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Goiás | Cinismo dos patrões: de quem é a culpa da aglomeração nos ônibus?

Um ano após o início da pandemia, o Brasil contabiliza mais de 300 mil mortes e, diariamente, cerca de 3 mil mortos. Desde o princípio, diferentes autores do regime de golpe instalado no país jogam entre si a culpa pela tragédia. Interessados em manter os lucros dos capitalistas em detrimento das vidas, mídia e golpistas encontraram um novo culpado para as aglomerações: os trabalhadores.

Cris LibertadProfessora da rede estadual em Anápolis - GO.

terça-feira 30 de março | Edição do dia

FOTO: O Popular

Faz um ano em que estamos inseridos no cenário de recortes distópicos que se tornou o Brasil na pandemia. São mais de 360 dias em que diferentes setores do regime golpista ou dão impulso às teorias negacionistas, ou à políticas aparentemente “racionais” como o “lockdown” que restringe a circulação dos trabalhadores com um caráter repressivo e de desmobilização das lutas de classes.

Um dos principais “gargalos” para o Estado vêm sendo o transporte coletivo. Nesse serviço específico, as aglomerações desde o início do contexto pandêmico vem sendo denunciadas pelos próprios trabalhadores como um dos espaços com maiores probabilidades de contaminação do COVID-19. O transporte público no Brasil, não sofre com lotações acima das permitidas de hoje, esse já um problema que perdura há bastante tempo no país. O aumento progressivo de casos no mês março e o colapso do sistema de saúde em Goiás, impulsionou o governador Ronaldo Caiado (DEM) e prefeitos à implantarem os malfadados decretos de lockdown- em Goiás os índices mais altos de isolamento mal chegam aos 40% - e a elegerem um novo inimigo público: o transporte público. Por dias, o prefeito de Aparecida de Goiânia que faz parte da região metropolitana da capital Goiânia, Gustavo Medanha (MDB) e o governador Caiado trocaram farpas acerca de qual decreto o município com quase 600 mil pessoas deveria seguir. Ainda assim, o sistema de transporte público da região metropolitana da capital goiana, colocava continuamente os próprios usuários como culpados pela lotação do transporte público na grande Goiânia. Como medida para reduzir a lotação dos ônibus coletivos, ao invés da medida mínima de aumento na circulação, o Estado vem proibindo aos trabalhadores de utilizar o transporte público.

De decreto em decreto, o transporte público em Goiânia, agora funciona através de um sistema em que a priori estaria direcionando os horários de pico para os trabalhadores dos serviços essenciais. Segundo o documento, das 5h45 às 7h15 e das 16h45 às 18h15, os trabalhadores dos chamados serviços essenciais têm prioridade no embarque. A medida autoritária, ao contrário do que a grande mídia e o Estado alarde não solucionou o problema do transporte público na capital goiana. Apenas, mudou os horários em que os demais trabalhadores se aglomeram para utilizarem o transporte coletivo e trouxe transtorno aos trabalhadores das áreas essenciais que ficam bloqueados pelo sistema. Na próxima quarta-feira dia 31 de março um novo decreto será publicado em Goiás, limitando a 50% da capacidade de todo o transporte coletivo do Estado, seja urbano ou rural, nos horários de pico. Tal imposição vem de conjunto à chamada reabertura de atividades, em que inclusive as escolas privadas – que sofreram com um surto com cerca de 50 pessoas entre professores, funcionários e estudantes contaminados pelo COVID-19 apenas em Goiânia – poderão retornar. Se tais medidas restritivas e autoritárias que limitam a circulação dos trabalhadores e ainda tornam ainda mais exaustivas suas já longas jornadas entre casa e trabalho, podemos esperar a partir desta quarta-feira ainda mais aglomerações e risco, não apenas aos trabalhadores que utilizam o transporte público, mas também para os trabalhadores do transporte público.

Goiás vem de uma escalada galopante do número de infectados e mortos e Caiado e os prefeitos são os principais culpados. Outro agravante para o estado é a região do entorno do DF, milhares de trabalhadores que ali residem têm que se dirigir para Brasília e ao fim do dia retornam, em ônibus lotados. Caiado e Ibaneis (GDF) trocam acusações entre si e impõem decretos que vem para aumentar a repressão ao povo pobre.

Qual é a saída para os trabalhadores dos transportes e seus usuários?

Nós, MRT, defendemos que são os trabalhadores que podem dar a saída para a crise que estamos imersos, enfrentando todo esse regime de golpe que Caiado e Ibaneis são parte constitutiva. Através da criação e organização de comitês de higiene e segurança, para que os próprios possam discutir medidas que diminuam os riscos de contaminação do vírus. É necessário que as centrais sindicais como a CUT a CTB que concentram a maioria dos trabalhadores sindicalizados, acordem de sua inércia, impulsionando a auto-organização e o enfrentamento desse regime decadente encabeçado por Bolsonaro, Mourão, militares, STF e governadores que dentro só atuaram para descarregar a carga da crise na classe trabalhadora.




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