Educação

ATAQUES À EDUCAÇÃO

Com previdência encaminhada, MEC e Bolsonaro miram mais cortes na educação

O MEC anunciará esta semana um programa para “autonomia financeira” das universidades federais em uma reunião marcada com os reitores de diversas instituições do país. Após repercussão sobre a cobrança de mensalidade nas universidades federais o ministro da educação Abraham Weintraub recuou e disse em sua conta no Twitter que a graduação não será paga.

segunda-feira 15 de julho| Edição do dia

Neste fim de semana fortaleceram-se os rumores sobre a possibilidade do anúncio de um programa do MEC que implementaria a cobrança de mensalidades nas universidades federais após a reunião convocada pelo governo para a próxima quarta (17) onde se reunirão reitores das instituições federais de todo o país. O programa segundo informações do jornal Valor econômico terá o nome de “Future-se” e tem como pauta a “autonomia financeira” das universidades.

O projeto de Weintraub é atacar as universidades cortando o financiamento de pesquisas, congelando contratações e abrindo ainda mais as portas das universidades públicas para o setor privada, liberando que sejam cobradas mensalidades como forma de financiamento dos estudos.

O ministro da educação, após a repercussão em diversas mídias e redes sociais, publicou em seu perfil no twitter uma mensagem onde diz que a graduação não será paga pelos alunos das federais. As idas e vindas do ministro e do governo Bolsonaro não escondem as reais intenções que estes têm para a educação no país. O ministro Weintraub já defendeu abertamente a cobrança de mensalidade na pós-graduação, ocasião em que chegou a dizer que a graduação poderia ser postergada, não negando sua intenção privatista.

Enquanto isso o governo Bolsonaro segue cortando os repasses federais para a educação básica. Repasses para a educação integral, construção de creches, alfabetização e ensino técnico estão abaixo do previsto. O fomento para o ensino integral através do PDDE (Programa Dinheiro Direto na Escola) neste semestre foi de R$ 343 milhões apenas 18% do valor previsto para todo o ano. No caso das creches foram pagos, até abril, R$ 10,3 bilhões para a continuidade da construção de unidades municipais por meio do programa Proinfância, montante que representa apenas 13% dos gastos executados no mesmo período de 2018. E todos os cortes estão sendo feito enquanto o MEC anuncia a construção de escolas “cívico-militares” no país até 2023.

Em meio às manifestações nos dias 15 e 30 de maio, dizíamos como era crucial ligar a luta contra os cortes na educação à luta contra a reforma da previdência, pois o governo Bolsonaro quer garantir que os capitalistas nacionais e estrangeiros possam descarregar a crise nas costas da juventude e dos trabalhadores, não apenas fazendo com que trabalhemos até morrer mas também sem educação. A defesa das universidades públicas não é uma defesa por privilégios, é parte da defesa dos direitos dos trabalhadores e da juventude contra a ofensiva da burguesia e dos interesses imperialistas em nosso país.

Infelizmente, as direções estudantis da UNE, e as centras sindicais de CUT E CTB fizeram o oposto, separando as bandeiras entre as manifestações da juventude no 15M e 30M e a greve geral convocada para o 14J, as manifestações massivas da juventude e da educação da paralisação nacional de trabalhadores, paralisação essa que as centrais também fizeram com que fosse muito menor do que a disposição que a classe trabalhadora apontava. Agora, nem terminada a votação da reforma, o governo já se sente livre e fortalecido para se voltar novamente contra as universidades.

Por isso é necessário superar a direção burocrática da UNE, que acaba de se reeleger neste 57° Congresso, fechando os olhos pra aprovação da previdência e deixando milhares de estudantes que ali se reuniram sem uma alternativa para enfrentar os ataques do governo Bolsonaro. Nós da juventude Faísca batalhamos nesse Congresso para que ocorresse uma Plenária Unificada de toda Oposição de Esquerda para organizar um polo antiburocrático que não se encerraria neste Congresso, mas voltaria para cada universidade lutando para construir uma força capaz de superar a atual direção burocrática da UJS e do Levante Popular pela Juventude, e desta forma poder verdadeiramente unificar os estudantes com a classe trabalhadora para impedir com que os capitalistas descarreguem a crise que eles mesmos criaram nas nossas costas. Reafirmamos este chamado: ainda há tempo da oposição rever sua adaptação a ala majoritária.




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