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Censo Escolar de março/20 mostra que 30 mil crianças ficaram sem creches já antes da pandemia

De acordo com dados do Censo Escolar colhidos em março (antes da pandemia), houve uma enorme queda no número de matrículas em creches públicas brasileiras. Cerca de 30 mil crianças ficaram sem creches no Brasil em comparação com 2019. O censo do restante do ano ainda não saiu, mas, com a pandemia, a tendência é que outras milhares de crianças não tiveram acesso à creche durante o resto do ano, principalmente as mais pobres.

segunda-feira 2 de novembro| Edição do dia

Fonte: site da Abrinq

Para garantir o mínimo exigido pelo Plano Nacional de Educação (PNE), o Brasil deveria criar 1,5 milhão de vagas em creches até 2024. Segundo o Índice de Necessidade de Creche (INC), métrica criada pela instituição Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, mais de 5 milhões de crianças de 0 a 3 anos precisam de vagas em creches no Brasil hoje.

Segundo as normas do PNE em vigor desde 2014, é preciso alcançar até 2024, no mínimo, 50% das crianças de até 3 anos. Mas tomando os dados do Anuário Brasileiro da Educação Básica 2020, publicação do Todos Pela Educação com dados de 2019, 35,7% das crianças até 3 anos estão matriculadas em creche. São 3,8 milhões de matrículas nas redes pública e privada. Para atender às normas do PNE, seria necessário ter 5,3 milhões de crianças matriculadas, portanto, o país precisaria abrir mais 1,5 milhão de vagas.

A demanda por creches é histórica. As mulheres trabalhadoras que necessitam trabalhar para sustentarem suas casas, filhos e maridos, precisam, muitas vezes, enfrentar longos processos burocráticos e filas de espera humilhantes para conseguir uma vaga em creches públicas e, quando isso não ocorre, muitas são obrigadas a recorrer a escolas privadas. Isso compromete o orçamento das mães, e acaba fortalecendo as redes milionárias de ensino privado, que se beneficiam da precariedade dos serviços públicos promovida pelos governos. Para se ter ideia, as creches privadas têm 1,4 milhão de matriculados, segundo o Censo Escolar de 2019.

Esse déficit educacional, que perpassa das creches até as universidades do país, mostra que, cada vez mais, é a classe trabalhadora que paga pela crise capitalista. Há anos, os governos vêm precarizando para privatizar o ensino, como se a educação não fosse um direito fundamental. É preciso combater isso com a estatização de todas vagas escolar privadas para que sirvam aos trabalhadores e que tenham acesso a formação de qualidade, sem imensos processos burocráticos e vestibulares que filtram e jogam para fora das instituições de ensino todos anos a juventude trabalhadora, em sua maioria negra e pobre.




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