Política

CÂMARA DOS DEPUTADOS

Chefe de rachadinha em Alagoas, Arthur Lira, é favorito do Planalto na Câmara

Líder do Centrão e favorito à presidência na Câmara dos Deputados nas eleições em fevereiro, Arthur Lira (PP-AL) foi denunciado pela Procuradoria Geral da República por movimentar pelo menos R$ 9,5 milhões em esquema que desviou R$ 254 milhões dos cofres públicos de 2001 a 2007. O cenário da eleição está em aberto, e essa denúncia lança incertezas na sucessão de Maia e na agenda golpista de reformas e ataques aos trabalhadores, promovida nos últimos anos pelos capitalistas e seus representantes no Congresso e Planalto.

quinta-feira 3 de dezembro de 2020| Edição do dia

Foto: reprodução UOL

Quando foi deputado estadual Lira liderou um esquema junto à outros 12 deputados, que incluía funcionários fantasmas na folha de pagamento da Assembleia Legislativa de Alagoas, eles simulavam negociações e empréstimos para justificar a movimentação financeira nas contas pessoais de seus integrantes. O golpista Lira foi primeiro-secretário entre 2003 e 2006 e administrava os recursos.

O dinheiro roubado no esquema foi usado para comprar carros e imóveis. E mesmo com processos cíveis e criminais abertos em 2007, a Justiça manteve em segredo mostrando sua arbitrariedade e autoritarismo.

A operação Taturama, deflagrada pela Polícia Federal em 2007, mostrou que o grupo usou dinheiro para comprar carros e imóveis. A partir desse momento, foram abertos processos cíveis e criminais, mantidos em segredo de Justiça.

Apenas em 2018 a Procuradoria Geral da República (PGR) revelou detalhes do esquema. Eram emitidos cheques pela assembleia para contas de pessoas físicas diferentes, em seguidos os mesmos valores eram transferidos aos deputados ou pessoas próximas deles. Além disso foi apreendido na casa de Lira uma planilha com uma lista de 566 cheques de R$ 2.360,66

Mesmo a PGR apresentando denúncia contra Arthur Lira por crimes de peculato e lavagem de dinheiro e a ex-procuradora geral Raquel Dodge tendo pedido prisão e perda da função pública do deputado, com pagamento de multa para a devolução de recursos aos cofres públicos, o então vice-presidente do Tribunal de Justiça de Alagoas, Celyrio Adamastor, suspendeu a decisão de condenar Lira em 2ª Instância na área cível por improbidade administrativa, que impediria o golpista de concorrer a deputado estadual em 2018.

Com a proximidade da eleição para a nova presidência da Câmara e o nome de Lira como o favorito, indicado por Maia, esse caso veio novamente à tona e lança incertezas sobre a viabilidade de Lira ser um pulso firme para continuar a aprovação de Reformas e ajustes contra a classe trabalhadora e em favor dos grandes empresários nacionais e internacionais. Também está para ser avaliado no STF a possibilidade de Maia ter um novo mandato, caso que se aprovado revisará a já fatiada Constituição e será um passo a mais no autoritarismo do judiciário brasileiro.

Sendo mesmo estado onde a população vive numa situação de calamidade pública sem luz e sendo reprimida pela polícia por lutar para sobreviver e mesmo com toda corrupção escancarada, Lira foi premiado na terça (1 de dezembro) com a indicação pelo seu partido, o Progressistas (PP), para concorrer à presidência da Câmara dos Deputados.

O crescimento após as eleições do PP mostra um maior poder de barganha do centrão e mais confiança em indicar políticos já experimentados em esquemas de corrupção e são também aportes decisivos para atacar os trabalhadores e todo o povo pobre, atingindo mais fortemente as e os negros. O PP que não tem nada de progressista nem de centro, já foi ninho do Bolsonaro.

O regime do golpe que vivemos e o fortalecimento do centrão após as eleições exigem a urgência de respondermos com a organizações dos trabalhadores tendo a juventude como aliada fundamental para nos mobilizarmos, sem confiar em acordos com partidos que apoiaram o golpe e as reformas e sem confiança alguma nesse judiciário. Temos que confiar em nossas próprias forças e preparar agora a mobilização sem esperar 2022.




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