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Tribuna Aberta | Carta de uma educadora em greve pela vida há 105 dias na cidade de São Paulo

Reproduzimos abaixo a carta recebida pelo Esquerda Diário de uma das educadoras em greve na cidade de São Paulo, há cerca de 105 dias, em defesa da vida e contra o retorno inseguro às aulas.

terça-feira 25 de maio | Edição do dia

“Não está nada fácil para a população e nós, servidores municipais da educação estamos em greve há mais de 100 dias em defesa da vida – da nossa e da comunidade escolar.

O governo municipal, agora de Nunes (MDB) e antes de Covas (PSDB) não atende nossas reinvindicações, a vacinação está bem lenta, a maioria dos profissionais ainda não foram vacinados e principalmente as terceirizados que trabalham nas escolas, várias delas com idade para se vacinar e não conseguem a autorização da SME (Secretaria Municipal da Educação), inclusive grande parte dessas trabalhadoras foram demitidas na pandemia e as que restaram sofrem com o acúmulo de trabalho e com maior risco de contaminação. É inaceitável a negligência como são tratadas essas trabalhadoras, tão importantes como quaisquer outras, mas que são invisibilizadas por esse governo, pelas empresas e pelos sindicatos.

E por falar em sindicato... o SINPEEM, na figura de Claudio Fonseca, continua na paralisia. Seguem isolando, destruindo, desmobilizando e apostando na inanição da vanguarda de nossa categoria – vanguarda porque a maioria de nós já voltou ao trabalho. Essa burocracia chegou ao ponto de sistematicamente há 3 meses se reunir com o Fórum das Entidades Sindicais, onde todos eles, sem nossas opiniões decidem pela continuação da greve sem uma assembleia para ouvir a base da categoria.

Nossas reivindicações são vacina para todos, condições sanitárias e ventilação adequada para evitar a contaminação no chão da escola – com o governo garantindo todas as adequações sanitárias nas escolas; além dos tablets com chip para os alunos e enquanto não for seguro estar na escola, trabalho remoto para todos os profissionais; e também cesta básicas para as famílias e um efetivo e real aumento de número de funcionários para a limpeza – garantindo para essas mulheres o mesmo direito de um trabalhador efetivo. No entanto, há meses em greve, a verdade é que até aqui não obtivemos respostas...

Estamos realmente vivendo uma conjuntura muito reacionária, pois até os sindicatos que deveriam estar à serviço da base da categoria, para agirem democraticamente, organizando assembleias, movimentando, incentivando as reivindicações e organizando as lutas dos trabalhadores, há muito deixaram de cumprir seu papel. Abandonam os trabalhadores por uma disputa política preparando o terreno para eleições em 2022, como faz a CUT e a CTB, Centrais onde os burocráticos sindicatos da educação municipal são filiados.

É hora de nós, pela base, repensarmos nossas estratégias e exigir assembleia já para a nossa categoria decidir os rumos dessa luta; além do fundo de greve para todas e todos que tiveram seu direito de greve ferido pelos governos de Covas e Nunes possam seguir lutando, deixo à vocês meus colegas nessa batalha essa reflexão sobre os desafios da nossa luta...

Professora Marlete Benevides
São Paulo, 25 de Maio de 2021”

Nós do Esquerda Diário, que estamos cobrindo e acompanhando essa dura batalhada travada pelas educadoras da rede municipal de ensino de São Paulo, novamente reafirmamos aqui todo nosso apoio à essa importante greve contra o retorno inseguro às aulas imposto pela PSDB aqui em nossa cidade e em todo o estado.

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