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1º DE MAIO | Centrais chamam direita para o 1ºM, mas o que precisam é construir unidade na luta operária

Com quase 400 mil mortes por covid, desemprego recorde, crescimento avassalador da fome, o que fazem as centrais sindicais e partidos como o PT neste dia - 1º de maio - que deveria ser usado para resgatar as forças dos trabalhadores para virar o jogo e voltar a se ver como sujeito determinante da transformação? Fazem ato com a direita golpista!

terça-feira 27 de abril | Edição do dia

Fotos: Rodrigo Maia (DEM) - Marcelo Camargo da Agência Brasil / Lula (PT) - Adriano Machado da Reuters / FHC (PSDB) - Nacho Doce da Reuters / João Doria (PSDB) - Sérgio Lima do Poder 306.

Com a estratégia de capitalizar todo o sentimento de indignação, raiva e desespero dos trabalhadores para saídas meramente eleitorais, as centrais sindicais - majoritariamente dirigidas pela CUT (PT) e CTB (PCdoB) - decidem por ato amplíssimo no 1º de maio, se unindo até mesmo com a direita golpista, usando da pandemia e a crise econômica para desgastar Bolsonaro, mas sem mexer na podridão do regime político do golpe institucional.

Um forte 1º de maio, que fosse realmente dos trabalhadores, deve ser construído usando o exemplo de trabalhadores que estão lutando pelos seus direitos, como o exemplo das trabalhadoras de fábricas fornecedoras que estão na linha de frente contra o fechamento das fábricas terceirizadas e da fábrica da LG; dos trabalhadores do transporte que estavam dispostos a uma grande paralisação, mas os sindicatos não articularam até o final uma unidade; das professoras e trabalhadores da educação, quelutam por um retorno seguro para toda a comunidade escolar, mas que também estão sob constante ação da burocracia em seus sindicatos, que levantaram até a absurda categoria de “greve trabalhando”; das trabalhadoras da saúde, que lutam para salvar vidas e também por EPIs e vacinas, como por exemplo no Hospital Universitário da USP.

Diferente do dia 24M, quando sem preparação, mais um dia de luta foi desperdiçado pelas centrais, deixando de se construir uma forte unidade entre categorias que poderia ter sido construída desde a base; o 1º de maio precisa incendiar a força que a nossa classe pode ter para atacar o regime do golpe institucional de conjunto e não esperar saídas meramente eleitorais, pois diante da crise econômica internacional, se não houver rompimento com o regime, então qualquer novo governo que seja não trará senão ataques contra nós.

O PT segue se aliando com golpistas para poder se alçar ao governo. Não atua até o final para combater aquilo que destrói a juventude e os trabalhadores, mas sim atua para gerir por dentro desse mesmo regime. Se não fosse por isso, porque o próprio Lula não defende a luta pelo fim das reformas, ou contra as privatizações, ou contra as alas desse regime que também fizeram parte do golpe institucional para poder aprovar toda uma agenda de ataques pelo bem do lucro dos grandes empresários e do imperialismo?

Leia aqui: Unificação de pedidos de impeachment junta PT, PSTU, PSOL e PSL, mas só direita ganha com isso.

Tal ato amplíssimo é tão escandaloso que até mesmo líderes da CUT, dirigida pelo PT - que representam parte da casta burocrática que trabalha dentro de diversos sindicatos para seguir fragmentando a nossa classe e afunilando as lutas somente para as questões econômicas de cada categoria, sem atuar por uma unidade de todas - estão incomodados com o convite enviado pelas centrais aos líderes da direita - como FHC, João Doria, Arthur Lira, Rodrigo Pacheco e Rodrigo Maia - no ato virtual convocado. Isso enquanto passam longe de organizar uma luta contra João Doria (PSDB) que governa o estado onde Ford e LG demitem e trabalhadores se levantam para lutar.

Mas para as centrais sindicais e partidos como o PT, essa tática é um mal necessário para desgastar Bolsonaro e já caminhar o país rumo às eleições de 2022. Por hora, o regime do golpe ainda não conseguiu alçar um nome à altura para derrotar Bolsonaro (o filho super ingrato do golpe institucional) e Lula, que não é o preferido da burguesia (apesar dele estar fazendo um esforço para ganhar o coração dos capitalistas e alas do regime, como parte dos militares e STF). Mas desgastar Bolsonaro já é um ganho para manter seu discurso de extrema-direita sob controle e não provocar maiores convulsões sociais.

Para derrotar de uma vez por todas Bolsonaro, Mourão e os militares, é preciso um grande plano de lutas, onde, diferente de ações demagógicas de pedidos de impeachment para desgastar somente uma ala desse regime, as centrais sindicais rompam com sua paralisia e impulsionem os trabalhadores para que auto-organizados possam derrotar a extrema-direita e pôr abaixo todo o plano de ajustes já implementado desde o golpe institucional, levando esse regime todo, com suas alas bonapartistas, para a fogueira daquilo que não serve para a classe trabalhadora.

Não podemos confiar nossas vidas nas mãos dos golpistas que se unem quando o plano é garantir o lucro de poucos, por cima dos nossos direitos, nos deixando na miséria. Nem podemos confiar em partidos que não constroem nenhuma resposta a não ser, apenas, as saídas eleitorais. A força dos trabalhadores, em unidade com a juventude e os setores oprimidos da sociedade podem dar uma saída independente para essa crise sanitária, econômica e social.

Basta de conciliação! Por um 1º de Maio que mostre a força da classe trabalhadora! Por um plano de lutas, onde os trabalhadores sejam sujeito, contra a fome, as demissões e as reformas, para que sejam os capitalistas que paguem por essa crise! Por uma Nova Assembleia Constituinte Livre e Soberana, imposta pela luta para que possamos mudar as regras do jogo!




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