabundo como foi dito pelo Marchezan (ex-prefeito de Porto Alegre). Marchezan também disse que tinha quitado as dividas da Carris e que estava tudo certo, como que o Melo afirma que tem prejuízo e que precisa privatizar? Como que vai privatizar uma empresa que está segurando o transporte coletivo em época de pandemia, a população precisa saber disso. Eu como funcionário antigo da empresa vejo que não é tirando os cobradores que o valor da passagem vai diminuir, isso já vem de outras más administrações da prefeitura de Porto Alegre. Hoje o transporte coletivo está na mão dos empresários e só não está mais caro o valor da passagem porque a Carris garante um bom serviço trabalhando e segurando essa situação. Não adianta dizer que vai tirar os cobradores, pois eles são necessários, como que o motorista vai subir um cadeirante no ônibus se não tem ninguém para operar o sistema de para subir a cadeira de rodas? Ele não vai consegui fazer. Já existe esse problema em relação ao embarque de cadeirantes na empresa Viamão, onde tiraram os cobradores. Tirar os cobradores não tem como acontecer em Porto Alegre. Se hoje na paralisação estão sendo liberados alguns ônibus é porque existem cargos de confiança do Melo dentro da Carris que recebem para atrapalhar a greve. Eu não sei como vai ser a votação da privatização e estou muito triste, pois entrei aqui jovem, estou a vida toda trabalhando na empresa e ver agora como ela está e não está assim por causa dos servidores, pois eles sempre fizeram suas funções (cobrador, mecânico, motorista), foram os administradores colocados pelos prefeitos que deixaram a empresa na situação que está. Mas como que o Marchezan afirmou que estava tudo certo com a empresa e o Melo diz que está dando prejuízo? Saiu na internet a situação sobre os 41 milhões que não foi repassado pela ATP em relação ao repasse dos valores de passagem, onde está esse dinheiro? São coisas que temos que ver, é essa minha opinião sobre tudo isso."

Nós do Esquerda Diário, Juventude Faísca e MRT continuamos cobrindo toda a paralisação e nos colocamos ao lado dos trabalhadores. É preciso que os sindicatos, movimentos sociais, organizações de esquerda e os parlamentares construam um fundo de greve para se garantir a resistência dos trabalhadores contra a privatização, a extinção da função de cobrador e outros ataques do governo de Sebastião Melo que esta alinhado a política de Bolsonaro e Guedes.




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