PERSEGUIÇÃO POLICIAL

Candidata a vereadora pelo PCdoB foi presa ao buscar atendimento contra agressão do marido

Em Resende, a candidata buscou atendimento por conta de uma agressão física e patrimonial que sofreu por parte do marido. A mulher foi detida por desacato e perturbação de serviço essencial, o ocorrido escancara o papel que cumpre a instituição policial em um claro caso de perseguição política e machismo. A candidata já foi solta.

sábado 24 de outubro| Edição do dia

Imagem: via reprodução

Leda Mercia Mota Ribeiro da Silva, de 44 anos, chegou alterada em uma delegacia policial de Resende na última quinta-feira (22), por conta das agressões que havia sofrido do marido na presença de suas duas filhas. Parte das agressões havia sido filmada. A polícia deteve a candidata por supostamente ter pertubado um serviço essencial e desacatado os agentes policiais, um absurdo completo.

O caso não se trata de um fato incomum ou isolado, esta delegacia em Resende, cidade que é bastião das Agulhas Negras e das forças armadas, é conhecida na região por casos de machismos. Muitos são os relatos de mulheres que foram agredidas, desacreditadas ou humilhadas por policiais ao buscar socorro contra violência doméstica, estupro, entre outras manifestações graves de machismo, no caso de Leda porém, a polícia achou por bem detê-la desconsiderando a origem de seu estado psicológico abalado.

Posteriormente o agressor também foi detido, mas a policial que atendeu Leda informou que ela foi detida pois estava “muito alterada, acabou causando um verdadeiro tumulto".

Segundo a advogada da vítima, os motivos do seu abalo emocional foram desconsiderados e houve uma manobra jurídica para enquadrar o suposto delito em caso de detenção quando segundo ele: “forçando muito a barra seria o crime de desacato. Ela teria desacatado a autoridade policial. A gente teria um crime de menor potencial ofensivo. A Leda deveria ter assinado um termo circunstanciado e ter sido posta em liberdade, se comprometendo a comparecer sempre que chamada”.

O que houve foi mais uma vez foi a conduta comum da instituição policial de utilizar uma conduta absurda e injusta contra a população trabalhadora no lugar da suposta defesa da população. Atuam apenas em defesa dos interesses burgueses e tratam com descaso as pessoas comuns que buscam atendimento.

Esse tipo de conduta de criminalização da vítima é algo que o governo Bolsonaro busca reforçar na portaria que obriga que os hospitais notifiquem a polícia em caso de aborto por estupro, uma conduta que visa pressionar e amedrontar a vítima já abalada pela situação.

Leda já foi liberada mas seguirá respondendo o processo, é preciso exigir o fim desse processo injusto contra uma vítima de machismo. A polícia demonstra com esse caso que não é e não pode ser aliada dos trabalhadores e dos oprimidos, ao contrário, utiliza-se da autoridade policial para causar ainda mais danos psicológicos em vítimas de abusos e agressões.

Essa é a mesma polícia que assassina diariamente jovens negros e pobres, que sobem nos morros para fuzilar crianças e trabalhadores, como foi com Ágatha, como José Pio Junior que morreu trabalhando, como João Pedro que morreu dentro da própria casa.

É contra o racismo e a injustiça dessa instituição que a população estadunidense luta com o movimento Black Lives Matter exigindo o desfinanciamento da polícia, a retirada dos policiais dos seus sindicatos e até mesmo a dissolução dessa instituição que sempre se coloca contra os trabalhadores, os negros e as mulheres.

Este foi um claro ato autoritário de perseguição machista, o Esquerda Diário rechaça este e qualquer caso de perseguição política aos candidatos de esquerda.




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