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IV CONGRESSO MRT

Começa hoje IV Congresso do Movimento Revolucionário de Trabalhadores (MRT)

O Movimento Revolucionário de Trabalhadores (MRT), parte da Fração Trotskista pela Quarta Internacional (FT-QI), fará seu IV Congresso para debater os cenários internacional e nacional, quais são os desafios presentes no Brasil e como a classe trabalhadora poderá virar o jogo, unificando a luta dos explorados e oprimidos para derrotar esse regime político do golpe institucional, sendo fundamental para isso a construção de um partido revolucionário.

sexta-feira 23 de abril| Edição do dia

Nesta semana o MRT veio se preparando para o seu IV Congresso que começa hoje (23), com delegações de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Brasília, Rio Grande do Sul, Natal e outros estados e regiões.

São estudantes, jovens e trabalhadores de diversas categorias, como trabalhadores da USP, metroviários e rodoviários, trabalhadores da educação, operárias e operários industriais, precarizados, trabalhadoras da saúde, bancários e tantas outras categorias, se destacando o grande número de mulheres à frente das delegações e debates. Diretoras sindicais como Fernanda Peluci, do sindicato dos metroviários, e Marcella Campos, professora e diretora estadual da Apeoesp, além de dirigentes e referências do movimento operário, como Marcello Pablito, Maíra Machado, professora em Santo André, Flávia Valle, professora em Minas Gerais, Adailson Rodrigues, rodoviário em Porto Alegre. O Congresso do MRT também contará com Letícia Park, reconhecida intelectual no debate de gênero e raça, Simone Ishibashi, doutora em Economia Política Internacional pela UFRJ e editora do Ideias de Esquerda, e Iuri Tonelo, professor, doutor em sociologia pela Unicamp e autor do livro "A crise capitalista e suas formas".

Diante de uma pandemia que assola todo o mundo e aprofunda ainda mais a crise econômica e social que teve início em 2008, com grandes crises da hegemonia neoliberal, os cenários de polarização política, crises nos partidos burgueses e a luta de classes se evidenciam. Enquanto milionários lucram cada vez mais, com lucros exorbitantes garantidos com a ajuda dos Estados, 150 milhões de pessoas em todo o mundo podem cair na extrema pobreza somente este ano. Desde a falta de oxigênio até a “guerra das vacinas”; do aumento do lucro de poucos e a miséria e destruição de direitos de grande parte da população - o capitalismo nunca demonstrou tanto nos últimos anos a sua face predatória da natureza e da vida. Aqui no Brasil, com quase 400 mil mortos não só pela COVID-19, mas pelo descaso consciente de todos os governos, de Bolsonaro e militares, passando pelo Centrão, até os governadores e prefeitos.

Leia aqui: O desastre capitalista e a luta por uma Internacional da Revolução Socialista - Manifesto da FT-QI

A crise econômica, social e política, assim como a reatualização da luta de classes como um fator dinâmico na arena internacional colocam a necessidade de dar passos na construção de um movimento por uma Internacional da revolução socialista. Antes da pandemia a luta de classes já mostrava sua presença no Chile, França, Hong Kong, Bolívia, entre outros países; e em meio a pandemia, no coração do imperialismo, nos EUA explodiu em 2020 o importante levante do Black Lives Matter contra o racismo e a instituição repressiva do Estado, a polícia. A conexão entre luta de classes e radicalização política de setores de vanguarda é terreno fértil para o surgimento de partidos revolucionários e a extensão das ideias socialistas.

Leia na integra o documento de análise internacional do IV Congresso do MRT: pandemia, crise capitalista e luta de classes mundial

Essa nova onda de revoltas e rebeliões encontram limites nas burocracias sindicais, em partidos da ordem, como o Partido Democrata nos EUA, mas também em partidos reformistas e neoreformismo no mundo todo. Que desviam a força das massas - que poderia dar respostas aos ataques, utilizando-se de métodos como greves, enfrentando o aparato repressivo do Estado - para saídas totalmente adaptadas à democracia capitalista, que não contestam o conjunto do desse sistema de opressão e exploração. Portanto devemos superá-las. Mas as contradições que se agudizam a cada dia seguimos vendo importantíssimos exemplos ao redor do mundo que mostram que a luta de classes é nossa saída e resposta contra o desastre capitalista. Começando pela luta negra nos Estados Unidos que segue viva, mostrando sinais de não se deixará simplesmente se cooptar pela saída democrata, mas também nas massivas greves operárias e à luta camponesa na Índia, seguida pela resistência feroz do movimento de massas ao golpe militar em Myanmar. Ao mesmo tempo, processos mais moleculares, mas também significativos, como a emblemática greve dos trabalhadores petroleiros de Grandpuits, contra a gigante Total na França e múltiplos processos de luta e organização em diversos países como Itália e Argentina. Nesses diversos conflitos pudemos assistir o peso das mulheres, negros e imigrantes à frente ao lado da classe trabalhadora, assim como valiosos exemplos de auto-organização.


26 de janeiro de 2021. Mobilização dos trabalhadores da refinaria da Total-Grandpuits, em Paris

No Brasil, vivemos a vigência do regime do golpe institucional - levado a cabo por um amplo espectro de agentes dos quais destacamos setores da burguesia nacional, que se fortaleceram durante os anos do lulismo, apoiados num primeiro momento pela face democrata do imperialismo estadunidense e posteriormente por sua face republicana. Mas vivemos um momento em que podemos dizer que estamos sobre uma forma transitória de um novo regime, algo entre o regime político de 88 e o que ainda está por vir. As tensões e fissuras entre as diferentes alas bonapartistas, herdeiras do golpe, são expressões das debilidades estruturais para a burguesia conseguir assentar uma nova hegemonia. O que é evidente é que não é possível a estabilização de um novo regime dentro de uma situação de enorme crise econômica, política e social, em que o agravamento da pandemia em 2021 deu ainda maior instabilidade.

Mas as tensões entre os diferentes agentes do regime político não os impediram de buscarem um “equilíbrio instável” entre eles para seguirem aprofundando os ataques aos trabalhadores, buscando consolidar ao máximo os frutos do golpe institucional.

Pelas mãos de Bolsonaro, militares, governadores, prefeitos, parlamentares e o poder judiciário (com o STF à frente da ala do bonapartismo institucional) os trabalhadores seguem perdendo direitos, empregos e se afundando na carestia de vida. Para enfrentarmos tanto a extrema direita mais reacionária como as tendências bonapartistas dos regimes em geral, é preciso unirmos a luta pelas demandas democráticas a um programa de governo das e dos trabalhadores.

Os partidos e correntes políticas à esquerda do PT, por debilidades e por não levarem uma política de independência de classe e romperem com a adaptação ao petismo, não são hoje uma real alternativa para os trabalhadores. Acabam alimentando a ilusão eleitoral para 2022, servindo a política do PT, que com a elegibilidade de Lula não oferece, muito menos constrói, uma saída a não ser esperar Lula se eleger para seguir administrando a obra econômica do golpe institucional de 2016, reafirmando a retirada de direitos dos trabalhadores e da juventude. Enquanto o PT e partidos de esquerda atuam para encontrar se próprio espaço por dentro do regime do golpe e por um impeachment - que longe de ser uma saída viável colocaria um militar no poder - ao invés de impulsionar, por meio das mobilizações, uma força para pôr abaixo todo o todas as reformas, privatizações e ataques aprovados nos últimos anos, seguimos com uma dura realidade de mortes e mais mortes pela pandemia, enquanto os trabalhadores seguem tendo que se arriscar com medo da fome do desemprego, e sem uma reposta contundente e real de nenhum dos governos.

Só com uma política de independência de classe é que podemos oferecer uma resposta à crise que estamos vivenciando. O oposto da subjetividade passiva que o PT vem construindo nos trabalhadores de espera paciente até 2022, seja através da figura de Lula ou das direções sindicais encasteladas há décadas em seus gabinetes, como se a manutenção de nossas vidas pudesse esperar até lá.

Leia aqui, o Documento Nacional do IV Congresso do MRT completo

Dentro dos sindicatos, a burocracia advinda de partidos como do PT e PCdoB, atuam para fragmentar nossa classe e diminuir as pautas das quais a nossa classe pode e deve lutar de maneira unificada, inclusive com os movimentos sociais, como das mulheres, negras, indígenas, LGBTQI+, imigrantes, por terras, por moradias etc. Por isso viemos chamando as organizações de esquerda do PSOL, seus parlamentares e figuras públicas, o PSTU e todas as organizações que se reivindicam socialistas a se colocarem contra a passividade das centrais sindicais para a construir um verdadeiro polo antiburocrático de esquerda que estimule a auto-organização dos trabalhadores.

No IV Congresso, as delegadas e delegados do MRT, debaterão esse chamado a esquerda para que rompam com essa política adaptada ao regime e possam batalhar por uma saída que não leve Mourão ao poder, como o impeachment, e que seja de total independência de classe. É com essa perspectiva que defendemos uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana, em contraste às tendências petistas que buscam alianças com setores burgueses com o sonho utópico de reconstruir os escombros de 1988, um novo lulismo.

Não há nenhum atalho para lutar por uma sociedade sem exploradores e explorados, pra lutar contra todas as formas de opressão às mulheres, aos negros, LGBT´s e indígenas, é preciso construir um verdadeiro partido revolucionário dos trabalhadores que utilize as ferramentas do marxismo revolucionário para conduzir a luta dos trabalhadores e da juventude a uma revolução operária e socialista para abrir caminho a esta nova sociedade.

No IV Congresso do MRT, queremos discutir um trabalho ofensivo de debates e discussões com o novo manifesto elaborado pela Fração Trotskista-Quarta Internacional - “O desastre capitalista e a luta por uma Internacional da Revolução Socialista” - que se propõem retomar o debate sobre a necessidade de um movimento por uma Internacional da revolução socialista. Uma alternativa de fundo para os trabalhadores e para a juventude passa por retomar as grandes ideias da classe operária internacional.


Registro do III Congresso do MRT

Ao lado dos companheiros e companheiras do grupo de mulheres Pão e Rosas, juventude Faísca, Movimento Nossa Classe e Quilombo Vermelho, as delegações de diversos estados e regiões, com o suplemento teórico semanal Ideias de Esquerda, os podcasts Feminismo e Marxismo, Peão 4.0 e 5 Minutos, além das Edições ISKRA e do Campus Virtual do Esquerda Diário, mas principalmente com o nosso jornal Esquerda Diário, as centenas de militantes levarão adiante estas discussões no IV Congresso do MRT para avançar no apaixonante projeto de construir uma esquerda revolucionária dos trabalhadores, que tenha como centro a luta anti-imperialista e pela independência de classes, na luta por um partido revolucionário no Brasil e pela reconstrução da IV Internacional.




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