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Porto Alegre

Com pressão dos empresários, processo de Impeachment de Marchezan prossegue na Câmara

Nesta sexta (28), A comissão que análise o processo de Impeachment do prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan, na Câmara de vereadores, decidiu por dar continuidade ao processo e será julgado em plenário até 9 de novembro.

sábado 29 de agosto| Edição do dia

A comissão processante do impeachment de Marchezan dá prosseguimento ao processo, determinando que ele deverá ser julgado em plenário até dia 9 de novembro. Caso 24 dos 36 vereadores votarem pelo impeachment, o prefeito será afastado do mandato e fica inelegível pelos próximos oito anos, livrando o caminho eleitoral para que um semelhante a si, porém mais atento aos interesses dos empresários do município, assuma o cargo. O processo foi aberto em base da denúncia de utilização de R$ 2,4 milhões do Fundo Municipal de Saúde para pagamento de gastos com publicidade pela gestão da Prefeitura.

A reunião da comissão processante, composta pelos vereadores Hamilton Sossmeier (PTB, presidente), Alvoni Medina (Republicanos, relator) e Ramiro Rosário (PSDB) começou com o vereador tucano declarando que a defesa do prefeito não fora disponibilizada a ele em um prazo de cinco dias anterior à sessão, de modo que seu voto estaria prejudicado. Ramiro também criticou o presidente da Casa, por supostamente ter adiantado seu voto em favor do relatório antes de conhecê-lo em uma entrevista. Ramiro pediu questão de ordem, mas o presidente Sossmeier declarou que não há esse expediente em reuniões de comissões, e deu início à leitura do relatório de Medina. Em um documento de 27 páginas, Medina se limitou a destacar pontos do requerimento e da defesa do prefeito e opinou pelo prosseguimento da denúncia “para que seja possível a apuração dos fatos e o posterior julgamento de responsabilidade do denunciado”.

O que é curioso é que já houve 6 tentativas de processos de impeachment do prefeito, mas somente agora a tramitação está sendo levada adiante. Isso acontece, pois, dessa vez,quem está por trás dessa jogada são os empresários bolsonaristas de Porto Alegre, os quais transformam essa oportunidade em uma possibilidade de fazer funcionar o comércio à todo o vapor e sem segurança nenhuma aos trabalhadores, expondo-os diretamente ao coronavírus. Isso fica ainda mais claro quando percebemos que Marchezan, apesar de todos os seus ataques como o corte das linhas de ônibus, as demissões de terceirizadas, o parcelamento de salários, a intenção de privatizar o DMAE e o ataque à juventude e aos imigrantes, ainda lidera as intenções de voto para a prefeitura.

Sendo assim, percebemos que a intenção por trás do prosseguimento do processo de impeachment de Marchezan não é rechaçar todos os seus ataques aos trabalhadores, mulheres, negros e lgbts, mas sim livrar o caminho para abrir ainda mais o comércio, sem proteção nem mínimas condições para os trabalhadores, visando somente os lucros dos empresários.

Compartilhamos da raiva contra Marchezan junto a trabalhadores e jovens portoalegrenses que vibram frente a possibilidade de Marchezan cair. Afinal, esse é o prefeito que acumula uma lista de ataques antipovo. Mas é no mínimo ingênuo, para não dizer desastroso, achar que esse impeachment necessariamente trará algo de bom. Primeiro por uma questão óbvia: seu vice, Paim, do PP, entraria sob pressão empresarial moralizada para abrir ainda mais o comércio, a despeito dos índices altíssimos de internações. Com tudo isso, seria um erro achar que Marchezan possa ser derrubado por atacar trabalhadores.




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