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Transportes públicos | Com aumento escandaloso, tarifa das barcas Rio-Niterói passará a custar R$7,70

Em dezembro no Rio de Janeiro, a SuperVia, empresa de trens, anunciou o aumento da passagem para 7 reais. Menos de um mês depois, a CCR, agência responsável pelo serviço das barcas, anuncia o aumento da tarifa para 7,70 reais. Enquanto os ricos seguem ficando mais ricos durante a pandemia, são os trabalhadores que vêm pagando a conta da crise gerada.

segunda-feira 3 de janeiro | Edição do dia

(Foto: Reprodução: CCR Barcas)

As barcas são um transporte de extrema importância para milhares de trabalhadores no Estado do Rio de Janeiro que diariamente se deslocam do Rio de Janeiro para Niterói. Um aumento dessa magnitude é um ataque à classe trabalhadora que já vem lidando com empregos cada vez mais precários, com o aumento da fome e do custo de vida. A tarifa de $ 7,70 será válida a partir de 12 de fevereiro, substituindo a anterior de $6,90, que por sua vez já havia sido aumentada no início de 2021.

Durante a alta da pandemia, a CCR aumentou o tempo de intervalo das barcas Rio-Niterói de 15 para 30 minutos, fazendo com que os trabalhadores tivessem que se aglomerar para retornarem para suas casas.

Além disso, os estudantes da UFF muitas vezes veem a barca como a melhor forma de se deslocar do Centro do Rio de Janeiro para Niterói. O aumento constante das passagens significa para muitos a impossibilidade da permanência na faculdade, principalmente neste momento em que se debate o retorno presencial das aulas na Universidade.

O aumento da tarifa no trajeto Rio-Niterói para $ 7,70 não foi o único, a linha Praça Quinze-Charitas passará a custar $ 21, para Ilha Grande, Mangaratiba e Angra dos Reis, a tarifa aumentará para $ 20,50.

Enquanto a classe trabalhadora vêm recebendo a crise despejada em suas costas, empresas como a CCR e a SuperVia seguem administrando contratos e lucrando milhões por ano com aumentos de passagem e serviços de péssima qualidade. A CCR faz parte do grupo Andrade Guetierrez, uma empreiteira multinacional que lucra milhões de dólares anualmente e já foi ligada a esquemas de corrupção durante a organização da Copa do Mundo de 2014 e durante as campanhas de Eduardo Paes, Sérgio Cabral e Pezão através de esquemas de Caixa 2. Durante a pandemia, a empreiteira foi denunciada por manter trabalhadores contaminados com a COVID-19 em alojamentos ao lado de canteiros de obra, sem nenhuma estrutura para os atender.

A CCR justifica os aumentos da passagem em um suposto prejuízo relacionado à diminuição do fluxo de passageiros durante a pandemia, no entanto, sua receita em 2021 foi de mais de $2,8 bilhões, com o lucro líquido chegando a quase $184 milhões apenas no último trimestre do ano. Além das barcas no Rio de Janeiro, a CCR administra a Ponte Rio-Niterói, o Aeroporto de Belo Horizonte, a Rodovia Presidente Dutra que liga o Rio de Janeiro à São Paulo e a linha 4 do Metrô de São Paulo. Ao passo que os transportes são privatizados, se abre margem para ataques como os da SuperVia ou da CCR. Durante a pandemia, enquanto os trabalhadores se aglomeravam em transportes de péssima qualidade, os patrões ligados à empreiteiras como a Andrade Gutierrez enchiam seus bolsos com milhões, e agora com o retorno presencial de grande parte dos setores da economia e da volta presencial das aulas, buscam aumentar ainda mais os seus lucros.




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