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Ataque à cultura | Cinemateca em chamas é projeto de governo de Bolsonaro e militares

Por trás do descaso, corte de verba e investimento na área da cultura, arte e ciência que ocasionou o incêndio da Cinemateca, está o projeto de país que Bolsonaro e os militares sustentam, que passa por queimar nossa cultura popular e histórica marcada por luta e resistência.

Lara ZaramellaEstudante | Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo

sexta-feira 30 de julho | Edição do dia

Foi nesta quinta-feira, 30, que a Cinemateca ardeu em chamas por responsabilidade de Bolsonaro e militares que carregam um projeto de governo e de país que queima a história da cultura popular brasileira.

A situação da Cinemateca era denunciada pelos trabalhadores, artistas e entidades ligadas ao audiovisual já há tempos, dado que o descaso do governo federal era tanto que sequer investia e direcionava dinheiro para pagar as contas de luz e água, além dos salários dos trabalhadores.

Não só isso, o escândalo só cresce. O governo Bolsonaro respondia a um processo judicial por abandono da Cinemateca. Há exatos 9 dias atrás houve uma audiência em que o governo federal foi alertado do risco de incêndio por abandono, entretanto, por conta de um absurdo acordo entre o Judiciário e o governo Bolsonaro, houve prorrogação em 60 dias para a Secretaria Especial da Cultura apresentar melhoras na preservação da Cinemateca, patrimônio audiovisual brasileiro.

O abandono e falta de verba e investimento que ocasionou o incêndio de 1 milhão de documentos cinematográficos, alguns com mais de 100 anos, se liga ao projeto de governo que Bolsonaro e os militares levam adiante, de ódio à história e cultura popular, dos setores oprimidos e explorados que construíram esse país.

Os patrimônios culturais e históricos do país são constantemente atacados por Bolsonaro e todo o seu governo. É o caso do Museu Nacional que, após também sofrer com um incêndio catastrófico em 2018, teve R$12 milhões cortados de verba por parte do governo Bolsonaro.

Veja mais: Mais um ataque a cultura: Bolsonaro quer fechar Cinemateca em meio a pandemia

São anos de descaso e ataques à ciência, cultura e história nacional, aprofundados ainda mais com o governo obscurantista e reacionário de Bolsonaro, sustentado pelos militares, que desde seu início teve uma política consciente de cortes na educação, na ciência e na cultura, extinguindo órgãos e entidades, cortando verbas e investimentos, nomeando cargos para cuidar de nossa cultura a reacionários que riem dos mortos na ditadura e pela Covid-19 como Regina Duarte ou Mario Frias, racista e LGBTfóbico declarado.

Com esse crime, se escancara o projeto de país e os objetivos de apagar, de queimar nossa história, marcada pela resistência na arte, no cinema. Bolsonaro e os militares querem sequestrar nosso conhecimento e memória, querem recontar e reconstruir nossa historia desde a perspectiva da classe dominante e dos militares, assim como fizeram durante a ditadura militar com toda a repressão e censura.

Enquanto lamentam o ato político que botou fogo na estátua do bandeirante assassino e perseguidor de povos indígenas, Borba Gato, respondendo com prisão preventiva do ativista Galo de Luta, o governo Bolsonaro, seus Ministérios e Secretarias e os militares destilam seu ódio e descaso ao não investir na Cinemateca e consequentemente ocasionar que fosse consumida pelo fogo, se eximindo das responsabilidades por este incêndio que não tem nada de acidente.

Não é novidade que Bolsonaro e sua corja odeiam a ciência, a arte e o pensamento livre, crítico e subversivo. Isso fica claro a cada ataque que persegue a educação, os professores, a manifestação artística e política. É por isso que esse acontecimento na Cinemateca não está descolado do projeto de país que Bolsonaro e os militares propõem e levam adiante.

Não abaixamos a cabeça para ataques que cerceiam nossa liberdade de conhecimento e pensamento, que ataquem a arte, a cultura, a ciência e a pesquisa, que queimem nossa história marcada por luta, resistência subversiva, a história de povos oprimidos que a classe dominante busca apagar.




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