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Garis do Rio de Janeiro | Comlurb varre para baixo do tapete acidente de trabalho fatal de gari realocada sem treinamento

terça-feira 27 de julho | Edição do dia

Seguro de vida de Gari que morreu em acidente de trabalho vale menos que um mês de salário de um gerente ou funcionário do alto escalão da Comlurb. O valor pago nas férias de um Coordenador é maior que o salário de um ano inteiro do gari. E assim que garis morrem em acidentes de trabalho e a Comlurb varre para baixo do tapete. A Gari Irenilce, vítima de um acidente de trabalho que veio a falecer no dia 23/07, teve da Comlurb apenas uma nota de pesar publicada em seu aplicativo corporativo.

A Comlurb sequer publicou uma matéria em sua página, como pesar pelo falecimento da funcionária, essa é a política da empresa que tem silenciado sobre a morte de inúmeros garis vítimas de acidente de trabalho que, muitas vezes, tem a própria direção da empresa como responsável, obrigando os funcionários a descumprirem regras, normas e leis da medicina do trabalho, como a ergonomia.

O mesmo tratamento dado a gari Irenilce foi o reservado pela direção da Comlurb às dezenas de garis mortos enquanto trabalhavam durante a pandemia, muitos com comorbidade não foram afastados, continuaram trabalhando, sem EPIs adequados, sem fornecimento de mascaras pela Comlurb para evitar o contágio, sem aferição de temperatura e sem álcool em gel em muitas gerências. Notas de pesar no aplicativo da empresa, sem dar uma explicação sobre o motivo do falecimento daqueles funcionários, todos sem investigação, sem pericia, sem divulgação real dos fatos, de quantos se contaminaram ou morreram de covid-19, trabalhando ou não.

Irenilce era do Hospital Lourenço Jorge, mas morreu em um acidente na Cidade das Artes, ao entrar no elevador (com defeito) quando este não estava no andar. O acidente dificilmente teria ocorrido se as gerências da Comlurb prestassem atenção para o problema que é realocar o trabalhador de um setor para o outro sem o devido treinamento. Acostumada a trabalhar em um Hospital, a funcionária foi deslocada para outro setor e ficou lá por 3 meses. Garis reclamam que a empresa os trata como descartáveis.

A família de Irenilce nem mesmo recebeu o auxílio funeral da Comlurb, foi a RIOTUR que arcou com as despesas. Pelo seguro de vida de um gari, a Comlurb paga apenas R$ 10 mil à família da vítima nesse tipo de ocorrido, uma valor muito inferior às despesas que a Comlurb tem com os salários e regalias pagas aos gerentes e cargos de confiança do alto escalão da empresa (estes que são responsáveis por tragédias como essa, como também pelo super faturamento da folha de pagamento da empresa). E quando ocorrem os acidentes, a empresa tenta sempre abafar o caso, sem ao menos apurar os fatos ou abrir uma CAT.

Só em um mês, um Superintendente da Comlurb ganha cerca de R$ 33 mil de remuneração, enquanto que um Engenheiro recebe cerca de R$ 25 mil. Diretores e gerentes recebem, no mês, salários superiores ao valor do seguro de vida que a empresa deve à família de Irenilce. Isso sem contar os gastos com carros para os funcionários do alto escalão da empresa ir trabalhar, remunerações especiais e outras regalias para aqueles que estão em cargos indicados. Tanto Crivella quanto Eduardo Paes usaram esta estrutura da empresa para fins políticos.

Enquanto isso, para quem sustenta a empresa e está na rua varrendo, nos hospitais, nas escolas, correndo atrás de um caminhão, assim como as demais funções de base. O custo de vida só aumenta, o salário é corroído pela inflação, e a direção da empresa não dá nenhuma reposição desde 2019, defasando assim o salario dos trabalhadores.

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