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PRIVATIZAÇÃO DA CEDAE | Carta do Esquerda Diário aos trabalhadores da CEDAE

Nós do Esquerda Diário e MRT escrevemos essa carta direcionada a vocês cedaeanos, diante do grande ataque ao povo carioca que é a privatização da CEDAE. Uma ação criminosa unificada de Bolsonaro e Castro com o STF e deputados da ALERJ contra os trabalhadores em meio à grave situação da pandemia e do desemprego no país e no Rio em particular. Também queremos dialogar sobre o que está ocorrendo no nosso país e como podemos enfrentar a situação de mortes por covid, pela fome, por bala da polícia, as privatizações e todos os ataques contra os trabalhadores e a juventude.

quarta-feira 26 de maio | Edição do dia

Imagem: Macaco do Sul

A política de privatização da CEDAE representa um claro laboratório da política de Bolsonaro, Guedes com seus aliados como Castro no RJ e os golpistas, para provar ao imperialismo e capital financeiro que podem vender nossos recursos naturais à preço de banana. Se fizeram com a maior empresa de saneamento básico da América Latina, querem passar o rolo compressor e acabar de vez com as empresas estatais, como estão fazendo com a Petrobrás, e encaminhando com a Eletrobrás e querem fazer com os Correios. Eles também querem mostrar, às custas de milhares de empregos na CEDAE, que podem demitir milhares de trabalhadores concursados.

Esse governo negacionista que faz piadas diante das mortes de 450 mil pessoas, é responsável pela fome que chega a atingir 14,5 milhões de famílias vivendo na extrema pobreza e pela violência policial que mata a juventude, pobres e negros nas periferias e favelas. O massacre do Jacarezinho, maior chacina do Rio de Janeiro, muito longe de qualquer “combate ao crime organizado” ou um “problema de segurança pública”, foi um massacre pelas mãos da polícia carioca que não se cansa de bater recordes sanguinários.

Foi sempre com o espírito e a estratégia de que é apenas pela luta de classes e a unidade da classe trabalhadora que poderemos enfrentar os ataques e vencer, que estivemos lado a lado de vocês na greve de 2017, enfrentando a repressão policial e distribuímos 6 mil cartazes azuis do Esquerda Diário nos atos da greve para fortalecer, dar visibilidade e contribuir para mostrar que a luta é do povo carioca também, e fizemos uma forte campanha desde então no Esquerda Diário contra a privatização.

Essa luta é uma batalha a cada dia para não deixar passar demissões, ataques, e não se pode considerar que terminou e nem que vai ser a justiça que vai resolver. A direção do SINTSAMA, que é filiado à CTB, uma das maiores centrais sindicais do país dirigida pelo PcdoB, nesses 4 anos adotou a estratégia de tentar barrar a privatização pela via judicial e parlamentar, mobilizando a categoria apenas nos dias da agenda institucional. Na prática não mudou a correlação de forças, pois só pode mudar se tiver uma forte mobilização com um plano de luta decidido pela categoria em assembleia buscando se unificar com outras categorias.

Muitos cedaeanos podem estar com medo, mas a única saída é fazer um trabalho de formiguinha em cada local de trabalho, unidade, começando com um, dois e depois ir somando força para fortalecer a organização entre os trabalhadores da CEDAE e buscar unidade com outros trabalhadores para enfrentar os ataques. Imaginem se juntam no RJ centenas de cedaeanos, petroleiros, professores, merendeiras, garis, trabalhadores da saúde? E essa unidade ocorresse em todo o país para enfrentar Bolsonaro, Mourão e os golpistas?

Vocês sempre batalharam para garantir uma vida digna para suas famílias e filhos para que eles pudessem estudar em universidades públicas. No momento está ocorrendo um enorme ataque do governo Bolsonaro com a ameaça de cortes nas universidades federais e é fundamental uma resposta urgente nacional para que lutemos por outro país para nossos filhos, e unifiquemos a juventude e a classe trabalhadora para lutar contra os ataques e defender o futuro da juventude.

Nós do Esquerda Diário convidamos vocês para debatermos como podemos unir nossas forças para construir essa unidade, e como em cada categoria podemos construir com mais trabalhadores essas ideais. Isso passa por unir cada categoria em luta, fortalecer dias de manifestações unitárias como no próximo dia 29, mas começa, como falamos pelo trabalho de juntar forças com o colega em sua unidade, exigir assembleias, exigir medidas de luta e coordenação com outros setores.

O PT desde o golpe institucional, veio fazendo com que o caminho para enfrentar Bolsonaro, Mourão e os golpistas fosse unicamente pela via institucional e eleitoral, articulando agora as alianças do Lula com tudo que é empresário e partido golpista para em 2022 administrar o regime do golpe, assentar e não combater tudo que tiver sido aprovado até lá. Para cimentar essa aliança, Lula nem fala das greves e ainda promete privatizações, como da Caixa Econômica Federal que nem Bolsonaro ou Guedes tentaram. E ainda apostando em uma CPI que já diz tudo que sabemos e é um grande teatro onde senadores e a GLOBO fingem se importar com a vida de trabalhadores ou pela via do impeachment, que trocaria o presidente para um militar como Mourão.

A linha das centrais sindicais CUT (PT) e CTB (PcdoB) veio sendo manter a paralisia para não colocar a classe trabalhadora em movimento e arriscar os planos eleitorais de 2022, e infelizmente a esquerda está adaptada à essa política. Essa estratégia das direções sindicais burocráticas só pode levar à derrota, nada virá de conversas de bastidores com STF, com militares, com Paes, Maia, isso sempre foi verdade e é ainda mais quando vivemos sob um regime político do golpe institucional. É preciso lutar por uma outra orientação para a luta de cada categoria, uma orientação que rompa a passividade e confiança em instituições que são nossas inimigas.

Os trabalhadores estão mostrando uma mudança na disposição de lutar e ir para as ruas. Alguns processos de greve vieram ocorrendo desde o início do ano, agora está no início uma greve de uma subsidiária da Petrobras contra sua privatização. E mais recentemente os metroviários de SP fizeram uma forte greve, que só não conquistou todos os direitos porque as direções burocráticas do sindicato e correntes de esquerda que dizem amém para a burocracia, especialmente a já citada CTB, desmontaram a greve junto com a empresa. Mas foi uma greve que teve apoio popular, mostrando que podemos nos apoiar nesses processos e em cada categoria nos enxergar como uma só classe.

Nós do MRT, viemos colocando o Esquerda Diário à serviço dos trabalhadores para que façam uma série de denúncias sobre as condições em seus locais trabalhos. Assim podemos mostrar a milhares de trabalhadores que estejam se sentindo sozinhos, que a precarização e ataques é parte da política dos governos e capitalistas para todas as categorias de trabalhadores para descarregar a crise em nossas costas. Ao mesmo com o Esquerda Diário também buscamos contribuir com a organização dos trabalhadores nas categorias e como uma classe só, combatendo a divisão que a burguesia impõe entre efetivos e terceirizados, entre cada categoria. E para dar voz e fortalecer as lutas dos trabalhadores, como fizemos na greve dos metroviários de SP mostrando o lado dos trabalhadores que a mídia burguesa não mostrava e desmascarando a hipocrisia da empresa, de empresários que queriam colocar a população contra os metroviários.

Devemos tirar lições dos processos da luta de classes internacional para nos inspirar, como a luta do povo colombiano. Somente com a unidade, ocupando as ruas, fazendo greves e com a organização democrática e decidida será possível parar as mortes por covid, por fome e por balas da polícia, assim como barrar todos os ataques aos trabalhadores e à juventude para lutar pelo direito à água e recursos naturais à serviço do povo, por uma educação pública, gratuita e de qualidade para nossos filhos e para que os capitalistas paguem pela crise.

Os metroviários de SP marcaram um caminho, deram mais uma vez um exemplo de quando a classe trabalhadora se alia com a população e paralisa, essa aliança faz o governo e os capitalistas tremerem. Convidamos todas e todos a debater conosco quais os próximos passos da luta contra a privatização da CEDAE e contra todos os ataques que vão seguir, e o Esquerda Diário vai estar sempre na luta ombro a ombro com vocês.

Leiam também: Novos ares de mobilização e a adaptação à agenda da CPI: confiar nas forças da nossa classe e da juventude




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