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SÃO PAULO

Com abandono de Covas e Doria, aumento de casos em Paraisópolis preocupa população

Indícios de um novo aumento de covid-19 já preocupam Paraisópolis, uma das maiores favelas de São Paulo, na zona sul da capital. Moradores relatam guinada no número de atendimentos por síndrome respiratória na última semana e descrevem que o atual cenário começa a lembrar fases mais agudas da pandemia.

quarta-feira 18 de novembro| Edição do dia

Foto: DW/G. Basso

Para enfrentar o coronavírus, a associação de moradores chegou a contratar ambulância particular, recolhendo os pacientes mais graves e levando a unidades de saúde, desde o dia 23 de março. Segundo a equipe de resgate, os chamados atingiram pico em meados de julho, mas a demanda chegou a cair nos meses seguintes, antes de voltar a crescer de forma acelerada.

Veja também: Favelas de São Paulo criam estratégias de combate a Covid-19: uma resposta ao descaso dos governos

O líder comunitário Gilson Rodrigues relata que, só na última semana, 89 pessoas foram removidas no bairro por quadros de síndrome respiratória. "O número aumentou bastante nos últimos dias. Antes, a média de atendimentos estava entre dez e 13 casos até o feriado do dia 2."

A associação também distribui cestas básicas e oferece assistência, como orientações para receitas ou atestados médicos, às famílias que precisam ficar isoladas. "Para a gente que está há quase oito meses trabalhando no resgate, é desesperador."

"Nos últimos dias, a maioria dos casos era de pessoas que estavam se prevenindo, mas tiveram de sair para trabalhar e pegaram transporte público lotado. Não é de gente frequentando festa", disse Renata, que recebe os chamados por telefone e Whatsapp..

Na sexta-feira passada, chamou a atenção de Renata o caso de uma idosa de 75 anos, já acamada e fazendo uso de sonda, com quadro de pneumonia. Após o socorro da ambulância, ela foi levada ao Hospital do Campo Limpo. Nesta semana, a família informou que a paciente morreu.

"Em algum momento pareceu que estava tudo brando. É muito frustrante", diz a diretora da associação. "O cenário de hoje está se igualando muito ao do início da pandemia, com esses feriados frequentes e a liberação para retomar aula, abrir shopping ou ir trabalhar."

A situação em São Paulo vem piorando muito nas últimas semanas e pós primeiro turno os dados passam a ser mais alarmantes. Covas, junto com seu padrinho político Doria, tentam se diferenciar de Bolsonaro, mas a política que tiveram durante a pandemia é diretamente responsável pela situação na cidade e no estado com o maior número de mortos no país.

Leia mais: Hospitais de São Paulo têm alta de internações por Covid19 e Bolsonaro nega segunda onda

Com informações da Agência Estado




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