Sociedade

DESIGUALDADE DE RENDA

Com crise sendo paga pelos trabalhadores, ricos ganham ainda mais e pobres cada vez menos

Os planos de Temer, antes, e agora de Bolsonaro, são para aumentar a desigualdade. Em 2014, os 50% mais pobres se apropriavam de 5,74% de toda renda efetiva do trabalho. No primeiro trimestre de 2019, a fração cai para 3,5%. Para esse grupo isso significou uma queda de quase 40%.

terça-feira 18 de junho| Edição do dia

Foto: Sergio Moraes/Reuters.

Desde 2008 a crise capitalista internacional, que teve seu começo nos EUA e chegou no Brasil por volta de 2013, se arrasta por 11 anos e a desigualdade só cresce no mundo.

Estudos sobre a recessão de 2015 e 2016 no Brasil mostram 20% de queda na renda dos mais pobres, segundo dados do IBGE. A crise segue e se aprofunda com nova possibilidade de piora.

Em 2014, os 50% mais pobres se apropriavam de 5,74% de toda renda efetiva do trabalho. No primeiro trimestre de 2019, a fração cai para 3,5%. Para esse grupo isso significa uma queda de quase 40%. Enquanto isso, o grupo dos 10% mais ricos da população, na metade de 2014, recebia cerca de 49% do total da renda do trabalho - e vinha apresentando redução nessa parcela, ao longo dos anos anteriores. No início de 2019, sua fração chega a 52%.

Marcelo Medeiros, vinculado à Universidade de Princeton nos Estados Unidos, que em conjunto com Rogério Barbosa, pesquisador pós-doutor do Centro de Estudos da Metrópole (USP), estuda de que forma as oscilações macroeconômicas afetaram a desigualdade de renda do trabalho que cresceu nos últimos anos. Segundo o pesquisador a tímida recuperação até agora quase não gera empregos e praticamente só favorece os trabalhadores de renda mais alta. “Os mais pobres estão sendo deixados para trás”, diz à reportagem do El País.

Com a Reforma Trabalhista os empregos que os mais pobres conseguem são informais e instáveis. É cada vez mais comum ver pessoas se tornando motoristas ou entregadores de aplicativo (como Uber e Rappi) sem garantia de direitos, chegando a pedalar 12 horas por dia e em alguns casos dormir na rua ou no carro para garantir mais corridas e entregas. Assim a “uberização” é a inovação da classe dominante para aumentar a exploração e a desigualdade no mercado de trabalho.

Com a Reforma Trabalhista, tentativa de Reforma da Previdência e a aprovação da lei de terceirização irrestrita (todas com o aval do STF) a crise segue e em 2019 a taxa de desemprego do país volta a 12,7% no primeiro trimestre, como mostram dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Eram 13,4 milhões de pessoas desempregadas em março de 2019.

Mas os índices, agora no décimo primeiro ano da crise capitalista internacional, se agravam. Essa piora atinge em cheio os jovens brasileiros. Além de o desemprego dessa faixa etária ter chegado a 27,2% no fim do ano passado, o número de desalentados, os que desistiram de buscar emprego, triplicou desde 2014, entre os que têm até 24 anos. No fim de 2018, mais de 1,76 milhão de jovens estavam nessa condição.

Nesse cenário os trabalhadores e a juventude mostraram sua indignação nas ruas como vimos no dia 15 e 30 de maio com a juventude à frente e na paralisação nacional do dia 14 de junho. Apesar disso, as direções burocráticas das centrais sindicais, como a CUT e a CTB, vinculadas ao PT e PCdoB, não deram peso total para as mobilizações e estão negociando novos ataques (como a Reforma da Previdência) com o Centrão, o MBD e Rodrigo Maia do DEM.

Para combater esse plano neoliberal de super exploração do trabalho – defendido reiteradamente pelo próprio Jair Bolsonaro, que diz que os brasileiros devem escolher “menos direitos e mais emprego ou todos os direitos e nenhum emprego”, apenas uma saída de auto-organização dos trabalhadores, pelo não pagamento da dívida pública (entenda melhor) e com um plano de obras públicas para geração de empregos, é a resposta para que a crise não seja descarregada nas costas dos trabalhadores. Atacando o lucro dos mais ricos, empresários e patrões, que só cresce, é que poderemos repartir o trabalho, com menos horas de trabalho sem redução salarial será possível tirar os trabalhadores precarizados, os desalentados e desempregados dessa situação.

Fonte dos dados: matéria do El País




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