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7S | Com ataques e autoritarismo, STF abriu espaço pra extrema-direita de Bolsonaro desde o golpe institucional

O 7 de setembro deste ano vem sendo marcado pelo discurso golpista em torno da convocação dos atos da extrema-direita, que declararam o STF como o maior inimigo dos bolsonaristas. As reacionárias bandeiras levantadas implicam em ameaças às liberdades democráticas e ataques aos direitos dos trabalhadores e do povo pobre, mas também não se pode confiar no STF, quem abriu caminho para o triunfo bolsonarista desde o golpe institucional em 2016.

terça-feira 7 de setembro | Edição do dia

Com seu discurso golpista, o qual reiterou na manhã desta terça em discurso à sua base em Brasília, reafirmando a ameaça de intervenção contra o Supremo Tribunal Federal, Bolsonaro busca fazer uma grande demonstração de forças contra os setores do regime que atuam para limitá-lo e tentam derrubar seus aliados, como tem sido o papel cumprido pelo poder judiciário.

Primeira análise: Ato em Brasília: muito longe do Capitólio e das projeções bolsonaristas

Bolsonaro hoje encontra-se em um momento frágil, no qual caminha para o final de seu mandato e desenha-se um cenário em que sua reeleição vai ficando mais distante, ao mesmo tempo em que vai perdendo aliados e precisa reagir elevando sua retórica golpista. Depois de ter garantido a aprovação de diversos ataques aos direitos dos trabalhadores, de ter sido responsável, junto aos governadores, pela morte de quase 600 mil pessoas na pandemia e por insuflar discursos de ódio que atacam as liberdades democráticas e alimentam casos de violência machista, racista e LGBTfóbica, Bolsonaro vem vendo cada vez mais a impossibilidade de reeleição em 2022 e busca colocar sua base contra aqueles que hoje levantam um discurso anti-bolsonarista.

Porém não foi sempre assim e o STF, que hoje se coloca como defensor da democracia e é apontado como grande inimigo do projeto bolsonarista, já foi um importante aliado na garantia da eleição de Bolsonaro em 2018. Foi o Supremo que abriu caminho para que a extrema-direita chegasse ao poder, em defesa dos interesses da burguesia que precisava de um governo disposto a aprovar todos os ataques aos trabalhadores que estavam na pauta.

O poder judiciário, atuando como verdadeiro árbitro autoritário da situação nacional, tem cumprido importante papel na garantia dos meios para que se aprofundem os ataques à classe trabalhadora e à esquerda. O STF esteve articulado em um grande acordo com o Congresso para aprovar o golpe institucional que derrubou Dilma Rousseff e levou Michel Temer à presidência, acabando com o ciclo de 13 anos de PT no poder. Em outras palavras, o poder que se diz neutro atuou a todo momento unificado aos interesses da burguesia e seus defensores para garantir a aprovação de uma série de ataques e retirada de direitos da classe trabalhadora.

Saiba mais: 5 anos do golpe institucional, a antessala do bolsonarismo e o caminho trilhado pelo PT

O golpe institucional orquestrado nesse grande acordo com o Supremo foi o que pavimentou o caminho até o bolsonarismo. Durante o governo golpista, o STF esteve junto para garantir que a PEC do Teto dos Gastos fosse aprovada, assim como a reforma trabalhista que destruiu diversos direitos dos trabalhadores. Também foi fundamental durante o processo da prisão arbitrária e autoritária de Lula, retirando do pleito eleitoral o candidato do PT, que possuía maior intenção de voto em 2018. Tão arbitrária foi essa prisão que o próprio STF, anos mais tarde, após garantir a eleição de Bolsonaro, o ascenso da extrema-direita ao poder e a aprovação da reforma da previdência e outros importantes ataques, decidiu que todo julgamento que prendeu Lula foi feito de maneira interessada e, portanto, deveria ser anulado.

Hoje, Bolsonaro e STF se enfrentam, mas o presidente de extrema-direita só chegou ao poder e sua base ganhou expressividade a partir do caminho aberto pelo poder judiciário com seu autoritarismo e arbitrariedade. O STF, tal como quem alimenta o monstro que tentará devorar seu criador depois, foi quem abriu as portas, junto ao Congresso, as Forças Armadas e a burguesia, para o fortalecimento do bolsonarismo e da extrema-direita. Além disso, apesar de se enfrentarem publicamente com ameaças e discursos inflados, seguem unificados quando o interesse é atacar os direitos da classe trabalhadora, das mulheres, dos negros, indígenas e LGBTQIA+.

Contra o avanço da extrema-direita, não é possível confiar nos setores golpistas e a direita. Para derrubar Bolsonaro e Mourão é preciso confiar apenas nas forças da classe trabalhadora organizada, tomando as ruas com um plano de lutas para fazer com que sejam os capitalistas que paguem por essa crise que vem sendo descarregada nas costas dos trabalhadores e toda população.

Veja também: Enfrentar ameaças golpistas no 7/9 ocupando as ruas com as organizações dos trabalhadores e a esquerda




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