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Greve metalúrgica | Com lucros de 670 milhões, Sae Towers se nega a pagar PLR de operários em greve

Os metalúrgicos da SAE Towers de Betim estão em greve há mais de um mês pela proposta de PLR oferecida pela patronal ser 42% menor do que em 2020. A SAE Towers que teve uma receita de mais de 600 milhões de reais em Betim no ano passado, se nega a pagar as justas reivindicações de participação nos lucros dos trabalhadores. A multinacional indiana KEC Internacional, grupo da qual a SAE Towers faz parte, só no ano fiscal de 2020 obteve uma receita de US $1.7 bilhão, essa é a ganância dos capitalistas que enchem seus bolsos de lucro enquanto buscam cortar direitos dos trabalhadores.

domingo 5 de setembro | Edição do dia

Os metalúrgicos da SAE Towers de Betim estão em greve há mais de um mês pela proposta de PLR oferecida pela patronal ser 42% menor do que em 2020. Além disso, demandas como a equiparação salarial, estabilidade no emprego, manutenção dos direitos conquistados, entre outras estão entre as reivindicações. Até o momento a patronal vem sendo intransigente, se negando a cumprir a participação nos lucros exigido pelos trabalhadores, inclusive se negando a pagar o adiantamento salarial dos grevistas, tentando subornar trabalhadores para enfraquecer a greve e ameaçando de demissão os que seguem nos piquetes. Os trabalhadores por sua vez seguem firmes com a greve que já dura mais de 32 dias, fazendo além dos piquetes, uma grande manifestação nas ruas de Betim.

Mas o que é a SAE Towers? É um grupo de empresas fabricantes de torres sediadas nos Estados Unidos, México e Brasil. Só na unidade brasileira de Betim, a receita da SAE Towers em 2020 foi de mais de 120 U$ milhões, com o valor em reais chegando a quase 670 milhões. Enquanto a empresa se nega a dar uma participação dos lucros justa aos metalúrgicos, os mesmos só no ano fiscal de 2020, mesmo com todas as dificuldades impostas pela pandemia, geraram uma receita de mais de 600 milhões de reais.

A SAE Towers em 2010 foi adquirida pelo grupo KEC International. Por sua vez, o grupo KEC é uma multinacional indiana das maiores do mundo no ramo de torres e energia. Cotada nas principais bolsas de valores indianas, a KEC tem um faturamento anual de mais de U$ 1 bilhão, com a receita em 2020 chegando a U$ 1.7 bilhão. Enquanto a SAE Towers se recusa a cumprir as reivindicações dos trabalhadores, a KEC International segue expandindo operações com investimentos altíssimos no Oriente Médio e no Norte da África. A KEC consegue expandir suas operações a nível mundial mas não consegue garantir uma PLR justa aos trabalhadores da SAE Towers, demonstrando que o problema não é o dinheiro, e sim a intransigência da patronal com a intenção de garantir o máximo de lucros para os patrões, e o mínimo possível de direito aos trabalhadores.

Não é a primeira vez que os metalúrgicos de Betim tem que se organizar para garantir seus direitos pela ganância da patronal: em 2016 os trabalhadores permaneceram 9 dias em greve pela equiparação salarial, conseguindo garantir os seus direitos. Naquele momento, indo além da demanda inicial, os trabalhadores conseguiram um reajuste salarial. Já em 2017, as negociações pela PLR se estenderam por oito rodadas de negociação, com a patronal fazendo o máximo que podia para conter as demandas dos trabalhadores. Mais recentemente no ano de 2020, a SAE Towers demitiu ilegalmente seis trabalhadores, mesmo com estes tendo trabalhado durante toda a pandemia e correndo o risco de expor a si próprios e suas famílias ao corona vírus. Estas demissões, que depois foram revertidas pela luta dos trabalhadores, foram facilitadas pelas MP’s aprovadas pelo Governo Bolsonaro em 2020 que deixavam os trabalhadores em situação de maior instabilidade em seus empregos, como relatou um dos trabalhadores que está em greve neste momento.

O exemplo de luta dos metalúrgicos em meio a uma situação reacionária, na qual reformas que são verdadeiros ataques à classe trabalhadora e ao povo seguem passando, aponta o caminho para lutar contra a retirada de direitos: mobilizações, greves, assim como fizeram os trabalhadores da MRV que por mais de um mês ficaram em greve em Campinas, assim como fazem os rodoviários da cidade de Porto Alegre. Nesse sentido, é fundamental cercar de apoio e solidariedade a greve dos trabalhadores da SAE Towers e de todas as lutas e greves em curso, batalhando para unificá-las com a intenção de fortalecer a luta dos trabalhadores contra a ganância das empresas.




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