OPINIÃO

Carta de governadores a Biden sobre “mudanças climáticas” é a cara do cinismo Democrata

Cerca de 20 governadores brasileiros se articulam para enviar carta à Joe Biden sobre a Amazônia. Aos ingênuos, a imprensa postula de “carta sobre as mudanças climáticas”.

terça-feira 13 de abril| Edição do dia

Trata-se de uma articulação política liderada por Wellington Dias (PT), governador do Piauí, e Renato Casagrande (PSB), do Espírito Santo, junto a alguns pesquisadores e instituições, que será enviada ao presidente dos EUA no dia 20 deste mês. O tom da carta é se apresentar de prontidão ao imperialismo norte-americano para colaborar com a “preservação do meio ambiente”.

Biden convocou nos dias 22 e 23 deste mês a “Cúpula dos Líderes sobre o Clima”, que será realizada virtualmente com cerca de 40 presidentes, e Bolsonaro é um dos convidados. A carta aparece aí como uma jogada por parte dos governadores para “mostrar serviço” a Biden, enquanto busca no terreno nacional ganhar vantagem no ringue contra Bolsonaro.

Bolsonaro é linha de frente daquilo que há de mais rasteiro e predador na política ambiental. Alinhado com os grandes do agronegócio e da mineração, foi corresponsável por medidas de devastação que, desde sua posse, vêm batendo recordes de devastação e queimadas. Atuou ainda para destruir os órgãos de fiscalização para fazer “passar a boiada”, como bem abertamente disse seu vassalo Ricardo Salles.

Entretanto, a medida dos governadores não surge como uma tentativa de irromper o curso da barbárie: trata-se de uma articulação para enviar a Joe Biden o recado de que estão juntos na busca cada vez maior de “destrumpizar” o governo brasileiro e aumentar o peso de influência do Partido Democrata nos assuntos do governo.

Não é de hoje que Joe Biden busca fincar a farsesca imagem de combatente ao desmatamento da Amazônia e de protetor do Pantanal, já tendo ameaçado sancionar o Brasil, se não “parasse de desmatar”. O que supostamente aparece como uma preocupação com o meio ambiente e com a degradação das condições ambientais do Brasil, é na verdade uma linha para buscar conter o avanço do agronegócio brasileiro e o mercado exportador – especialmente da soja e do milho – para a China.

Ou seja, do ponto de vista do Partido Democrata, trata-se de buscar conter o agronegócio brasileiro, visto que os monopólios de seu próprio país buscam dominar o terreno das exportações para o gigante asiático. E é aí que contam com a obediência dos governadores – e que aparentemente não conta com nenhum dos governadores dos estados do interior do país, onde reina o agronegócio.

Leia também: Amazônia: a demagogia verde de Biden e o negacionismo de Bolsonaro.

São tentativas por parte dos governadores de encurralar o governo Bolsonaro, pegando por um de seus lados mais débeis, do ponto de vista internacional, abaixo apenas da sanguinária gestão da pandemia. Mas encurralam o governo tal como um cão de guarda propriedade do maior dos monopólios, o norte-americano.

No que diz respeito à preservação ambiental e às condições ambientais, é tão sanguinário quanto, só que munido de maiores capacidades.

E, nesse ringue, quem sai perdendo é o povo indígena, o meio ambiente e os trabalhadores. Reverter esse curso destruidor não é interesse de nenhum deles, tampouco do Judiciário, do Congresso, nem da Rede Globo. A preservação da vida e a promoção das condições para o futuro só pode estar nas mãos da nossa classe.




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