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ESCÂNDALO COVAXIN | Com Ricardo Barros no olho do furacão, como fica a união Bolsonaro e Centrão?

O depoimento dos irmãos Miranda não só fortaleceu a CPI, como o seu vínculo com os atos pelo Fora Bolsonaro, canalizando a revolta popular para dentro do regime. Ricardo Barros segue como líder do governo, mostrando que o centrão ainda não pulou do barco e o governo ainda conta com essa sustentação. Por isso, nossa mobilização não pode ficar a reboque da CPI dos golpistas.

segunda-feira 28 de junho | Edição do dia

Muita expectativa cercava o depoimento do deputado Luis Miranda e seu irmão, servidor do ministério da saúde que revelou ter sofrido pressões para autorizar a importação da Covaxin mesmo com flagrantes irregularidades no contrato formalizado entre governo Bolsonaro e a empresa Precisa, intermediária brasileira para a aquisição. Um contrato bilionário para a compra da vacina indiana com um preço superior a todas as demais vacinas adquiridas até então e com negociações aceleradas como não tinha se visto antes por parte do governo negacionista.

O deputado chegou até de colete para a CPI, montando seu figurino ao gosto do espetáculo da investigação. Como desfecho do enredo entregou o nome do deputado do centrão, e líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR). O que foi recebido como uma grande bomba, mas que na verdade o nome de Barros já era ligado ao caso desde os primeiros indícios de irregularidades no contrato, uma vez que Barros foi autor de duas emendas que favoreceram diretamente a aquisição da vacina e o deputado inclusive já possuía um histórico de favorecimento do dono da empresa Precisa, Francisco Maximiano, em outra empresa da qual é sócio, a Global, quando foi ministro da saúde entre 2016 e 2018.

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As reações desmedidas de Onyx Lorenzoni e do próprio Bolsonaro que ameaçaram abrir inquérito contra Luis Miranda e seu irmão já mostravam que o governo havia acusado o golpe. As digitais do governo Bolsonaro estão por todas as partes do caso, não só com Ricardo Barros, mas também na pressão feita pelo coronel Élcio Franco, número 2 do ministério da Saúde nomeado pelo general Pazuello, para que fosse autorizada a importação da vacina. Ou seja, também os militares têm participação direta nesse esquema para favorecimento da Covaxin.

O relato do deputado Miranda responsabilizou diretamente Barros, mas também comprometeu Bolsonaro diretamente no crime de prevaricação. O vice-relator da CPI Randolfe Rodrigues entregou a noticia-crime contra o presidente no STF. Ainda assim, no relato fornecido por Miranda, fica evidente a preocupação dele de separar a corrupção de Barros da prevaricação de Bolsonaro:

“O presidente entendeu a gravidade. Olhando os meus olhos, ele falou: ‘Isso é grave’. Não me recordo do nome do parlamentar, mas ele até citou um nome para mim, dizendo: ’Isso é coisa de fulano’. E falou: ‘Vou acionar o Diretor-Geral da Polícia Federal, porque, de fato, Luis, isso é muito grave"

Luis Miranda, deputado bolsonarista com acesso direto ao presidente como mostrou nas conversas, faz questão de retratar como se Bolsonaro tivesse tomando conhecimento das irregularidades naquele momento, além do presidente afirmar que acionaria a Polícia Federal, o que a PF já desmentiu dizendo que nenhuma investigação foi aberta. Contra as impressões alegres que comemoraram a acusação do deputado como a queda de Bolsonaro essa precisão é importante para demonstrar que prevalece a estratégia de desgaste da CPI, fazendo Bolsonaro sangrar sem, contudo, ir para o nocaute.

O depoimento repôs o protagonismo da CPI, que vinha se apagando, em detrimento da mobilização nas ruas, que vinha se consolidando com os massivos atos do 29M e 19J, apesar da operação das direções sindicais e universitárias para dividir a luta e não perder o controle chamando os próximos atos para apenas daqui um mês. Não apenas a CPI se fortalece, como o vínculo entre ela e os atos que o regime busca impor, canalizando a revolta da população para dentro de suas instituições, e transformando no objetivo central das marchas fazer pressão nesses parlamentares golpistas para o impeachment de Bolsonaro. A mudança do ato para o dia 3 de julho é mostra dessa vinculação, junto de mais um pedido de impeachment, o “superpedido” reunindo partidos de direita, centro e esquerda, que maisuma vez se unirão para clamar que Arthur Lira, colega de partido de Barros, dê enfim abertura ao processo.

Entretanto, no momento, ainda não há sinais de que implodiu a sustentação que o centrão dá para Bolsonaro. Ricardo Barros, tranquilamente, já anunciou que segue como o líder do governo Bolsonaro. Contraditoriamente, o fato de Ricardo Barros, um dos líderes do bloco, ter sido lançado diretamente aos holofotes pode implicar que o centrão se mobilize nos bastidores para conter o incêndio. O depoimento de Miranda mostra justamente a preocupação de Bolsonaro de salvaguardar sua aliança com o centrão, como o caso do orçamento secreto ou tratoraço, já havia evidenciado as bases sólidas dessa união, selada a partir de milhões em emendas irregulares.

Por isso, não podemos permitir que a força dos atos seja desviada para a CPI dos golpistas, ou qualquer via institucional, é através da mobilização independente dos trabalhadores com nossos próprios métodos que devemos derrotar Bolsonaro e Mourão, e também o regime de conjunto que aplica os ataques . As centrais sindicais, CUT e CTB, precisam parar com sua política de divisão dos atos e unificar a luta dos trabalhadores, contra as reformas e as privatizações, junto da luta pelo Fora Bolsonaro, Mourão e os militares, organizando uma greve geral. Assim como, não adianta a UNE antecipar o ato se seguirá com sua política de não organizar a luta pela base em assembleias com direito a voz e voto. É pela auto-organização de estudantes e trabalhadores que iremos derrubar Bolsonaro, Mourão e militares!

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