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Carta de um jovem de junho de 2013 a um jovem de junho de 2021

Guilherme Costa

Ilustração: Juan Chirioca/@macacodosul

Carta de um jovem de junho de 2013 a um jovem de junho de 2021

Guilherme Costa

Houve um momento da história recente do país em que a utopia ganhou as ruas das cidades e moveu placas tectônicas de um Brasil aparentemente sereno. Uma utopia em seu melhor sentido, de um tipo em que sonhamos acordados com um futuro diferente e o sentimos ao alcance de nossas mãos, tudo misturado com altas doses de raiva e indignação absolutamente legítimas. Parece estranho falar em utopia em meio ao pesadelo que vivemos sob Bolsonaro hoje, mas para muitos essa foi a sensação, em especial para uma juventude que cresceu sob o signo do consumo, e não dos direitos.

Teimosos, sem medo, contra tudo e todos os poderosos, certos de que estavam certos, curtidos num vinagre furioso, com discurso afiado, imaginação anticapitalista e uma coragem imparável de dar inveja, dezenas de milhares de jovens ganharam a maioria da população brasileira para o seu lado em menos de duas semanas. Parecia que o tempo se dilatara, dias viraram semanas e semanas viraram meses. Aos que não acompanhavam a primavera árabe, as greves na Grécia, as ocupações na Espanha e em Nova York ou o movimento estudantil chileno, parecia ser impossível estourar algo no Brasil do gradualismo lulista. No entanto levamos o impossível para as ruas, a plenos pulmões, com uma vontade de mudar o mundo. O estopim foi o aumento da passagem, mas logo se mostrou maior.

Porto Alegre já havia derrubado a passagem de ônibus e foi inspiração para que São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e outras dezenas de capitais e cidades do país invadissem as avenidas, se enfrentassem com a polícia e protagonizassem uma das maiores revoltas populares da história nacional. Daí explodiram reivindicações substantivas negadas a toda uma geração. Hoje os sentidos de junho estão em disputa. Oito anos nos separam desse momento e a juventude que hoje desperta para a política merece ouvir um lado da história muito diferente daquele contado pela grande mídia ou pelo petismo. Nem estopim do golpe, nem armação da CIA, nem reivindicações vazias, nem rebeldia sem causa, com todos os seus encantos, problemas e contradições, as jornadas de junho têm muito a nos ensinar hoje.

A cidade

Espaços de realização do capital e de reprodução da força de trabalho, os grandes centros urbanos do início do século XXI concentram o paraíso e o inferno, juntos, em alguns poucos quilômetros quadrados. Capitais globais, como São Paulo, dispõem de índices japoneses de expectativa de vida em bairros como Jardim Paulista (média de 81,5 anos), enquanto outros, como Jardim Ângela, apresentam uma expectativa de vida média de 58,3 anos, semelhante a da República do Congo.

A ponte que liga o Congo e o Japão é justamente o transporte público, razão primeira da revolta. Ela começou após um aumento de 20 centavos, o suficiente para irritar parcelas volumosas de uma classe trabalhadora e de uma juventude despojadas do direito básico à cidade. Diferente do costume de promover aumentos durante as férias estudantis, quando muitos estão viajando e sem as escolas e universidades para se organizarem, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, do PT, o fez na metade do ano.

Mas os problemas sociais não se limitavam ao transporte. À inflação de quase 7% acumulada no ano anterior, com o preço da cesta básica pesando no bolso, somava-se um crescimento expressivo no número de greves operárias nos meses que precederam as jornadas. A panela de pressão estava chiando e só não via quem não queria. De 2011 para 2012, houve um aumento de 58% no número de paralisações, com destaque para o setor privado (53% do total), como atesta o Dieese na época (1). Além da brutal desigualdade nas cidades, inflação e arrocho salarial no país do “pleno emprego”, a truculência policial racista escalava nas periferias.

Na narrativa dos donos do poder, tudo estava indo bem. A crise internacional fora uma “marolinha”, como disse Lula, o pleno emprego estava a todo vapor, as universidades crescendo, os investidores estrangeiros festejavam lucros exorbitantes, a infame terceirização se multiplicava e o rentismo aplaudia os altos índices de juros que tanto endividavam o gigante proletariado brasileiro. Nunca antes na história desse país os bancos lucraram tanto. Tudo ia bem, mas havia algo de podre no reino da Dinamarca. A “marolinha” de Lula, a bem dizer, era o prelúdio de um tsunami por vir e os 20 centavos foram a gota d’água necessária para fazer essa panela de pressão social explodir.

A nível federal, o partido “de esquerda” que comandava o país há uma década o fazia com a direita mais abjeta dos corredores de Brasília e do latifúndio herdeiro da casa grande. Maluf, Malafaia, Sarney, Collor, Feliciano, Temer, Odebrecht, Eike Batista, Calheiros, esses são apenas alguns nomes dos aliados do PT nas décadas passadas. Reacionários abjetos, homofóbicos, bilionários, misóginos, corruptos, golpistas, racistas, direitistas, latifundiários e neoliberais governavam o país com o PT e ampliaram força durante o lulismo, e graças ao lulismo. Uma autêntica “merda fóssil de agora”, como disse o poeta russo. Muitos deles são aliados de Bolsonaro hoje, como Feliciano, Malafaia e Magno Malta, a tropa de choque neopentecostal do bolsonarismo. Tal pacto reacionário, do qual o PSDB era chave de sustentação como oposição de direita, foi profunda e legitimamente questionado pelas ruas. Junho desmoronou esse esquema, e golpeou pela esquerda os partidos tradicionais do regime de 1988. Diferente do discurso petista, havia motivos de sobra para haver revolta nesse país.

A revolta

Foi nesse contexto que o MPL convocou o primeiro ato contra o aumento da passagem. Inspirados por uma Porto Alegre vitoriosa, era a vez de São Paulo. Do dia 6 ao dia 13 de junho, os atos se multiplicaram de 5 para 20 mil e crescendo. Por fora das direções tradicionais do movimento estudantil, como a UNE ou a UBES, as mobilizações adquiriram um caráter diferente, mais orgânico, mais real, mais combativa, bem diferente das ações plastificadas de uma inofensiva e insípida UJS (na época, praticamente uma secretaria do MEC). A pauta inicial era barrar o aumento, mas fervia entre a juventude o desejo do passe livre para transitar livremente na cidade. Em um mundo onde tudo se torna mercadoria, a demanda por passe livre vira, aos olhos da mídia e de parte da intelectualidade, uma afronta extravagante, uma ideia fora do lugar, algo típico de jovens mimados que, como a filósofa petista Marilena Chauí semanas depois soltou, estavam “acostumados a fazer fila para ir no show da Madonna”.

É inaceitável não ser uma mercadoria em um mundo onde tudo vira mercadoria. O problema daqueles protestos era justamente esse, a demanda por um direito que não cabe na insuportável mercantilização de tudo. A cidade é um negócio altamente rentável, em especial para empresários do transporte e a especulação imobiliária, e aqueles jovens estavam atrapalhando tudo. Porrada neles.

Aí a grande mídia veio com tudo, apoiados pelo discurso acadêmico da intelectualidade “progressista”. Baderneiros, rebeldes sem causa, violentos, classe média fascistizante, mascarados terroristas… nas ruas, o serviço sujo era feito pela tropa de choque tucana de um Geraldo Alckmin em aliança com o prefeito Haddad. Em Porto Alegre, o governo petista de Tarso Genro elogiou a porradaria da Brigada Militar, chamou manifestantes de fascistas e sua tropa invadiu a casa de ativistas no melhor estilo da ditadura.

Acho que a melhor descrição foi d’O Globo, em matéria do dia 12 de junho, ao apelidar os atos do Rio de Janeiro de “A Marcha da Insensatez”. Era e ainda é, de fato, insensato, de acordo com a racionalidade capitalista, reivindicar um direito gratuito. Fazê-lo cortando vias da maior cidade do hemisfério sul e atropelando o “tradicional e reacionário paradigma do direito de ir e vir” então (2), como disse um jurista de esquerda, é um ultraje. Não contavam em seus cálculos que o gás lacrimogêneo e as balas de borracha virariam combustível da indignação e pouco a pouco aqueles 20 mil passariam a representar a vontade de uma maioria que já não aguentava mais.

O ponto de virada foi a derrota vergonhosa de Datena em rede nacional, um momento histórico de lavar a alma. A juventude venceu a disputa popular contra tudo e todos. Os dois maiores partidos do país, PSDB e PT, foram derrotados na capital paulista, os grandes meios de comunicação foram obrigados a não mais se enfrentar com os protestos, houve casos de policiais que foram afastados porque se negaram a reprimir a manifestação e o foco da degradada democracia dos ricos rapidamente se deslocou para a rua, espaço mais democrático do que Brasília ou qualquer assembleia legislativa em que lobista, latifundiário e mercadores da fé têm crachá especial.

Após o ato do dia 13 de junho, a mídia operou um giro não só de apoio às manifestações, mas de disputa e tentativa de sequestro. A capa da Veja publicada em 19 de junho estampava uma pichação “Contra o aumento” sob o fogo de alguma barricada. Embaixo, os dizeres “Depois do preço das passagens, a vez da corrupção e da criminalidade?”. O âncora da Globo, Arnaldo Jabor, em 14 de junho, disse que os manifestantes eram “revoltosos de classe média que não valiam nem 20 centavos”, que “esses caras vivem no passado de uma ilusão, uma caricatura violenta da caricatura de um socialismo dos anos 50 que a velha esquerda ainda defende aqui”. No dia 17, após a violência brutal da polícia, fez mea culpa, disse que “fez um erro de avaliação” e passou a apoiar as manifestações. Estava em curso o famoso “abraço de urso”, onde a poderosa e bilionária grande mídia nacional passava a disputar os rumos de uma enorme mobilização popular.

No dia 17 de junho ocorreu o famigerado ato dos 200 mil em São Paulo. A revolta tinha ares de revolução, pois enquanto marchávamos em direção ao Palácio do Governo do Tucanistão, com sangue nos olhos, recebíamos fotos pelo celular da invasão à Esplanada em Brasília. A história se movia pela primeira vez na vida de milhares e uma letargia de décadas se dissolvia nas ruas de um inverno fervoroso. Dois dias depois, Haddad e Alckmin reconheciam a derrota e revogavam o aumento.

Os protestos seguiram de distintas formas, nas periferias e nos centros das cidades, espalhados pelo país, como rastilho de pólvora, mas sem ganhar continuidade. Em muitas cidades a dinâmica foi distinta, como Porto Alegre e Belo Horizonte onde foram criados organismos menos antidemocráticos que as decisões unilaterais do MPL. Rincões mais profundos do país sinalizaram protestos. Desigual e combinado, junho foi tão complexo quanto o tamanho de nosso país. Tiveram mortes, até hoje impunes, como a da gari de Belém que morreu após inalar gás lacrimogêneo, e o caso de Rafael Braga, jovem trabalhador negro preso por portar pinho sol no Rio de Janeiro. Muitos manifestantes perderam a visão. Nenhum policial, até hoje, foi punido ou preso pelos crimes que cometeram.

A juventude

Em texto publicado em julho de 2013, Zizek nos conta como Marx, na juventude, descreveu a situação alemã como “aquela em que soluções de problemas particulares só era possível através da solução global (a revolução global radical)” (3). Junho não virou uma revolução. A juventude, sozinha, é irreverente, explosiva, antecipa contradições de classe, pode moralizar frações da classe, mas não faz revolução. Sozinha é incapaz de promover transformações totais pois não detém os meios capazes de parar e mover a sociedade. Para isso, seria preciso entrar em cena o grande ausente de junho, a gigantesca classe trabalhadora brasileira organizada que move as cidades, a produção humana e potencialmente controla a sociedade. Os problemas de junho estão menos no que foi do que no que não foi.

Em primeiro lugar é preciso desmistificar a narrativa petista de que junho foi um frenesi de classe média irresponsável ou algo que o valha. Segundo pesquisa do interessadíssimo Ibope (4), feita no dia 20 de junho nas capitais de 7 estados, 55% dos manifestantes foram às ruas em defesa do transporte público, da saúde ou da educação. Contra o ambiente político e a corrupção, 29,9%. O restante se divide em defesa da democracia, contra a violência policial, gastos contra a Copa do Mundo e outras reivindicações básicas. Outra pesquisa (5), também feita pelo Ibope, dessa vez com pessoas que não necessariamente participaram das manifestações, mostrou que 75% da população brasileira apoiou os atos. Mesmo desconfiando dos números do Ibope, órgão ligado à gigante imperialista Nielsen, esses dados tornam a análise do caráter social dos atos muito mais complexa do que as definições superficiais posteriormente feitas pelo PT. Dados como esses mostram anseios por direitos democráticos básicos, nunca cedidos integralmente pela democracia instaurada em 1988, apesar de prometidos insistentemente por praticamente todos os partidos pilares dessa mesma democracia.

A filósofa e professora da USP, Marilena Chauí, não cansou de atribuir a junho a pecha de insatisfação crônica típica de uma classe média fascistizante. O Brasil estava decolando, mas uma juventude mimada está atrapalhando. O ex-presidente Lula chegou a afirmar, em entrevista para a venezuelana TeleSUR, em 2019, que “as manifestações de 2013 foram feitas já fazendo parte do golpe contra o PT. Elas já foram articuladas para garantir o golpe. Elas não tinham reivindicações específicas”. Depois completou, sugerindo uma revolução colorida no país: “Eu acho já que teve o braço dos Estados Unidos nas manifestações do Brasil”. O PT é mestre em definir de direita tudo o que não abaixa a cabeça ao PT.

Numa lógica binária e rasa, é de direita quem critica o PT, como se o mundo fosse dividido em dualidades superficiais. O golpe de 2016 foi orquestrado por todos os aliados de Lula e do PT, por uma mídia irrigada com volumosos recursos feitos pelos próprios governos do PT, um ministério público empoderado pelos próprios projetos de lei petistas e um STF indicado por Lula e Dilma. Mas quem preparou o golpe foram os jovens de 2013? Há mais coisas no céu e na terra do que professa a vã filosofia lulista. Além do descalabro em sugerir uma armação da CIA, há um detalhe nessa fala infeliz de Lula que não pode passar despercebido – “eles não tinham reivindicações específicas”.

Ocorre uma tentativa em esvaziar as reivindicações que explodiam nos cantos e cartazes da juventude. Lula o faz com uma habilidade de velha raposa, pois sabe que as reivindicações particulares daquela juventude não cabiam no esquema representado pelo regime de 1988. Educação e saúde pública para todos, passe livre, transporte 100% estatal, fim da violência policial, livre direito à manifestação, fim dos despejos da Copa, são todas reivindicações bastante específicas e impossíveis, no limite, dentro do capitalismo. Mas transformações profundas são feitas desse material maleável, onde o impossível sobe ao poder. Não à toa, junho virou suas armas contra os principais partidos do regime. O problema central foi não conseguir conectar essas reivindicações ao conjunto de uma classe trabalhadora que vinha ampliando suas greves no período anterior. Essa liga poderia transformar uma revolta em uma revolução, tornando o impossível em inevitável.

A bem dizer, a proposta de Tarifa Zero, do MPL, não continha nada de anticapitalista, tampouco sua política sugeria se ligar à classe trabalhadora. O projeto surgira inicialmente na prefeitura de Luiza Erundina na década de 1990 e, longe de expropriar empresários e colocar o serviço nas mãos dos trabalhadores, previa subsidiar integralmente a passagem de ônibus, mantendo os lucros dos empresários. No ano seguinte, Haddad tentou reconquistar a popularidade perdida e anunciou passe livre para estudantes de escolas públicas e universitários de baixa renda na capital, mas o problema central se manteve. O transporte seguiu nas mãos de uma máfia gananciosa que submete usuários a latas de sardinhas caras e os rodoviários a baixos salários e abusos desumanos.

Ademais, todo autonomismo, via de regra, é tão "horizontal" nas palavras quanto burocrático na prática. A horizontalidade do MPL, que se expressou em movimentos autonomistas de várias outras cidades, era exclusiva a eles, pois decidiam sozinhos as pautas do movimento, as datas dos atos, os trajetos das marchas, as táticas de defesa, etc. A isso agrega-se a ausência de capilaridade do movimento a posteriori e a perda de fôlego nas ruas. Faltou o elemento estratégico da auto-organização. Isso não ocorreu em junho, uma lição importante a se levar hoje (em especial diante de manifestações organizadas pelas cúpulas dos partidos em reuniões secretas ou lives maquiadas de assembleia). A auto-organização por local de estudo e trabalho permite conectar a base dos estudantes e dos trabalhadores a um organismo democrático de decisão do movimento. Os secundaristas de 2015, em São Paulo, fizeram isso e promoveram uma das maiores derrotas que o PSDB sofreu em seu bastião.

Programaticamente, o MRT, na época, defendeu um transporte 100% estatal sob controle dos trabalhadores em aliança com os usuários, um programa que colocava a potência das ruas em rota de colisão com os interesses capitalistas e apontava o controle operário a fim de garantir o direito à cidade e retirar da classe dominante um serviço que deveria atender às necessidades, não ao lucro. Ou seja, um programa para conectar a juventude com os trabalhadores e forjar uma aliança revolucionária na luta. Ao mesmo tempo, erguemos na época a bandeira de uma assembleia constituinte livre e soberana para radicalizar a democracia que estava se expressando nas ruas e se enfrentar com o regime representado pela casta política. Esse é um caminho para apontar a necessária constituição de um governo de trabalhadores em ruptura com o capitalismo.

As centrais sindicais, sindicatos e entidades estudantis, em sua maioria controlados pelo PT e pelo PCdoB, cumpriram um papel traidor em se negar a mobilizar suas bases com o intuito do gigante proletário brasileiro entrar em cena. Oportunidades perdidas cobram caro, traições ainda mais. Dessa forma, conscientemente abriram espaço para que a mídia liberal avançasse em sua operação sequestro, cujo sucesso parcial amplificou desproporcionalmente uma voz minoritária ao cabo das manifestações. Ao mesmo tempo, indicou à burguesia que a função histórica do PT, em conter o movimento de massas, já não tinha a mesma serventia de antes. Se alguns dos principais bastiões da classe operária tivessem sido mobilizados – metalúrgicos, petroleiros, rodoviários, metroviários, aeroviários, e outros –, e a CUT, a CTB e outras centrais possuíam força para isso, certamente a história seria outra. Essa é uma classe que, como mostrou em um dia de greve geral em 2017, é capaz de dobrar a classe dominante desse país.

Aos jovens de 2021

Situações como essas não caem do céu, tampouco surgem a qualquer momento, mas acontecem. Revoltas acontecem. Rebeliões acontecem. Revoluções acontecem. Isso é da história e ninguém pode mudar. Mesmo na pandemia vemos mobilizações multitudinárias explodirem pelos quatro cantos do planeta, como nos EUA, Colômbia, Mianmar. E via de regra essas revoltas são protagonizadas pelos jovens que não aguentam mais obedecer a uma sociedade abominável. No capitalismo devastador que vivemos, então, a tendência é outros junhos surgirem, com outras caras, outras formas, outras pautas, mas a mesma fúria.

O que não ocorre com frequência são revoluções triunfantes, onde as classes exploradas derrubam a classe dominante e fundam um Estado próprio, sem opressão ou exploração. Nesse sentido a juventude possui um papel histórico em se ligar a essa classe que tudo produz. Outros junhos virão, mas a certeza de que não sejam sequestrados, cooptados, desviados ou traídos, depende somente da nossa capacidade em se preparar desde já, nos organizando politicamente e extraindo as melhores lições do passado para não deixar o futuro, como disse o poeta russo, “pisar na garganta do meu canto” (6).

1. “agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-05-23/numero-de-greves-cresceu-58-no-ano-passado-diz-dieese”

2. Souto Maior, Jorge Luis, A vez do direito social e da discriminalização dos movimentos sociais).

3. Problemas no paraíso, Slavoj Zizek. Cidades Rebeldes, Boitempo.

4. http://g1.globo.com/brasil/noticia/2013/06/veja-integra-da-pesquisa-do-ibope-sobre-os-manifestantes.html

5. https://d24am.com/noticias/pesquisa-do-ibope-mostra-que-75-dos-brasileiros-apoiam-atos/

6. Maiakovski, A Plenos Pulmões

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Guilherme Costa

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