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Eleições 2022 | Cláudio Castro quer se reeleger usando corrupção, rachadinhas e chacina de pretos e pobres

Segundo denúncia, Castro e o presidente do Ceperj, Gabriel Lopes, estavam diretamente envolvidos no esquema de contratação de funcionários fantasmas.

terça-feira 2 de agosto | Edição do dia

Um grande esquema de corrupção envolvendo Cláudio Castro foi revelado por funcionários da Fundação Ceperj. À luz do dia, o governo Cláudio Castro segue impune e faz campanha como se nada tivesse acontecido, sendo blindado pelo judiciário e pelo legislativo do Estado do RJ, e ainda, preservado pela imprensa que deu pouca atenção ao caso. O esquema foi retratado em reportagem do RJ2, da emissora Globo, que, depois da divulgação, parou de dar espaço à essa denúncia em seus jornais. Veja a reportagem abaixo, publicada no Blog do Pedlowski

Segundo a denúncia, Castro e o presidente do Ceperj, Gabriel Lopes, estavam diretamente envolvidos no esquema de contratação de funcionários fantasmas. Estes funcionários, por sua vez, eram utilizados em um esquema de “rachadinha”: o pagamento destes era realizado na boca do caixa através de ordem bancária, bastando apresentar documentação. Recebido o dinheiro, o funcionário passava parte para o receptor do dinheiro desviado. Ainda segundo a denúncia, o esquema servia para Cláudio Castro comprar uma ampla base de apoio de deputados, sendo citado Rodrigo Bacellar como um deles na reportagem.

Eram cerca de 9 mil funcionários fantasmas, listados numericamente em uma planilha que tinha como nome “governador”. Os cargos eram secretos, os “concursos” eram secretos, ninguém sabe até agora qual era o nome dos 9 mil laranjas – as nove mil “Val do Açai” do governo Castro – e foram previstos gastos de R$ 682,5 milhões de gastos do Estado do RJ com estes funcionários até o final do ano, somando um planilha de gastos com a Casa do Trabalhador e outra planilha com um projeto esportivo. As planilhas chegaram a ficar sob sigilo no SEI (Sistema Eletrônico de Informações), mas já podem ser acessadas novamente.

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Questionada, a Ceperj afirmou que não há previsão da publicação dos nomes dos funcionários, em atitude que demonstra o completo desrespeito pelas leis de contratação em serviço público, agindo para garantir as contratações de funcionários fantasmas, laranjas e, por fim, a rachadinha. Claudio Castro até o momento não se pronunciou sobre mais esse escândalo de corrupção em seu governo, e aposta que será blindado e reeleito, tendo a imprensa, o judiciário e o legislativo em suas mãos.
Grande parte da verba utilizada é proveniente da privatização da Cedae, mostrando como o ataque contra os trabalhadores e a população nada tinha a ver com as justificativas de “recuperação fiscal”. O regime de recuperação fiscal imposto ao Rio de Janeiro nada mais é do que apertar os cintos dos trabalhadores cortando seus direitos e retirando verba dos serviços públicos para sobrar dinheiro para corrupção, rachadinhas, compra de apoio de deputados e prefeitos.

Assim, Castro constrói o apoio de 85 prefeituras, 92% dos prefeitos do Estado do Rio de Janeiro, garantindo a divisão do botim entre políticos parasitas de todas as cores e legendas (do PL de Bolsonaro ao PT de André Ceciliano, passando pelo MDB de Washington Reis, Podemos de Romário, União Brasil de Garotinho, Solidariedade de Rodrigo Bacellar, dentre muitos outros).

A demagogia com o corte dos gastos públicos fica clara quando relembramos que o atual presidente do Ceperj, Gabriel Lopes, publicava um artigo no jornal O Dia em 2020 entitulado. Que mostre a cara então! Abertura de todos os registros do Ceperj! Queremos saber o nome de cada funcionário fantasma e de cada deputado que o indicou para estar ali!

Contra a corrupção é preciso ter independência de classes

A corrupção e os políticos corruptos fazem parte intrínseca e inerente do sistema capitalista e da gestão do Estado burguês e das relações políticas envolvidas na gestão e fiscalização. No Rio de Janeiro, todos os ex-governadores foram presos por corrupção, não sem antes terminarem seus mandatos e gastarem milhões de reais que nunca retornaram aos cofres públicos, a forma padrão de operação do Estado e dos políticos burgueses no Rio de Janeiro, são superfaturamentos de obras, desvios, relações clientelistas com a população, relações com as milícias e milhares de esquemas de corrupção em todos os ramos do setor público. A única forma de combater isso é fazer com que a classe trabalhadora possa decidir e controlar para onde vão os gastos de acordo com as necessidades da população e não para comprar votos e apoios, sem confiar na justiça ou suas instituições, que apenas trocam um grupo de políticos corruptos, por outros.

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Marcelo Freixo (PSB) vem dando destaque ao esquema de corrupção no governo Castro em sua campanha. O problema é que, apesar do próprio Freixo ter a “ficha limpa”, este mesmo escolheu ninguém menos que César Maia para ser seu vice, realizando o projeto da frente ampla no Rio de Janeiro. Cesar Maia recorre hoje na justiça a uma condenação que o torna inelegível, por improbidade administrativa. Maia é conhecido por grandes elefantes brancos (obras superfaturadas) no Rio de Janeiro. A mais famosa delas é a Cidade da Música (atual Cidade das Artes), obra que gastou R$ 473 milhões e foi concluída só pelo seu sucessor, Luiz Paulo Conde.

Com um vice desse, chega a ser motivo de riso o fato de Freixo escolher como mote a campanha contra as “máfias” do Rio de Janeiro; escolhendo como aliado, um dos representantes dessa mesma máfia que sangrou o Rio de Janeiro. O pai de Rodrigo Maia, articulador de diversos acordos com o Centrão, responsável por inúmeras obras com suspeita de superfaturamento, e, ainda, lembrado pelos servidores municipais como alguém que cortou direitos e desvalorizou seus salários.

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Freixo, quando estava no PSOL, também levantava muitas vezes o tema do combate às “máfias”, apoiando em diversos momentos a Lava Jato, junto ao PSOL do Rio de Janeiro (tanto seus vereadores quanto seus deputados estaduais e federais seguiram essa linha). O resultado é que o PSOL levou à confiança nas instituições, com um programa que não leva a combater a corrupção, apenas fortalecer uma ala do judiciário, e depois disso, deixar o espaço aberto para a substituição dos esquemas corruptos do MDB pelos esquemas corruptos do bolsonarismo. Depois de tudo isso, Freixo apenas tirou a conclusão que o melhor mesmo é escolher alguma ala corrupta do regime para montar a frente ampla contra o bolsonarismo, e escolheu Cesar Maia.
O PT, no Rio de Janeiro, por sua vez, segue um caminho já traçado em outros governos, fazendo acordos abertamente entre suas lideranças e as duas alas corruptas do regime. O PT apoia tanto a aliança com Cesar Maia (apoia tanto que seu velho inimigo, Maia, agora é Lula.

Mas não para aí, o PT aposta nos dois cavalos, esperando ter as portas abertas com Cláudio Castro também, e, se possível, o palanque bolsonarista a seu dispor. Assim, André Ceciliano (enviado de Quaquá) costura diversos acordos com Cláudio Castro e a ampla gama de políticos bolsonaristas que fazem parte de sua aliança. É assim que André Ceciliano estava confirmado no evento “grande reunião pelo Rio”, um dos eventos de lançamento da pré candidatura de Castro que foi cancelado. Ceciliano estava presente também em outro evento de Castro no dia 18 em Nova Iguaçu, junto a secretários do governo.

O PT aposta, como sempre fez, nos dois palanques. Foi assim que, em 2014, Dilma apareceu junto com Pezão, Crivella e, também, com seu próprio candidato, Lindberg. Desta forma, se alia com aqueles que diz querer combater, em nome de “palanques para Lula”, ou seja, aliando-se com o bolsonarismo “para combater o bolsonarismo”. Ceciliano foi ninguém menos do que o único deputado do PT a votar a favor da privatização da Cedae – e ganhou de presente o agradecimento eterno de Lula, da presidenta do PT Gleisi Hoffmann, e do vice- presidente do partido, Washington Quaquá.

Para derrotar a extrema direita bolsonarista também é preciso de um programa operário de combate à corrupção

É visível como as operações de combate à corrupção no Rio de Janeiro não passam de farsas interessadas. A prisão de Pezão, Cabral e Picciani ou o impeachment de Wilson Witzel nada fizeram para combater a corrupção. Apenas deram espaço para outros governos corruptos assumirem os esquemas que sempre mandaram na Assembleia Legislativa, no Judiciário e no Executivo. Marcelo Freixo, que está atualmente no PSB, e o PSOL, apostaram sempre na via de disputar pelas instituições o combate à corrupção, levando à ilusão de que o regime político pudesse se “auto limpar”. Essa política levou apenas a fortalecer a Lava Jato, de início, e, depois, apenas favoreceu um bando corrupto contra outro – neste caso, os corruptos bolsonaristas que atualmente mandam, contra os outros corruptos do MDB.

Somente um programa operário, que não tenha nenhuma confiança nas instituições burguesas, pode dar resposta a esse problema pela via da mobilização e da luta de classes. A primeira coisa que é preciso fazer é levantar a necessidade destes casos não ficarem na mão do Judiciário e do MPF, que facilitam a vida dos corruptos: precisamos defender a abertura dos livros de contabilidade da Ceperj, que devem ser investigados por comissões de trabalhadores podendo ser auxiliados por especialistas em orçamento, juristas e parlamentares simpáticos à sua causa. Devemos também defender a anulação da privatização da Cedae, pois está provado que a empresa foi vendida ilegalmente para gerar recursos para apadrinhamento e rachadinhas.

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Contra as castas de políticos e juízes parasitas, defendermos que todo político ou juiz receba o mesmo salário que uma professora, e também que deputados, governadores, secretários e juízes sejam eleitos e revogáveis a qualquer momento por aqueles que o elegeram, só assim é possível ter controle sobre os ditos “agentes públicos” que atuam em defesa dos seus interesses privados.

Além disso, precisamos derrubar as leis que “legalizam” ou permitem esquemas de transferência da verba da saúde e educação para o bolso dos banqueiros. Isso significa defender o fim do regime de recuperação fiscal do RJ junto com o não pagamento da dívida pública, mecanismo legal que só favorece aos bancos enquanto a maioria dos trabalhadores enfrenta a fila do desemprego, da fome, a inflação que corrói o salário e a escassez de serviços de saúde, educação, transporte público, moradia, dentre outras necessidades básicas que o estado deveria fornecer.




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