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Crise na Saúde Pernambuco | Com UTIs lotadas, bebês morrem sob responsabilidade da política privatista de Paulo Câmara

Já faz semanas que Pernambuco passa por uma crise de vagas de UTI infantil levando à morte de bebês por falta de atendimento em Recife. Isso é fruto de entregar a gestão da saúde a iniciativa privada encampada pelo PSB, mas defendida pela direita em Pernambuco.

quarta-feira 25 de maio | 17:18

Emergência pediátrica do Hospital Barão de Lucena, no Recife — Foto: Reprodução/TV Globo

De acordo com a Secretaria de Saúde, existem atualmente 93 crianças aguardando vagas de Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) em hospitais públicos do estado, sendo que ao menos 62 dessas crianças apresentavam Síndrome Respiratória Aguda Grave (Srag).

Dados da Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) mostraram que a espera dobrou na última semana. Em 8 de maio, eram 40 solicitações para leitos de UTI, sendo quatro para adultos e 36 para crianças. No domingo (15), chegou a 73 o número de solicitações, sendo três para adultos e 70 para crianças.

Segundo médicos do serviço público o aumento dos casos de síndrome respiratória está relacionado a uma epidemia de vírus sazonais que começaram a circular, e tem superlotado as emergências pediátricas de Pernambuco. Embora a circulação desses vírus sejam comuns e já sejam previstos pelas instituições públicas de saúde nesta época do ano, a capacidade das emergências e dos leitos de UTIs não tem dado conta da demanda.

Profissionais de saúde também denunciam que não faltam apenas leitos, mas o quadro total do serviço de saúde está extremamente precário, faltando insumos básicos para os tratamentos, assim como instrumentos de trabalho e principalmente funcionários e trabalhadores para atender a demanda.

Em relatos médicos e enfermeiras afirmam que a situação é gravíssima e que chegaram a ver o oxigênio ser retirado de uma criança menos grave para socorrer uma que teve uma crise convulsiva. Bebês e crianças chegam a passar quatro dias esperando por uma vaga em leito de UTI com um quadro de saúde grave, causando muitas vezes a morte dessas crianças.

Muitas instalações de emergência, assim como UPAs, têm se tornado instalações de atendimento improvisadas, através do esforço e dedicação dos profissionais de saúde, para atender a alta demanda para além do que as instalações comportam.

Em uma entrevista cedida para a mídia, uma trabalhadora desabafa: "A situação é caótica. As crianças estão morrendo. No meu plantão, tinha uma bebê de dois meses que esperou quatro dias. No quarto, a gente conseguiu transferir, finalmente. Ela chegou ao Barão de Lucena, foi intubada e no dia seguinte faleceu". Segundo essa mesma médica, há relatos de ao menos três óbitos em 15 dias. Além da bebê de dois meses, ela soube da morte de outros bebês de sete e de nove meses

Por nota, a Secretaria Estadual de Saúde afirmou que Pernambuco vive atualmente seu período de sazonalidade das doenças respiratórias, quando, historicamente, é esperado uma maior ocorrência, atestando assim sua completa negligência e sua própria responsabilidade sobre o cenário terrível que tem levado à morte de crianças e bebês. A alta da Síndrome Respiratória Aguda Grave (Srag) já era esperada anualmente e nada foi feito para salvar a vida dessas crianças. Isso após dois anos de pandemia da Covid19 que já havia anunciado a precariedade crítica das condições do serviço público de saúde.

O fracasso culposo das instituições públicas em sua incapacidade de atender crianças e bebês, levando a morte sistemática nestas últimas semanas é a expressão explícita da política de Paulo Câmara de destruição e precarização do serviço público e saúde, da falta de investimento, falta de contratação e superexploração dos trabalhadores que atuam nessa área.

O estado de precarização que se encontra a saúde pública de Pernambuco é fruto da política do PSB de entregar à iniciativa privada a gestão das UBSs. Para esses empresários que comandam a saúde básica no estado, pouco importa o número de leitos, UTIs, equipamentos, etc e por isso vemos situações absurdas como esta onde bebês esperam em filas enormes por um leito de UTI e acabam morrendo durante essa espera. Por isso defendemos um SUS 100% estatal e sob controle dos trabalhadores e usuários.




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