CORONAVIRUS

Ceará possui 92% de seus municípios classificados como vulneráveis à Covid-19

Dos 184 municípios do estado, 170 estão em situação vulnerável devido ao alto índice de pobreza e falta de serviços básicos.

quarta-feira 15 de abril de 2020| Edição do dia

De acordo com um relatório desenvolvido por pesquisadores da Escola de Matemática Aplicada da Fundação Getúlio Vargas (EMAp/FGV) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o Ceará possui 170 municípios em estado vulnerável ao novo coronavírus, o equivalente a 92% do total de municípios do estado. Os indicadores que determinam a vulnerabilidade de um munícipio podem ser tanto socioeconômicos quanto de acesso a serviços básicos, como saneamento e água corrente. Ao todo, O Ceará possui 184 municípios, desses, 14 são considerados dos grupos A ou B, ou seja, com melhores indicadores sociais, e os demais se dividem entre os grupos C, D e E.

Segundo a Secretaria Municipal da Saúde, 81% das cidades que apresentaram casos confirmados do covid-19 no Brasil estão classificadas entre os grupos C, D e E, o que só evidencia como a desigualdade social e as péssimas condições de vida e trabalho às quais é submetida a classe trabalhadora brasileira são causas de morte por covid-19. O Ceará já notificou mais de 2 mil casos de covid-19 além de 111 mortes, segundo o IntegraSUS. Como medida, foi anunciada a expansão de Unidades de Tratamento Intensivo, que abriria 690 novos leitos. Entretanto, apenas 160 foram entregues aos hospitais. Segundo o Secretário de Saúde do Ceará, Dr. Cabeto, esse baixo número é devido à dificuldade de providenciar os insumos que são importados de outros países.

Em regiões mais precarizadas, como na maioria das cidades do Ceará, a quarentena defendida pelos governadores e militares é basicamente inviável, uma vez que faltam condições de vida básicas aos moradores. Enquanto o governo disponibiliza uma quantia no valor de 600 reais para as famílias em condições frágeis, valor este que não garante nem o básico e que ameaça a população mais pobre à fome, à falta de produtos básicos de higiene, Bolsonaro e Guedes garantem o lucro dos bancos e dos empresários.

Dessa forma, defender a vida dos moradores desses municípios vulneráveis é exigir um serviço de saúde que funcione plenamente, com a entrega de todos os leitos prometidos e com aumento das equipes de trabalho. Além disso, é urgente os testes massivos para toda a população, obras imediatas de saneamento básico, a disponibilidade de imóveis desocupados e hotéis para moradores de áreas de risco, como favelas, e um salário integral que realmente cubra as despesas das famílias autônomas, desempregadas ou de baixa renda.




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