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Comitê Nacional de Paralisação anuncia a suspensão dos protestos na Colômbia

As manifestações foram interrompidas e concertos estão sendo organizados em meio ao ilusório entusiasmo com a apresentação do Documento Nacional de Emergência, que desde 2020 é ignorado sistematicamente por Ivan Duque. Apresentações para o Congresso que representam mais uma entrega por parte do Comitê Nacional de Paralisação, servindo unicamente para desarticular a luta de mais de 50 dias, e abrindo caminho para que o Governo continue suas próprias negociações.

sexta-feira 18 de junho | Edição do dia

Desde 6 de Junho, representantes do Comitê Nacional de Paralisação (CNG) negociam com com o governo assassino e repressivo de Ivan Eduque o futuro da Paralisação Nacional. Nesta ocasião nenhuma resolução fora acordada, porém, nesta terça-feira, dia 15 de Junho, representantes das centrais sindicais CGT, CUT, CTC, Fecode, entre outros, anunciaram uma suspensão temporária das movimentações, por conta da não aprovação e do pré-acordo de garantias paras os protestos, que foi apresentado no dia 24 de Maio, que incluía, entre as reivindicações a anulação do decreto 574 que autorizava a participação do exército na repressão aos protestos.

A suposta nova estratégia de estender a paralisação sem grandes mobilizações que ocupem as ruas, inclui em sua substituição eventos culturais e pedagógicos, como a organização de um concerto denominado “Duque não negocia” preparado para o dia 20 de junho, data que representa um ano da apresentação o Documento Nacional de Emergência

Da mesma forma, o Comitê tenta realizar uma série de diálogos diretos por meio de suas comissões com prefeitos, governadores e até mesmo setores empresariais. Setores que já vêm mantendo conversas e conciliações com o Governo e que têm permitido até o momento desmontar muitos dos bloqueios que mantiveram viva a greve.

Por sua vez, o Comitê Nacional de Paralisação pretende converter alguns pontos do Documento de Emergência em projeto que será apresentado no dia 20 de julho no Congresso, o mesmo que votou diversas leis anti-operárias e que entre outras coisas reivindicou o ministro da Defesa Diego Molano quando fora proposta uma moção de censura contra ele.

Embora a comissão tenha feito menção às “vitórias importantes” como o colapso da reforma tributária e sanitária, a renúncia do ministro da Fazenda Alberto Carrasquilla e da chanceler Claudia Blum, deve-se reconhecer que essas conquistas foram fruto das lutas e das grandes mobilizações em todo o país, onde até os setores da juventude perderam as suas vidas ao se defenderem da repressão que Duque implantou. Enquanto isso os representantes do Comitê continuavam a se sentarem para "dialogar" com o governo assassino e isto não por uma tática efetiva do Comitê, ao qual se limitou a mobilizações apenas nas quartas-feiras de cada semana e que nunca apelou a travar efetivamente a economia, paralisando a grande indústria que move o país, os portos, aeroportos, o sector financeiro e assim realmente colocar verificar o regime de Uribe à frente de seu fantoche Duque.

Por sua vez, e após a conferência de imprensa do CNP, Emilio Archila, porta-voz de Duque e "assessor principal para a estabilização" afirmou que: "Seguindo as instruções do presidente, demos absolutamente todas as garantias (...) muito progresso foi feito e na quinta-feira, 3 de junho, concordâncias significativas foram alcançadas. Mas, na sexta-feira, dia 4, o CNP disse-nos que embora as duas partes tivessem concordado com esta forma de trabalhar, agora lhes parecia que já não cabia mais e que o Governo devia assinar o projeto de 24 de Maio”, Assim, como ressaltou, os bloqueios deveriam acabar definitivamente.

Enquanto o CNP pede a suspensão dos protestos, o Governo avança na repressão e no fortalecimento das Forças Armadas contra o povo colombiano, que já conta com mais de 70 assassinados e centenas de desaparecidos. É irracional pensar que ele dará algum tratamento coerente às demandas levantadas por meio de um projeto de lei, quando, ao contrário e sem nenhuma vergonha, anunciam que apresentarão novamente a reforma tributária no dia 20 de julho, apesar de ter sido ela o estopim da referida crise social.

É desta forma que uma luta de quase cinquenta dias com repressão aberta aos olhos do mundo, é ligeiramente desarticulada enquanto Duque avança em acordos regionais, integrados com outros setores por representantes da igreja. Como em outros momentos históricos,a única coisa que significa essa paralisação dos atos é uma passada de panos quentes para tirar as massas das ruas com promessas que não serão cumpridas, enquanto o governo consolida as forças armadas e a direita no poder.




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