×

Greve na saúde do DF | Chamamos os estudantes de Serviço Social e o CASESO a se somarem em apoio à greve dos terceirizados da saúde do DF

Nós do Esquerda Diário e da Faísca convidamos todos a participarem da campanha de fotos em apoio à greve dos 800 trabalhadores terceirizados da saúde no Distrito Federal. Esses trabalhadores essenciais que estão na linha frente desde o início da pandemia, estão a mais de 9 dias sem receber seus salários. Um completo descaso do governo de Ibaneis Rocha e da empresa terceirizada BRA que descarregam a crise nas costas desses trabalhadores. É preciso cercar de solidariedade ativa à luta dos terceirizados da saúde, pois é essa força que pode derrubar os ataques e fazer com que os capitalistas paguem pela crise.

Luiza EineckEstudante de Serviço Social na UnB

quinta-feira 16 de setembro | Edição do dia

Por todo o país vemos pipocarem processos parciais de resistência dos trabalhadores demonstrando a disposição de se enfrentarem com os ataques de governos e patrões. A greve dos trabalhadores da MRV em Campinas (SP), a greve dos metalúrgicos em Betim (MG), a luta contra a privatização da Carris em Porto Alegre (RS), a greve dos radialistas da Rede TV! (SP) e a greve do Detran no RN - as duas últimas ainda em curso - são todas demonstrações que os trabalhadores não aguentam mais suportar o ataque às suas condições de vida, num contexto em que a alta da inflação, liderada pelo preço dos alimentos, dos combustíveis e da conta de luz, todos fruto da política de Bolsonaro, corrói o bolso dos trabalhadores.

Nesse sentido, é possível sentir o drama desses 800 pais e mães de família que estão a 9 dias sem seus salários, com as contas atrasadas vendo os juros consumirem ainda mais sua renda. Trabalhadores que se sacrificaram e se expuseram ao vírus ao longo de toda a pandemia, estando na linha de frente, mesmo sem a garantia dos EPIs necessários, nem por parte do governo de Ibaneis nem por parte da empresa contratada, a BRA Serviços.

Veja mais: "Nosso trabalho não tem valor?" Depoimento das terceirizadas da saúde do DF em greve pelo pagamento de salário

Uma situação que mostra o descaso de Ibaneis Rocha com os trabalhadores. Do conforto de sua mansão, a mais cara da cidade, o governador milionário não sabe o que é passar aperto para pagar uma conta, ou dar o sustento para sua família. Por isso que, repetidas vezes, atrasa o salário desses trabalhadores essenciais, como foi no começo do ano, quando os mesmos trabalhadores tiveram que entrar em greve para arrancar seu pagamento, ou com os vigilantes terceirizados que até ontem também estavam em situação similar. Em um contrato milionário, valor total de mais de R$67 milhões em benefício da BRA Serviços, são os trabalhadores com salários mínimos que estão levando o calote, a conta não fecha.

A terceirização é uma forma de divisão da classe trabalhadora e precarização da relação de trabalho, que governos e patrões recorrem para atacar as condições de trabalho e vida dos trabalhadores. Vemos isso na própria UnB, onde os terceirizados da universidade já tiveram que lutar contra cortes dos salários, demissões, calotes nos vales alimentação e transporte, salários pagos pela metade, entre outros absurdos. Não bastasse esses “ataques econômicos” para reduzir custos, a terceirização também divide os trabalhadores, rebaixando-os como uma segunda classe de trabalhadores dentro das universidades, hospitais e demais estruturas. Isso se escancarou durante a pandemia, onde os terceirizados têm tratamento totalmente diferenciado, sem a garantia de EPIs nem por parte da empresa contratada, ou das empresas contratantes. Por isso defendemos a luta pela unidade entre efetivos e terceirizados para romper com essa barreira que divide a nossa classe e pela efetivação de todos os terceirizados sem necessidade de concurso público.

Esses elementos mostram os motivos e a disposição desses trabalhadores da linha de frente da pandemia de se enfrentarem contra Ibaneis, Bolsonaro e os patrões. Porém, ainda que exista essa disposição de luta, sem a atuação das centrais sindicais e entidades estudantis de buscar unificar essas lutas isoladas, dificilmente elas podem vencer. Para além de sua própria mobilização é preciso apostar na aliança com o movimento estudantil, na aliança com os setores oprimidos, como o acampamento indígena em luta contra o Marco Temporal, criando uma poderosa frente única entre trabalhadores, estudantes e setores oprimidos, essa é a unidade capaz de derrotar todos os ataques de Ibaneis, Bolsonaro e Mourão.

Nesse sentido, é necessário que seja construído um plano de lutas unificado em base a ampla discussão e organização dos estudantes e dos mais oprimidos, com assembleias de base em cada curso e universidade para que sejamos nós a decidir os rumos da nossa luta para derrotar todos os ataques contra os trabalhadores, estudantes e fazer com que os capitalistas paguem pela crise.

Frente a todo esse cenário de profunda crise e ataques, é preciso urgentemente retomar uma organização estudantil independente, combativa, baseada na auto organização e em aliança com os trabalhadores e oprimidos. É esse papel que deve cumprir as entidades estudantis como são os Centros Acadêmicos e os Diretórios Centrais dos Estudantes, e é por essas entidades que nós estudantes devemos batalhar para construir, principalmente nós do Serviço Social, curso que historicamente esteve na linha de frente dos processos de lutas.

Por isso, chamamos o CA de Serviço Social (CASESO), outros CAs da UnB e o DCE a impulsionarem ativamente essa campanha conosco e todos os estudantes. Para além de organizarem os estudantes para estarem nos piquetes e nas mobilizações, buscando dar uma mostra de solidariedade ativa para avançarmos na luta em defesa dos serviços públicos, contra a precarização imposta pela terceirização.

Envie sua foto para (61) 99903-2711




Comentários

Deixar Comentário


Destacados del día

Últimas noticias