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Eleições 2022 | Caravana eleitoral de Lula no NE é para costurar alianças com Centrão e base de Bolsonaro

Lula está em caravana pelo Nordeste desde o meio de agosto e sua passagem inclui Pernambuco, Piauí, Maranhão, Rio Grande do Norte e Bahia. Bolsonaro, que não é inocente, também vem investindo nas viagens pela região, que é o segundo maior eleitorado do país. Lula e Bolsonaro disputam o pior do Nordeste, os oligarcas do Centrão, verdadeiros coronéis que dominam a política regional há anos, de costas para as necessidades dos trabalhadores e população pobre que sofre com a seca, a fome e a pandemia.

quinta-feira 26 de agosto | Edição do dia

Foto: Código19/Folhapress

Lula se preocupa em manter o favoritismo eleitoral na região que se tornou seu bastião político ao longo dos anos de governo petista. Entretanto, no sentido oposto ao que expressa com sua retórica demagógica de preocupação com o povo, Lula está no Nordeste para obter a atenção e se reaproximar do que tem de pior na política nacional, lideranças regionais do Centrão que não apenas embarcaram no golpe institucional contra Dilma, quando assim foi conveniente, como hoje constituem base de apoio para o governo Bolsonaro.

Assista ao ED Comenta de hoje: A caravana eleitoral de Lula pelo Nordeste

Em Pernambuco, Lula se reuniu com o PSB na tentativa de costurar um acordo nacional, já que o partido está dividido em duas alas, uma que defende apoiar Lula desde já (como Freixo, Flávio Dino e Paulo Câmara governador do estado) e outra que negocia ainda uma possibilidade de terceira via (como João Campos prefeito de Recife). Mas se hoje o PSB está dividido, não foi assim frente à votação do impeachment de Dilma, cuja maioria dos deputados foi parte do golpe.

Não suficiente com ex-aliados, golpistas e agora “divididos”, Lula se reuniu com deputados diretamente da base aliada do governo Bolsonaro como o PP, PL, Republicanos, mesmo partido do Carlos Bolsonaro, PTB, e outras siglas como, Solidariedade, Cidadania, PSD, MDB, PCdoB, PSOL e lideranças do próprio PT. Além disso, Lula teve encontros separados com os senadores Tasso Jereissati (PSDB-CE), Cid Gomes (PDT-CE) e com o ex-presidente do Senado Eunício Oliveira (MDB-CE), todos em Fortaleza no Ceará.

Em um hotel da capital piauiense, na sequência de sua caravana, Lula se reuniu com lideranças de nove partidos com a presença do governador Wellington Dias (PT): MDB, PSD, PCdoB, PL, PTB, PSB, Solidariedade, Cidadania, além da bancada do PT no estado.

Em comum, Lula e Bolsonaro compartilham a disputa pelo que há de mais asqueroso na política nacional, o apoio político em base ao velho toma lá dá cá com figuras caquéticas e reacionárias, coronéis que estão acostumados a ir com “quem dá mais” não importando o que isso significa para a população trabalhadora.

Veja nossa análise política nacional: O Brasil não é para amadores: Bolsonaro x STF: até onde vai essa disputa?

O apoio da grande maioria desses setores ao golpe institucional, votando em massa pelo impeachment de Dilma e também o coro que se fez junto à grande mídia e ao judiciário que levaram Lula preso e impedido de participar das eleições em 2018, foram apenas o começo da colaboração do Centrão para um golpe que foi muito mais contra os trabalhadores, destroçando direitos conquistados e atacando continuamente as condições de vida e trabalho das massas. Para se ter uma ideia rápida, entre o final de 2016 e começo de 2017 o Congresso votou, além do impeachment, a reforma trabalhista e a PEC do Teto dos Gastos. Em seguida, já com Bolsonaro no executivo, seguiu como um trator, passando nada mais que a reforma da previdência, uma série de privatizações de empresas estratégicas e destruindo ainda mais os direitos trabalhistas, apoiados na pandemia como desculpa para flexibilizar o inimaginável, como direito à férias e 13º salário.

Lula não “guarda rancor” dos golpistas porque nunca esteve disposto a abrir mão das alianças com eles, mas nós não podemos perdoar. O perdão de Lula é a sinalização de que ele está disposto a repetir toda a tragédia de alianças e concessões aos setores mais reacionários que nos trouxeram até aqui. Se hoje temos tantos direitos a menos, é também porque a política de conciliação petista cedeu todo esse espaço aos que querem nos atacar e Lula segue disposto a governar com eles, com os mesmos de sempre.

O que chamamos de obra econômica do golpe, seu legado de destruição de direitos e privatizações, em nenhum momento vem sendo questionado por Lula. O petista sabe que a ele cabe administrar essa terra arrasada, contando com muita habilidade retórica e um apelo emocional a um passado que não volta mais, diante de condições econômicas internacionais totalmente diferentes das quais se beneficiou nos anos 2000. Junto à retórica de Lula, está a máquina burocrática das direções sindicais, como a CUT e CTB e dos movimentos de juventude e sociais, pilares de contenção do descontentamento dos trabalhadores e toda a população.

Por tudo isso, a política de frente ampla com quaisquer aliados, sem objetivos claros na defesa dos trabalhadores e oprimidos em nome de um suposto combate a Bolsonaro, é um erro estratégico, e uma nova traição das direções que se reivindicam de esquerda, que tentam enganar sua base. Lula não trará os anos 2000 de volta ao povo brasileiro, porque vivemos um outro momento na economia internacional, de crise econômica, social e política em vários lugares do mundo, que se combina ainda com a pandemia. Essa experiência terá que ser vivida na prática.

Até lá, nós do MRT e do Esquerda Diários seguiremos insistindo que é necessário enfrentar não apenas a extrema direita bolsonarista, mas também toda a direita golpista e neoliberal que é fiadora de todos os ataques, lutando para reverter toda a obra do golpe com uma saída política independente, uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana que só pode ser conquistada através da força da nossa mobilização, sendo necessário exigir e denunciar as centrais sindicais e entidades estudantis por por sua política de paralisia que só fortalece a direita.

A luta histórica dos povos indígenas que acampam com mais de 10 mil em Brasília contra o Marco Temporal mostra o caminho para enfrentar os ataques que estão colocados agora.




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