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Com a venda da OI, cresce a concentração de capitais na telefonia móvel

Um consórcio formado pela Vivo, Claro e Tim comprou, na tarde desta segunda-feira (14), em leilão organizado pelo Tribunal de Justiça do Rio, os ativos de rede móvel da operadora Oi.

terça-feira 15 de dezembro de 2020| Edição do dia

O leilão não teve concorrência, e os ativos foram arrematados pelo consórcio formado pelas operadoras Vivo, Claro e TIM, pelo valor de R$ 16,5 bilhões, sendo assim, a “supertele” nacional deixou definitivamente de existir. A empresa que nasceu em meio a polêmicas na época da privatização do Sistema Telebrás e que nos governos petistas, recebeu um empurrão para se tornar uma “campeã nacional”, e que hoje está em recuperação judicial, vai agora se dedicar somente à operação de fibra óptica.

A vitória do consórcio não foi uma surpresa. Outra possível candidata, a Highline do Brasil, teria apresentado anteriormente uma proposta formal cujo valor exato não foi revelado, mas foi superado pelo trio. Segundo a assessoria do consórcio, a proposta das três empresas foi a única no leilão.

Com a saída da Oi dos serviços de telefonia móvel, o mercado ficará ainda mais concentrado nas outras três concorrentes, levando a uma nova configuração de telefonia brasileiro. A Oi, com 16%, desaparece do segmento móvel, deixando a distribuição da seguinte forma: a TIM sala de 23% para 32%, a Vivo sai de 33% para 37% e a Claro de 26% passa a ter 29% da participação no mercado. Os 2% restantes seguiram nas mãos de operadoras regionais.

Com essa divisão, o mercado brasileiro de telefonia segue a tendência mundial de países como Estados Unidos, China, Japão, Alemanha, Itália, Canadá, Espanha, Portugal, Holanda, Austrália, México, Colômbia, Argentina e Uruguai. De ter apenas três grandes operadoras no mercado de telefonia móvel.

No começo do ano eram cinco operadoras de telefonia móvel, agora se resumem em três grandes operadoras que controlam todo o mercado de celulares. Com a diminuição nas operadoras ativas no mercado, permite-se a maior possibilidade de cartelização.

O ex-presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Juarez Quadros apontou: "O consumidor poderia ser beneficiado, porque as empresas vão ganhar escala e investir mais em inovação e qualidade", diz. "Por outro lado, precisamos ver como fica a estratégia comercial. O consumidor pode não ser prestigiado nas ofertas de pacotes e sofrer algum aumento de preços."

Os impactos são enormes na população mais pobre do país, uma população que já sofre com a falta de cobertura em bairros periféricos e com a falta de acesso a internet, como ficou mais evidente durante a pandemia. Agora estão nas mãos de três operadoras apenas, deixando cada vez menos opções para a classe trabalhadora recorrer.




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