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ELITISMO E DESINFORMAÇÃO

Celso Russomanno sugere que moradores de rua são resistentes à Covid por falta de banho

O deputado e candidato à prefeitura de São Paulo, Celso Russomanno (Republicanos), afirmou que “talvez eles sejam mais resistentes que a gente porque eles convivem o tempo todo nas ruas, não têm como tomar banho todos os dias, etcetera e tal”.

quarta-feira 14 de outubro| Edição do dia

Foto: Celso Russomano. Notícias UOL

Em coletiva de imprensa o primeiro colocado nas intenções de voto para a prefeitura de São Paulo, Celso Russomano, disse, ao defender o modelo de isolamento social vertical (segundo o qual apenas pessoas do grupo de risco devem ficar isoladas): “Temos casos pontuais, não temos uma quantidade imensa de moradores de rua com problema de Covid. Talvez eles sejam mais resistentes que a gente porque eles convivem o tempo todo nas ruas, não têm como tomar banho todos os dias, etcetera e tal. Mas não era o que se esperava”.

O argumento do candidato, sem qualquer embasamento científico, justifica sua posição, análoga à do presidente Jair Bolsonaro, de que o isolamento social não é necessário. “Todo mundo esperava que a Covid tomasse conta de todo mundo, até porque eles (moradores de rua) não têm esse afastamento que foi pré-estabelecido por orientações da Organização Mundial da Saúde e pelo governo e eles estão aí”.

Em base a um baixíssimo número de testes e alta subnotificação, as afirmações do candidato a prefeito são baseadas somente em invenções e preconceitos.

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Fazendo um balanço de como se deu o isolamento no Brasil e defendendo o modelo vertical, apontado por especialistas como ineficaz, ele disse que “esse isolamento deveria ter sido feito, depois dos primeiros 30 dias, de forma vertical, cuidando das pessoas com problemas respiratórios, das pessoas cardíacas, dos idosos, das pessoas com deficiência. Deveria ter sido cuidado disso, e não fechado o comércio do jeito que foi feito, quebrando e desempregando todo mundo”.

Russomano também inventou fatos sobre as famílias de baixa renda, que moram em vilas, favelas, ocupações urbanas, geralmente em número alto de moradores por casa: “Se a gente andar pela periferia e entrar nas casas, como eu entro quando estou defendendo o consumidor, por problema de geladeira de um eletrodoméstico - são pessoas que geralmente vivem com quatro, cinco pessoas em um mesmo cômodo e que não têm afastamento absolutamente nenhum e que a família inteira não contraiu a doença”, disse.

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