Juventude

UFERSA

Com a intervenção na UFERSA, qual saída dos estudantes contra o autoritarismo de Bolsonaro independente das reitorias?

Nesta sexta-feira, 21, Bolsonaro anunciou, durante a visita realizada a Mossoró (RN) a nomeação da professora Ludimilla como reitora interventora da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), no RN, que ficou em terceiro lugar na consulta realizada à comunidade acadêmica.

domingo 23 de agosto| Edição do dia

Bolsonaro vem nomeando, cada vez mais, interventores em diversas universidades pelo país, atropelando as já anti-democráticas consultas à comunidade acadêmica, em nome da imposição ideológica das crenças obscurantistas anticiência, em consonância com seu projeto de precarização e destruição da educação pública. Outro exemplo do intervencionismo direto de Bolsonaro nas universidades foi a nomeação escandalosa de Marcelo Recktenvald na Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), uma figura reacionária, pastor religioso e seguidor ideológico de Olavo de Carvalho, que também havia figurado em 3º lugar.

Nós da Faísca repudiamos totalmente esse ataque às universidades, implementado com base na MP 914 que viola autonomia das Instituições de Ensino Superior, permitindo a intervenção direta do MEC, e nos colocamos ao lado estudantes, funcionários e professores da UFERSA contra essa intervenção e todos os ataques implementados pelo governo Bolsonaro-Mourão.

A auto-organização dos estudantes, recuperando a democracia de base das assembleias para que os estudantes decidam os rumos da sua luta, é fundamental para fazer frente a essa intervenção, se colocando ao lado dos estudantes do IFRN contra o reitor-interventor Josué Moreira para derrubar a MP914 e impor que a decisão da comunidade acadêmica seja respeitada.

A luta para fazer frente ao autoritarismo de Bolsonaro nessas decisões pode avançar para questionar de fundo a estrutura de poder das Instituições Federais de Ensino Superior, exigindo dos reitores eleitos que convoquem uma Estatuinte Livre e Soberana. Uma estatuinte baseada na eleição de delegados nos cursos, departamentos e nas unidades de trabalho, incluindo os terceirizados, através do sufrágio universal contra o caráter anti-democrático da paridade nas consultas, que vai contra o poder de decisão da maioria da universidade em benefício da burocracia acadêmica.

A pandemia comprovou que as IFEs precisam estar à serviço da produção de conhecimento à serviço dos interesses da classe trabalhadora e do povo pobre, portanto, uma estatuinte livre e soberana é o única forma de expulsar a iniciativa privada de dentro da UFERSA, direcionando as pesquisas para desenvolver uma relação saudável entre a humanidade e a natureza na produção e não servir aos latifundiários. Por isso não podemos nos contentar com a posse do reitor escolhido pela consulta, é necessário lutarmos pelo fim da reitoria e seus reitores, que é um órgão burocrático e tem como única função aplicar nas universidades e institutos federais toda a política dos governantes e empresários.




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