Internacional

Caravana indígena chega à capital da Colômbia para se somar à jornada de protesto nacional

Nesta quarta-feira, chegou a Bogotá a caravana indígena para reforçar a jornada de protesto nacional contra o Governo. A jornada foi convocada por diversos sindicatos e organizações populares para manifestar o descontentamento frente à situação econômica e social e contra a repressão e a brutalidade policial.

quarta-feira 21 de outubro| Edição do dia

A “minga” indígena, como são conhecidas na Colômbia essas mobilizações, saíram de Cali, a principal cidade do sudoeste do país, e chegaram a Bogotá no domingo, na segunda-feira fizeram uma grande manifestação na Plaza de Bolívar, o centro do poder político, para fazer suas reivindicações ao Presidente Iván Duque, com quem ainda não conseguiram se reunir.

Após o amplo apoio recebido nas ruas de Bogotá, os cerca de 7 mil indígenas que participam da minga vão, nesta quarta-feira, se somar às manifestações dos sindicatos e dos movimentos sociais, os quais estão retomando os protestos que foram interrompidos pela pandemia do coronavírus.

A crise econômica atingiu duramente os trabalhadores e os setores populares da Colômbia. Estima-se que cerca de 4 milhões de pessoas perderam o emprego nos últimos meses da pandemia, ou seja, um quinto da força de trabalho, elevando a taxa de desemprego nacional para cerca de 20%. Embora existam várias capitais com patamares superiores a 30%, em que a extrema pobreza chega em 35,7% da população, o que foi agravado ainda mais pela aceleração da crise.

Com relação às demandas da minga indígena, em primeiro lugar estão sendo exigidas garantias de protesto social e de participação política de suas comunidades. Também exigem segurança em seus territórios, onde a violência se intensificou, deixando, segundo eles, 160 indígenas mortos nos últimos dois anos. Conforme a Associação de Indígenas Cabildos del Norte del Cauca (ACIN), até o momento, neste ano, foram assassinados 76 moradores dessa região, que conta com 84 reservas e é o departamento que abriga a maior população indígena da Colômbia.

Em frente ao Capitólio Nacional, membros das comunidades originárias leram uma sentença de dez pontos para o presidente Iván Duque, no qual se destaca que ele cumpra a defesa dos povos indígenas.

Exigiram que Duque proíba todo tipo de licença ambiental para mineração e exploração de energia nos territórios indígenas. Também reivindicaram a implantação de modelos de planejamento territorial e a adoção de políticas públicas para os camponeses do meio rural e a proibição do uso de substâncias como o glifosato para a fumigação de cultivos ilícitos.

“Hoje estamos aqui apoiando a greve nacional, que também tem em suas exigências as violações do Governo Nacional (...) Amanhã a minga dará as boas-vindas à greve nacional na Praça de Bolívar”, disse em uma conferência de imprensa Noelia Campo, conselheira do Conselho Regional Indígena do Cauca (CRIC).

O protesto de quarta-feira foi convocado pelo Comitê Nacional de Desemprego, formado por sindicatos e organizações sociais, para expressar seu repúdio à política econômica e social de Duque, bem como à violência em regiões como Cauca, de onde vem a maior parte dos indígenas participantes da "minga".

“A minga indígena, que hoje está alojada no Palacio de los Deportes (um coliseu coberto na capital que os acolheu) nos informou de sua decisão de retornar ao seu território. Amanhã (...) saudará as organizações da greve cívica nacional, saudará o dia de protesto, antes de retornar ao território ", declarou o Secretário de Governo de Bogotá, Luis Ernesto Gómez.

José Alid Liz, guardião indígena da reserva do Togoima, disse que apoiará o protesto desta quarta-feira porque “são muitos os pontos” que os unem aos manifestantes: as necessidades do povo colombiano e as exigências do Governo para que cumpra o acordo de paz assinada com o ex-guerrilheiro das FARC, em novembro de 2016.

O guardião lembrou que este não é o primeiro protesto indígena contra o governo, em 2019 eles bloquearam a Rodovia Panamericana, que liga a Colômbia ao Equador, em manifestações que duraram 27 dias e causaram grandes perdas econômicas.

Enquanto os indígenas se preparavam, membros da Federação Colombiana de Trabalhadores na Educação (Fecode) iniciaram uma greve de 48 horas envolvendo 250 mil professores na terça-feira, aumentando os protestos desta semana.

Lembremos que, em meados de setembro, a Colômbia viveu um dia de protestos generalizados e revoltas nas principais cidades. Esses eventos anunciam crises mais profundas; sua economia piora com a pandemia e as forças repressivas querem conter o protesto, até com o envolvimento de assassinatos.

Nesta quarta-feira, o grande descontentamento que vive o país se fará sentir mais uma vez, tudo isso no contexto de uma situação em que a Colômbia continua sendo agitada pelo descontentamento operário, indígena, camponês e popular. A resposta dos setores operários e populares têm sido reativar a luta iniciada em 21 de novembro de 2019, e mais uma vez se levanta a necessidade de implantar uma força social capaz de derrotar os planos do Governo Duque e dos empresários.




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