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Escola em BH | Com manifestação e menção à Paulo Freire, crianças conseguem aumentar o tempo do recreio

Em uma escola de Belo Horizonte, crianças de seis a nove anos protestaram pedindo o aumento do tempo do recreio. A escola acatou a reivindicação.

Tassia ArcenioProfessora da Educação Infantil em Campinas, SP

terça-feira 12 de outubro | Edição do dia

Desenho de estudante da Escola da Serra - Reprodução Redes Sociais

Após a publicação de Isabela Cadete, auxiliar de supervisão pedagógica de uma escola particular em Belo Horizonte, viralizar nas redes sociais com desenhos de crianças de 07 anos, como parte de um movimento que envolvia crianças de 06 a 09 anos e reivindicava o aumento do tempo do recreio, uma assembleia realizada na escola com a participação das crianças e educadores decidiu aumentar o tempo de recreio para todas as turmas, acatando portanto, a reivindicação das crianças.

Na escola, o recreio é de 30 minutos e costumava ser decisão das crianças como elas aproveitariam o tempo: comendo, brincando, conversando, etc. Com a pandemia e os protocolos sanitários, esse tempo foi dividido ao meio: 15 minutos para alimentação e 15 minutos para brincadeira livre.

Mas as crianças não estavam satisfeitas, elas queriam mais tempo para brincar. Depois de uma aula de Língua Portuguesa, em que aprenderam sobre os cartazes como meio de expressão, três meninas tiveram a ideia de colocar suas aprendizagens em prática: transformaram suas reivindicações em cartazes e começaram o movimento que obviamente, logo ganhou adesão e apoiadores entre outras turmas.

Já a menção à Paulo Freire visto em um dos desenhos, pode ser fruto de uma conversa do auxiliar de turma com as crianças, que queriam saber mais do patrono da educação brasileira por conta da data do seu centenário.

As crianças e educadores que logo após a publicação das redes decidiram em assembleia aumentar o tempo do recreio, respeitando as medidas sanitárias, ensinam duas lições importantíssimas: a primeira é que as crianças são sujeitos da própria história, são atores sociais e devem ter suas necessidades atendidas e infâncias respeitadas em primeiro lugar pelo Estado e a segunda, que nesse retorno presencial, as crianças também devem ser escutadas, assim como toda a comunidade escolar, para decidir quais são e como funcionarão os protocolos sanitários, considerando sua fase de desenvolvimento, suas particularidades e desejos.

Como diria Manoel de Barros "a liberdade e a poesia a gente aprende com as crianças".




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