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Enchentes RN | "Começou a abrir muito rápido, a gente se assustou", diz vítima sobre cratera em Felipe Camarão

Desde sexta-feira, dia 1, Natal, capital do Rio Grande do Norte vem enfrentando um alto volume de chuvas, estima-se que em 12 horas choveu mais que o previsto para o mês de julho inteiro, resultando em grandes enchentes e alagamentos pela cidade, bairros e municípios vizinhos. Foi decretado calamidade pública e mais de 25 casas foram interditadas pela Defesa Civil por risco de desabamento. Felipe Camarão, localizado na Zona Oeste de Natal, foi um dos bairros mais afetados, onde uma cratera se abriu em uma das ruas.

quarta-feira 6 de julho | Edição do dia

É revoltante e não é natural que famílias estejam perdendo suas casas e bens materiais, bem como em situação de grave risco por conta das chuvas. Isso é fruto da ganância capitalista que prioriza o lucro acima de tudo, inclusive das vidas da população. A responsabilidade dessas tragédias está nas mãos do Prefeito Álvaro Dias (PSDB) e de prefeitos da região metropolitana, do Governo Bolsonaro, que em 2021 cortou 75% das verbas de orçamento de ações destinadas à prevenção de desastres naturais, assim como de Fátima Bezerra e da conciliação petista que governa o Estado hoje.

Frente a isso, o Esquerda Diário se propôs a cobrir a situação dos bairros, ocupações e das famílias atingidas pela chuva, se solidarizando e colhendo depoimentos, mas também denunciando os responsáveis por essa situação. Tendo isso em vista, uma moradora de Felipe Camarão foi entrevistada hoje pela manhã:

— Você mora nas casas que estão mais atingidas, lá embaixo?
— Sim.
— E o que que aconteceu lá?
— Assim, eu tava em casa aí o meu vizinho me chamou e mostrou um buraco, muito pequeno, só que em questão de segundo começou a se abrir muito rápido e a gente se assustou, né? Parou. Chovendo muito. Enquanto tava chovendo, tava caindo. Depois que parou de chover, parou de cair a…
— A areia?
— A areia. Aí tudo bem. Quando foi na… eles vieram, taparam o buraco, isso no sábado. Eles vieram, taparam o buraco, tiraram até um carro que tava na garagem, conseguiu. Quando foi no domingo de manhã, pronto. A gente já não conseguia mais porque era muita água. Estourou lá as pedras e questão também de tempo aquela água, muita água vindo pedra de paralelepípedo, vinha carregando, muito forte. Aí meu vizinho tirou o carro. Assim que meu vizinho tirou o carro, aí começou a cair e foi até lá embaixo, caindo num buraco, sabe? Fazendo uma cratera.
— Sim.
— Caindo, e foi isso e eu consegui sair de dentro de casa, tirei minha filha, meu filho, todo mundo saiu de dentro de casa e aí foi começando a cair, as pedras, calçada, até chegar o ponto de hoje, a gente sem poder entrar dentro de casa, não consegui tirar nada, algumas peças na hora do momento da queda a gente pegou algumas roupas e saiu, mas tudo meu lá, não consegui tirar… sim, um homem pediu que eu tirasse os botijões, o fogão, a televisão [?] consegui tirar minha família, né, ninguém consegue mais entrar lá. Tô na casa de um sobrinho. Pediram que eu fosse pra um abrigo mas um sobrinho acolheu e pronto, aí tamo aí.
— E o que vocês estão mais precisando agora e como está sendo a ajuda do Estado?
— Assim, a gente teve ajuda do pessoal do CRAS deram cesta básica, colchão. Eu recebi dois colchões e cesta básica do CRAS. Aí eu não tirei nada né, algumas roupas, aí o mais necessitado pra mim é o alimento, por quê? Porque eu tô na casa de um parente que já tem lá 5 pessoas, com mais 5 minhas, 10. Então a dificuldade é essa né? Que todo dia você tem que ter… quer dizer, aquele pão que você dava pra 5, agora é pra 10. Aí a dificuldade é essa. A minha dificuldade é o alimento e pra dormir, porque eu ganhei dois colchões e tem 5, são 5. Mas graças a deus [?].

Amanhã, 07 de julho, às 15h, ocorrerá uma plenária aberta no Sindsaúde para construir uma campanha de solidariedade e mobilizar trabalhadores, estudantes e os movimentos sociais, bem como uma arrecadação de bens como panelas, roupas, itens de higiene pessoal e alimentos para as famílias e ocupações, como a Emanuel Bezerra, que já estava em uma situação de grande vulnerabilidade e ontem à noite ainda sofreu uma repressão brutal por parte da Polícia Militar de Fátima Bezerra. Nesse sentido, é urgente impor pela força da mobilização um plano de emergência para resolver essa tragédia capitalista, coordenado e controlado por representantes das famílias atingidas, junto aos trabalhadores da construção civil e saneamento, aos sindicatos e entidades estudantis. Um plano de socorro com brigadas de trabalhadores e populares, que mobilize recursos para gerar abrigo e alimento às famílias, socializando salas de hotéis e resorts de luxo e a expropriação de imóveis ociosos para ocupar as famílias desocupadas. Que imponha um plano de obras públicas controlado pelos trabalhadores e controle popular, que reconstrua as casas destruídas, aprimore as existentes e construa moradias populares seguras e de qualidade; promova um sistema de armazenamento e drenagem nas vias e lagoas de captação para prevenção das áreas afetadas e as que sofrem possibilidade de inundação, e também melhorias e ampliação do saneamento urbano para bairros, sobretudo da ZO e ZN, que dê dignidade às famílias e despolua as praias e rios, também gerando emprego e renda frente a essa crise. Que preserve e revitalize as zonas de proteção ambiental, as comunidades tradicionais pesqueiras, ribeirinhas e indígenas, contra a proposta de Porto de Natal do Senador Jean-Paul Prates.

Todo corpo técnico e científico das universidades e institutos federais do estado e de outras regiões devem se colocar a serviço monitorar as chuvas e locais de risco e de construir esse plano ao lado dos trabalhadores e população, envolvendo arquitetos, engenheiros, cientistas sociais, invertendo as prioridades do conhecimento produzido hoje voltado ao desenvolvimento de patentes e tecnologia para dar lucro pros empresários. A luta das ocupações e dos trabalhadores por um plano de emergência precisa se unificar, considerando que só a classe trabalhadora, junto com os estudantes, os setores oprimidos e o conjunto do povo pobre pode dar uma saída para crise batalhando por uma reforma urbana radical.




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