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CUSTO DE VIDA | Carrefour vê lucro dobrar com cesta básica cara, trabalhador aperta o cinto e corta comida

quinta-feira 1º de abril | Edição do dia

Uma conta que não fecha é alimentação. No Brasil, o trabalhador gasta mais da metade de seu salário com a alimentação. Uma média de 54,23% do salário mínimo líquido vai para estes produtos, e em alguns lugares até mais: em São Paulo, o gasto médio é de 62,85%.

Em dois anos de governo Bolsonaro, desde o início de 2019 até agora, o valor dos produtos da cesta básica aumentou 32,56%. Isso quer dizer, para exemplificar, que com o dinheiro que dava para comprar 5k de arroz em 2018, hoje daria para comprar 3,5kg. É claro que o aumento do custo é dividido desigualmente entre diversos produtos, uns ficam mais caros que outros e a cesta básica do trabalhador vai sendo reduzida e modificada nos produtos, a carne de boi sai e entra frango congelado, e assim o trabalhador vai apertando o cinto, literalmente.

R$ 639,47 é o valor médio da cesta básica na capital São Paulo, mais cara que ela, só a de Florianópolis (R$ 639,81), e em terceiro lugar fica Porto Alegre (R$ 632,67). No Rio de Janeiro o valor é também similar, R$ 629,63, e a capital carioca segue concorrendo pelo posto de cesta básica mais cara do país. Todas acima do valor do auxílio emergencial dado pelo governo no ano passado, considerando que o valor do cálculo é dado pelo DIEESE, e não se refere a cestas oferecidas nos mercados, mas ao cálculo do que é a média do consumo do básico para viver durante um mês.

Ao mesmo tempo que o trabalhador tem que cortar da mesa e a população mais pobre e desempregada passa por insegurança alimentar com aumento da fome, os empresários do agronegócio e do varejo de alimentos lucram como nunca.

Em 2020, plena pandemia, com cortes de salários, demissões e suspensões temporárias de serviço através da MP 936, o grupo Carrefour viu seu lucro ir às alturas. O Carrefour já vinha de aumento em 2019, e em 2020 seu lucro mais do que dobrou. O balanço financeiro publicado pelo grupo aponta um aumento de 20% das vendas em 2020, e um lucro de 2,8 bilhões. Em 2019, seu lucro tinha sido 1,3 bilhões.

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A tal "crise" que os empresários do comércio falam que estão passando, na realidade já foi totalmente transferida para os trabalhadores. A crise o trabalhador vê em casa, quando tem que escolher dividir a comida para durar até o final do mês.

Abílio Diniz, empresário brasileiro que compõe o Conselho de Administração do Carrefour e da BRF (monopólio da alimentação), destinou meros R$ 50 milhões para "combater a covid-19", mas frente ao lucro do Carrefour, isso é dinheiro de troco, ação simbólica de empresários que querem "dormir tranquilos" enquanto lucram com a fome e com a exposição e morte de trabalhadores à covid-19. Era de se esperar de figura tão suspeita de colaboração com a ditadura.

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A verdade é que estes empresários não tem nenhum escrúpulos, exceto que morrem de medo dos trabalhadores perceberem que a única coisa que existente entre o pobre e a comida é o lucro do Carrefour, da BRF e de outros monopólios. E estes monopólios se armam inclusive, contratando seguranças para impedir o acesso às mercadorias. Esses mesmos seguranças que mataram João Alberto em uma loja do Carrefour de Porto Alegre.

Ou Abílio Diniz perde seus lucros, ou os trabalhadores seguirão se apertando os cintos, trabalhando na pandemia e correndo risco de morte enquanto tem que conviver com o aumento da miséria em suas casas e também ao redor. Não dá para conciliar as duas coisas, e como achamos que a riqueza de Abílio Diniz se deve ao trabalho de seus funcionários e não ao mérito deste empresário, seria necessário então taxar as grandes fortunas, como as do grupo Carrefour e BRF, para financiar auxílio emergencial de pelo menos um salário mínimo, ou o dobro disso para mulheres chefes de família.

Além disso, os trabalhadores do comércio, dos transportes e dos depósitos destes monopólios de produtos de consumo básico poderiam muito bem gerir racionalmente os recursos e produtos de seu próprio trabalho. Alimentos para todos, geridos e distribuídos por comissões de controle com representantes eleitos pelos trabalhadores destas categorias.




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