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Olímpiadas | Comitê Olímpico censura gestos antirracistas de atletas e escancara sua tradição racista

O Comitê Olímpico Internacional (COI) e os organizadores dos Jogos Olímpicos de Tóquio-2020 decidiram excluir fotos de atletas se ajoelhando durante as olimpíadas em seus perfis oficiais. Decisão foi tomada nesta quarta-feira (21), após atletas do futebol feminino se ajoelharem em manifestação antirracista.

quarta-feira 21 de julho | Edição do dia

Foto: Asano Ikko/AFP

Na partida entre Grã-Bretanha e Chile pela primeira rodada das Olimpíadas de Tóquio do futebol feminino, atletas dos dois times se ajoelharam antes da partida em ato antirracista.

Historicamente, o Comitê Olímpico Internacional proíbe manifestações de qualquer tipo durante o evento. Segundo a regra 50, "nenhum tipo de manifestação, ou propaganda política, religiosa ou racial é permitida em locais, instalações ou outras áreas olímpicas".

Nesse ano, segundo o Comitê Executivo das Olimpíadas, essa regra teria um leve afrouxamento e passaria a ser permitido se manifestar para a imprensa, em reuniões de equipe, nas redes sociais e também no início das provas.

Entretanto manifestações ainda parecem incomodar os organizadores. Após o protesto na partida entre Grã-Bretanha e Chile, o Comitê Olímpico Internacional e os organizadores dos Jogos Olímpicos de Tóquio proibiram a postagem de fotos de atletas se ajoelhando durante o evento em seus perfis oficiais. Segundo o jornal inglês The Guardian, foi compartilhada uma mensagem pela alta cúpula, mencionando especificamente o jogo entre Grã-Bretanha e Chile na noite no Japão dessa quarta-feira, 21, (manhã no Brasil).

A manifestação realizada pelas atletas dos times não apareceram em nenhuma das redes sociais oficiais de Tóquio-2020 (que acontecem neste ano, em 2021).

Não houve pronunciamento oficial sobre isso. Apenas uma breve resposta do presidente, o alemão Thomas Bach, quando perguntado sobre o ato de britânicas e chilenas durante uma entrevista coletiva. "É permitido. Não é uma violação da Regra 50. Isso é o que está expressivamente permitido nessas diretrizes"

Histórico racista das olimpíadas

Toda a história das olimpíadas está repleta de racismo e da representação das relações de poder da classe dominante a nível internacional. A censura a manifestações pode ser vista em várias edições das olimpíadas como tentativa de separar o evento, que ocorre a cada quatro anos e é colocado pela organização como um momento de união desportiva entre os países, da realidade de miséria, desigualdade e opressão reservada pelo capitalismo.

Um exemplo icônico de manifestação e resistência observado nas olimpíadas foi nos Jogos Olímpicos que aconteceu nos Jogos do México em 1968, quando Tommy Smith e John Carlos, ganhadores das medalhas de ouro e bronze nos 200 metros rasos, ergueram os punhos em referência aos Panteras Negras enquanto tocava o hino dos Estados Unidos.

O ato foi objeto de tentativa de expulsão dos atletas por parte do presidente do COI. Na época o presidente era o estadunidense Avery Brundage, que algumas décadas atrás, nas Olimpíadas de Berlim, em 1936, não se opôs à saudação nazista no pódio.

Leia mais sobre: Olimpíadas: uma história repleta de racismo

Além desse caso existem vários, durante a história, que mostram como é impossível desvincular as questões sociais, que impactam a vida de bilhões no mundo inteiro, inclusive de vários atletas, do evento olímpico.

A Olimpíada é um momento emocionante e apaixonante em que os atletas se superam e proporcionam momentos históricos e inesquecíveis. No entanto, a apropriação capitalista a torna cheio de contradições, exploração e impede seu potencial de ser uma bela confraternização internacional.

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Atualização 22/7 às 11 horas

Nesta quinta-feira (22), após a repercussão negativa relacionada a censura contra ato antirracista, o Comitê Olímpico Internacional (COI) recuou e decidiu liberar imagens e vídeos de protestos de atletas em seus canais oficiais e em suas redes sociais.

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