Sociedade

SANEAMENTO BÁSICO

Como ficar em casa e lavar as mãos? Em Lagoa Santa falta água nas casas em plena pandemia

Na última semana alguns bairros da cidade de Lagoa Santa, na região metropolitana de Belo Horizonte (MG), ficaram sem água por três dias. E caso que se repete há mais de década na região escancara como, em plena pandemia, os cuidados sanitários são negados à população pobre, de maioria negra.

sábado 12 de setembro| Edição do dia

Foto: UOL

“A cidade recebe todos os dias novos prédios de luxo. Nesses prédios não falta água. A água só falta nos bairros mais altos da cidade, nos mais distantes, onde tem pobre. A canalização da cidade não foi construída pensando nesse aumento da população, além de ser muito antiga. No meu bairro tem um vazamento de água antes de chegar ao reservatório. Quando a água vem com força, os canos não suportam a pressão. Será que o dinheiro do rico é melhor que o do pobre?” – essas são as palavras de Maria Aparecida, moradora do bairro Morro do Cruzeiro há 22 anos.

Já foram feitas uma série de reclamações para a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa – uma estatal na mira da privatização pelo governador Romeu Zema), mas, ao invés de alguma solução, o que chega são as caras contas de água todos os meses, sem nenhum desconto, enquanto o auxílio emergencial do governo federal cai para R$300 e Zema oferece um auxílio estadual de R$39 – uma ofensa ao povo mineiro, que amarga o preço dos alimentos nos supermercados. O auxílio emergencial deveria ser de ao menos R$2000 reais, que era a média salarial no Brasil antes da mais recente onda de demissões e rebaixamento salarial, e as contas de água e luz deveriam ter sido suspensas no início da pandemia.

Em um país onde mais de 30 milhões de pessoas não têm água encanada em casa, o serviço mal é garantido plenamente para as demais. E em Minas Gerais o problema se liga diretamente à poluição da água pelas grandes empresas mineradoras, como a assassina Vale, e com o desmonte da Copasa com o objetivo de privatização. Para Romeu Zema, capacho de Bolsonaro, não importa que o direito à água potável em casa seja básico e fundamental para lavar as mãos - uma das principais formas de prevenção à Covid-19. Por isso nos colocamos não apenas contra a privatização da Copasa, mas dependemos que seja 100% estatal, gerida pelos trabalhadores e controlada pela população, pois, diferente dos empresários, são esses os que mais se interessam em garantir um bom serviço de saneamento básico.




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