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2 de outubro | Chamado a construir Blocos Classistas nas manifestações de 2 de outubro

Conversamos com algumas referências do Movimento Revolucionário de Trabalhadores e da Juventude Faísca Anticapitalista e Revolucionária sobre a proposta de construir Blocos Classistas nas manifestações do próximo dia 2 de outubro.

sexta-feira 24 de setembro | Edição do dia

O MRT e a Juventude Faísca Anticapitalista e Revolucionária estão propondo ao conjunto da esquerda a construção de Blocos Classistas nas próximas manifestações do dia 2 de outubro. Esse chamado se dirige ao PSTU, a setores do PSOL, ao PCB, UP e PCO, bem como a todas e todos os trabalhadores e jovens que querem enfrentar Bolsonaro e Mourão, mas também toda a direita e as instituições do regime, que defendem os mesmos ataques aos nossos direitos.

Letícia Parks comentou a necessidade deste chamado: “Nas últimas manifestações, nós já viemos batalhando por uma política de independência de classe, mas na próxima manifestação do dia 2 de outubro consideramos que isso precisa se expressar de forma ainda mais delimitada e que ganhe força na própria manifestação com a conformação de um bloco independente e classista. Isso porque depois dos fracassados atos do dia 12 de setembro, da tentativa de alavancar uma terceira via, a gente viu a Frente Fora Bolsonaro chamando a ampliar o arco de alianças para as manifestações contra Bolsonaro convidando ainda mais partidos burgueses e da direita para compor a manifestação, mesmo que todos sabemos que nos atacam, e sequer têm qualquer capacidade de mobilização. Ontem estava vendo a convocação oficial do ato e os organizadores dizem que estão construindo um ato ‘diverso’, mas não devemos aceitar enganação, pois essa “diversidade” é para incluir os setores que estão junto com Bolsonaro nos atacando e que querem construir a tal terceira via”.

Ainda sobre a construção dos blocos Luiza Eineck, de Brasília, agregou: “Imaginem que partidos burgueses como Cidadania e Solidariedade do Paulinho da Força entraram como convocantes dessas manifestações. Esses são setores que votam todos os dias contra os trabalhadores no Congresso Nacional. Nós já vínhamos denunciando as alianças com PSB, Rede e PDT que são também partidos burgueses que tentam se apresentar como de ‘centro’, assim como a participação do PSDB nos atos, em São Paulo inclusive estivemos com uma faixa denunciando o BolsoDoria. Mas agora a busca pela tal "amplitude" está cada vez maior e a serviço de subordinar a nossa luta a qualquer tipo de variante burguesa ou às instituições do regime político como o STF, o Congresso Nacional ou os governadores que foram parte de nos trazer até aqui com o golpe institucional de 2016. As manifestações da extrema-direita foram expressivas apesar da grande crise que passa Bolsonaro. Mas nada disso tem sido suficiente para derrotá-lo, é preciso uma unidade da juventude com a classe trabalhadora e os indígenas, que aqui em Brasília deram um grande exemplo, para efetivamente derrotar Bolsonaro, Mourão e todos os ataques. Na nossa visão é essa unidade de ação que precisamos, e não com a direita que nos ataca e está tentando aprovar os mesmos ataques, como a retirada das terras indígenas a serviço do agronegócio, apesar de fazer discurso de oposição democrática ao Bolsonaro. O eixo que vem sendo dado na aliança com a direita pelo impeachment termina confundindo e desorganizando a urgentemente necessária unidade de ação da classe trabalhadora, que ainda falta muito para ser construída, e vai precisar se enfrentar justamente com estes falsos democratas que estão em unidade de ação com Bolsonaro no seu programa econômico ”.

A proposta é que os Blocos Classistas reúnam setores da esquerda que querem se manifestar contra Bolsonaro e Mourão, mas apresentando uma alternativa classista dentro destes atos. Flávia Valle, de Minas Gerais explicou a proposta “Já estamos buscando companheiros e companheiras de correntes do PSOL, PSTU, UP, PCB, PCO e outras organizações de esquerda. Com parte delas a discussão é diretamente um chamado a romper com a linha de subordinar nossa luta aos partidos de direita e burgueses e atuarmos juntos para construir um polo anti-burocrático e classista, que inclusive vá para além das manifestações no dia 2, mas que neste dia comece conformando blocos claramente delimitados. Com as correntes que já são críticas à presença destes setores burgueses e de direita consideramos que não há nenhum motivo para não marcharmos agrupados sob a bandeira do classismo, mesmo que tenhamos diferenças políticas. O MRT, por exemplo, defende a luta por uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana imposta pela mobilização, enquanto toda a esquerda defende o impeachment. Este é um debate que temos que fazer já que nós consideramos que o impeachment na configuração atual do regime seria uma medida de desvio para conter a mobilização. Porém este é um debate a se fazer no marco de acordos que podemos ter, como um programa imediato para enfrentar a crise que ataca a nossa classe e lutar pela consigna Fora Bolsonaro e Mourão. Valorizamos nesse chamado a opção de algumas correntes políticas de levantar a palavra de ordem “Fora Bolsonaro e Mourão”, ou variantes dela que apontam a necessidade de derrubar o conjunto do seu governo, ainda que consideramos contraditório levantar essa consigna e defender o impeachment que abre espaço pro Mourão”.

Val Muller, de Porto Alegre, também expressou como está se dando essa discussão: “Sim, nossa ideia é levantar as bandeiras da nossa classe e da juventude, que por si só são incompatíveis com a direita e setores burgueses que estão nos massacrando com reformas e ataques. E para isso também poderíamos levantar juntos um programa operário para enfrentar a crise, as demissões, a inflação e a fome. Em um Bloco Classista poderíamos de forma organizada ir com uma faixa unificada a partir de debater entre todas as forças que concordarem em conformar esse Bloco buscando expressar essa confluência de setores da esquerda que lutam por Fora Bolsonaro e Mourão e defendem a independência de classe, por mais que tenhamos compreensões diferentes do que isso significa. Dar passos em comum pode abrir espaço para ações e debates que nos permitam aproximar posições para construirmos um polo na esquerda nacional. Para nós, esse polo deveria se desenvolver após o ato em combates em comum na luta de classes, partindo da solidariedade ativa e coordenação de cada luta em curso”.

Maíra Machado de São Paulo completou: “Exatamente, como disse a Val, seria muito importante um Bloco assim, para além dos blocos de cada corrente, é preciso buscarmos unidade nos pontos que temos acordo. Se conseguíssemos construir um polo anti-burocrático e classista começando pelo dia 2 isso poderia ser um contraponto à política das burocracias sindicais também, que na realidade mantêm as nossas lutas isoladas, sem unificação e coordenação, e querem que a gente ajoelhe pro STF e pro Congresso Nacional, quando é preciso ficar claro que só com a entrada em cena da classe trabalhadora vamos derrotar Bolsonaro, Mourão e todos os ataques”.

“Aqui no Rio de Janeiro já começamos a debater”, comentou Carolina Cacau. “Eu acredito que seja possível e necessário conformar Blocos Classistas. Seria um recado claro de que existe uma esquerda que é capaz de se unificar nas ruas com um programa de independência de classe”, completou. Em São Paulo, Marcello Pablito, trabalhador da USP foi categórico: “A tarefa mais urgente do momento é a batalha pela unidade dos trabalhadores nacionalmente. As burocracias sindicais não estão fazendo nada. Ou a esquerda se unifica para coordenar as exigências a essas direções burocráticas ou vamos ficar indo de ato e ato, cada um com seus blocos e aceitando que a direita e setores burgueses, que estão junto com Bolsonaro aprovando os ataques trabalhistas e a reforma administrativa, estejam ali como se nada tivesse acontecendo quando na prática esses supostos “aliados democráticos” estão açoitando nosso couro”.

Marie Castañeda, do Centro Acadêmico de Ciências Sociais da UFRN no Rio Grande do Norte finalizou: “Todos que tiverem interesse nessa proposta podem entrar em contato com a gente, colocaremos nossos contatos no Esquerda Diário em cada estado. As organizações de esquerda, entidades e sindicatos que entenderem essa necessidade poderão dar um passo muito importante. Para isso seria fundamental as organizações que insistem em tratar setores da direita como PSDB e MBL como “defensores dos direitos democráticos” e “aliados” na luta contra Bolsonaro reverem essas posições, já que essas alianças estão na contramão da unidade da classe trabalhadora contra todos os ataques. A partir disso poderíamos avançar em uma unidade nas ruas no próximo dia 2 de outubro e mostrar nacionalmente que existe uma esquerda classista no país”.




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